Durante a Euro 2016, a cantora italiana Gala entrou sem querer para o mundo do futebol. Um de seus maiores hits, Freed from Desire, foi utilizado como base para a música que foi entoada por torcedores da Irlanda do Norte nos estádios da França.
O refrão “Will Grigg’s on fire, your defence is terrified” (“Will Grigg está pegando fogo, a sua defesa está apavorada”) virou uma febre entre os fãs de todo o planeta, e se manteve como um "hit" na temporada do Wigan, que contou com gols importantes do jogador.
"Eu estou feliz de que a energia da música e o espírito, que é o que as pessoas sentem, seja usado para encorajar um atleta a marcar um gol. É legal, porque significa que a energia da música e a intensão por trás da música, dá um espírito de, você sabe, não só vitória, mas um espirito de coragem e força”, disse Gala, em entrevista ao ESPN.com.br.
A canção “Freed from desire” faz parte do álbum de estreia da cantora chamado Come into My Life (1997), que vendeu mais de 5 milhões de cópias ao redor do mundo, e tinha também tem os hits Let a Boy Cry, Come into my Life e Suddenly.
Gala faz questão de dizer que escreveu as letras e melodias de suas músicas. Desta forma, ela garante que zela um pouco mais por suas canções e sentiu um pouco ao saber que sua obra era usada por uma torcida.
“O disco Come to Life, com a música Freed from Desire, eu escrevi tudo. Então significa muito que as pessoas gostem, significa mais porque significa que elas amam o que eu escrevi, o que eu quis dizer. Então eu me preocupo muito com as minhas músicas, de muitas formas. Então, enquanto por um lado eles mudam sua letra, não tem o significado original. Como compositora é claro que eu prefiro a minha música, mas eu estou feliz", disse.
Coreógrafa, fotógrafa e diretora de vídeo, a artista que mora atualmente nos Estados Unidos, também é dona da própria gravadora: a Matriarchy.
Mesmo não sendo uma fã confessa de futebol, Gala ficou feliz por sua música ser utilizada como incentivo a um atleta.
"Sabe o que eu gosto sobre o Wil Grigg? Eu torço sempre pelo ‘azarão’. Então quando acontece de eu assistir futebol eu sempre torço pelo time menor, ou o menor país, aquele que não está vencendo. Então eu realmente gostei do fato dele ser da Irlanda do Norte e não é o maior time, o mais famoso. Mas ele está fazendo um verdadeiro bom trabalho e eu realmente gosto disso sobre ele. Ele é um astro crescente", elogiou.
E como Will Grigg cresceu nesta temporada. Ele fez o gol que eliminou o poderoso Manchester City (campeão da Premier League) nas quartas de final da Copa da Inglaterra. De quebra, ainda fez mais 25 tentos que ajudaram o Wigan a conseguir o acesso para a Championship (2ª Divisão Inglesa).
Apesar da torcida ter reavivado o hit, Gala não acredita ter ficado "mais famosa" por isso. “Acho que as pessoas ouvem, mas não vão atrás do artista original. Eu não acompanho quantos seguidores eu tenho”, afirmou.
Além de não ser tão ligada às redes sociais, outro fator que pode influenciar na falta de percepção de um fenômeno maior é que os direitos das músicas não estão nas mãos da cantora.
“Eu escrevi, era a única que sabia inglês. Eu era muito jovem e não conhecia muitas coisas, então não assinei o melhor dos contratos, então não está em minhas mãos. Então acho que eles estão vendo mais resultados disso tudo do que eu estou”, contou.
"Dei muitas entrevistas, Inglaterra, Itália, França. As pessoas às vezes... você sabe, às vezes você ouviu essa música quando era mais nova e depois não ouviu mais e agora está ouvindo. Para mim é diferente, pois eu ainda estou trabalhando. Estou sempre fazendo músicas, sempre saindo em turnês. Para mim é só mais uma coisa que me deixa feliz, mas não é que eu desapareci e voltei agora. Esta é a percepção de vocês, mas não é minha realidade", disse.
O futebol não está entre as preferências de Gala, segundo por ela própria, por ser um esporte "majoritariamente jogado por homens" e por ela não costumar acompanhar aquilo que não pratica. Mesmo assim ela admira uma das características da modalidade.
"É claro que é um esporte que conecta o mundo todo e me deixa feliz que pessoas se reúnam, no Brasil, França, Irlanda é claro, e se preocupem mais com o esporte do que com as diferenças entre os países. É uma coisa bonita", declarou.
No Brasil, Gala foi um grande sucesso e dominou as paradas nas rádios. Mesmo após 21 anos, ela mantém uma forte ligação com o país e realizou diversos shows desde então.
A última visita de Gala ao Brasil aconteceu em 2011, com shows no Rio de Janeiro e em São Paulo. A cantora, contudo, não se esquece do público local. "Sempre digo para todos que o público do Brasil é o melhor. Eu não digo isso em todas as entrevistas. Sinto a falta da alma da América do Sul", disse.
