Apesar do patrocínio milionário da Crefisa/FAM e de vir de algumas temporadas em que melhorou suas finanças, o Palmeiras é, entre os 12 maiores clubes do Brasil, aquele que mais viu sua dívida aumentar de 2016 para 2017.
Os dados são da Sport Value, empresa especializada em marketing esportivo, branding, patrocínios, avaliação de marcas e de propriedades esportivas, que fez uma análise do balanço patrimonial das 20 equipes da Série A.
O material é assinado por Amir Somoggi, especialista em gestão e marketing esportivo.
O Palmeiras havia fechado 2016 com uma dívida total de R$ 394,8 milhões. Um ano depois o valor passou para R$ 462 milhões. Um aumento de 17%. Atrás do clube alviverde estão Fluminense (aumento de 12%) e Vasco (11%).
"O Palmeiras vive uma solidez financeira. Fechou o ano com superávit, cada vez mais tem números impressionantes de arrecadamento, mas o Palmeiras tem um modelo diferente dos outros clubes. Tem um parceiro que ajuda muito e com isso houve a questão da receita federal, que, querendo ou não, impactou em nova dívidas. Um exemplo, a antecipação de contratos saltou de R$ 18 milhões em 2016 para R$ 43 milhões em 2017", explicou Somoggi ao ESPN.com.br.
"Outra questão: a dívida pelo pagamento de direitos de imagens de jogador aumentou bastante. Tem outro impacto nas finanças. O Palmeiras é a maior folha salarial entre os clubes do Brasil", acrescentou.
Vale mencionar que o Palmeiras apresentou superávit de R$ 57 milhões em 2017, registrando o segundo melhor desempenho no Brasil. A receita total também foi impactante. Arrecadou R$ 531 milhões, a maior cifra da história alviverde e um novo recorde em cima dos R$ 468,6 milhões obtidos em 2016, que já havia sido a maior de todos os tempos no Palestra Itália.
Neste ano, o clube trabalha com uma receita estimada de R$ 477 milhões, enquanto as despesas devem ficar na casa de R$ 444 milhões. Com isso, o Palmeiras planeja finalizar a temporada com lucro de R$ 33 milhões.
O cenário pode não preocupar tanto porque o relacionamento que o Palmeiras tem com a parceira é amistoso, mas Somoggi alerta que um rompimento, fosse por qualquer motivo, impactaria nas finanças imediatamente.
"Pode ser um grande problema. Vamos lembrar que o Fluminense viveu um caos após a saída da Unimed", disse Somoggi. "O Palmeiras fatura com patrocínio o que nenhum clube no Brasil consegue. São R$ 131 milhões. O Flamengo, que aparece em segundo, fatura R$ 90 milhões, enquanto o Corinthians, que é o terceiro, fica com R$ 78 milhões".
Outros grandes que tiveram aumento de suas dívidas foram Internacional (6%), Corinthians (5%), Atlético-MG (4%) e Santos (1%). Veja abaixo o quadro com o valor da dívida em 2016 e o valor ao final do último ano.
SALDO POSITIVO
Cinco dos doze grandes do país, contudo, conseguiram finalizar a última temporada diminuindo o valor da dívida. Neste cenário, o destaque é o Flamengo, que conseguiu reduzir 27% do total da sua dívida. Passou de R$ 460,6 milhões para R$ 335 milhões.
"O melhor modelo entre os grandes é o do Flamengo. O clube vem trabalhando para diminuir a dívida, que já chegou a ser de R$ 803,7 milhões em 2012. Mas no Brasil o melhor modelo é o da Chapecoense, que está na Série A e não tem dívida alguma", disse Somoggi.
Vale mencionar que o Flamengo foi o clube brasileiro que teve o melhor resultado financeiro em 2017. Apresentou um superávit de R$ 155 milhões, em um ano que foi campeão do Estadual, vice da Copa do Brasil e vice da Copa Sul-Americana.
