Aos 63 anos de idade, Cícero Mello é o repórter esportivo mais experiente da TV brasileira em atividade. E não quer parar tão cedo.
Foi durante anos repórter de rádio. Trabalhou nas grandes, como a Rádio Nacional e Rádio Globo. Migrou para a TV logo no início dos canais ESPN no Brasil. Estreou na empresa como comentarista de basquete em 1995.
Foi apenas um jogo nessa função. Logo em sua segunda participação o até então cabeludo assumiu os microfones como repórter. Meteu a tesoura na cabeleira e foi para a frente das câmeras de onde não saiu mais.
Cícero é de uma época em que não existia escritório da ESPN no Rio de Janeiro, muito menos redação. Ia para as ruas para fazer as reportagens, muitas vezes escrevia os textos das matérias ali mesmo, na calçada, no carro ou em um bar e depois gerava o material para ser editado na sede da ESPN em São Paulo.
Com tanto sol e chuva na cabeça, tornou-se um repórter cascudo - em todos os sentidos.
Sempre foi um destemido repórter nas entrevistas coletivas da seleção. Que o digam Felipão, Parreira, Dunga e companhia.
Como homem do rádio, Cícero é impecável nas entradas ao vivo. Sua desenvoltura e experiência são tecnicamente perfeitas quando aparece na telinha antes, durante e após os jogos de futebol.
E nesse Credencial ESPN na Copa, o nono da série, conheceremos a essência do maduro repórter.
São histórias deliciosas dos embates com técnicos consagrados e dirigentes, muitas vezes nebulosos.
Quem conhece bem o repórter Cícero vai lembrar da pergunta que não o calava, antes da Copa de 2002. Não se cansou em perguntar nas coletivas com Felipão por que ele não convocava o Romário.
Nesse “Credencial ESPN” que já está disponível no WatchESPN, veremos outras passagens interessantes e curiosas que marcaram a carreira do jornalista. As coberturas de Copas, as inúmeras entrevistas com a seleção na Granja Comary.
A Copa em que ele não foi por causa do Plano Collor que, além de ter derrubado o orçamento das famílias, quebrou a rádio onde Cícero trabalhava.
As reportagens e a dura missão de experimentar as cervejas belgas às 8 da manhã, quando o Brasil, do outro lado do planeta, vencia a Bélgica por 2 a 1.
E um recado emocionante da filha e atriz, Bruna Knoploch, ao selar a paz com o pai-repórter no Credencial ESPN.
Vale a pena assistir e entender os bastidores da vida de um cara que não quer fazer outra coisa na vida a não ser reportagem.
