Em sua "turnê de despedida" como técnico do Arsenal, Arsène Wenger terá nesta quinta-feira, às 16h05 (de Brasília), no Emirates Stadium, o primeiro jogo contra o Atlético de Madrid pela semifinal da Europa League, a competição que pode lhe garantir o último título pelos Gunners.
Em duas décadas à frente do clube de Londres, o treinador francês formou times que encantaram e buscavam o "jogo bonito". Para isso, nada como ter brasileiros que pudessem facilitar o trabalho.
Uns tornaram-se grandes figuras - Gilberto Silva, Edu e Eduardo da Silva -; outros não deixaram saudades - André Santos, Denilson, Gabriel Paulista...
Mas tem aquele também que foi precursor da leva brasileira no Arsenal: Sylvinho.
O lateral-esquerdo revelado pelo Corinthians chegou aos Gunners em 1999 após resistir às investidas do arquirrival Tottenham e teve duas temporadas jogando em alto nível, sendo inclusive eleito para a seleção da Premier League pela associação de jogadores (PFA) em 2000/2001.
Ao perceber que perderia espaço para o jovem Ashley Cole, Sylvinho foi para a Espanha, onde atuou por Celta e Barcelona, e retornou anos mais tarde para jogar pelo Manchester City.
Hoje auxiliar de Tite na seleção, o ex-lateral deu um depoimento ao ESPN.com.br sobre o trabalho com Arsène Wenger em seus dois anos de Arsenal e não poupou elogios ao francês.
Leia abaixo o que Sylvinho disse sobre o maior técnico da história dos Gunners
Wenger foi meu primeiro treinador na Europa, e eu fui o primeiro atleta brasileiro a ser contratado pelo Arsenal em 1999. Um profissional que dura e permanece em um clube por mais de duas décadas, um clube com uma estrutura fantástica - que foi mudada e melhorada em tantos aspectos -, eu consigo ver só grandes virtudes em um profissional desse nível.
Eu tive a felicidade de poder trabalhar com um treinador que tem uma gestão não só no campo mas também como um manager que contrata, resolve, que faz todo o planejamento do novo centro de treinamento, que foi inaugurado em 2000 - eu estava chegando lá, e nesse período de seis meses fiquei no antigo até que fizessem o novo. A mão dele está em todos os lugares ali.
Também tive o prazer de ver uma gestão de vestiário, uma gestão humana, um olho muito apurado em busca de atletas para aquilo que ele queria - e não só no nível físico, técnico e tático, mas ele também queria conhecer o lado humano do atleta, o quanto ia facilitar ou não uma adaptação ao Arsenal, à Inglaterra e ao futebol viril, difícil de ser jogado.
Essa gestão de atletas, de vestiário, eu tive algumas experiências muito boas com ele, é realmente de tirar o chapéu.
Vejo muitas virtudes, muitas qualidades, e não poderia ser diferente: ninguém pode ficar no lugar em que ele ficou por duas décadas se não fosse por extrema competência. Um treinador com quem aprendi, muito educado, sabe as distâncias. Realmente muito bom.
Ter alguém como ele praticamente se despedindo do Arsenal e da vida de treinador e poder ter atuado e estado ao lado dele foi uma grande honra.
