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Hoje rival do Corinthians, Alemão já foi servente de pedreiro e jogou na várzea

Gazeta Press

Ao entrar na Vila Capanema para a partida contra o Corinthians, neste domingo (22/04), um filme passará pela cabeça de Alemão. O lateral do Paraná guarda muitas memórias da longa trajetória que precisou trilhar para chegar até a Série A do Campeonato Brasileiro.

Após começar nas escolinhas do Pequeninos do Jockey e terminar a as categorias de base do Taboão da Serra, ele disputou duas vezes a Copa São Paulo de futebol júnior. Após se destacar no torneio, ele foi levado por olheiros para a Alemanha.

"Aos 18 anos fui tentar a sorte na quinta divisão alemã. As maiores dificuldades que passei foram no começo porque não sabia falar a língua. Tinha a saudade da família, mas passei por cima dessas dificuldades", disse, ao ESPN.com.br.

"Lá não tive muito êxito profissional, mas conheci pessoas maravilhosas. Aprendi um pouco do idioma também e ganhei muito como ser humano. O que eu vivi lá procurei levar para o resto da minha vida como educação e organização. Hoje, o que ficou na minha memória são as boas lembranças", garantiu.

NAS OBRAS E GRAMADOS

Apenas um ano depois de ir ao "Velho Continente", ele voltou ao Taboão da Serra. Como a equipe jogava a Série B do Paulista (na prática a quarta divisão), ele ficava meses sem calendário. Por causa disso, conciliava a carreira de jogador com a profissão de servente de pedreiro.

"Caso a gente fosse eliminado no meio do campeonato, como diversas vezes aconteceu, tinha que correr atrás para colocar o leite dentro de casa e poder me sustentar. Eu sempre ajudei meu pai e meus irmãos desde criança como servente de pedreiro. Era um momento da vida bem difícil assim que eu passei. Tinha aquela desconfiança, mas sempre soube aonde queria chegar", recordou.

Alemão usava o serviço pesado nas obras para não perder a forma. "Sempre trabalhei com alegria. Lembro que meu irmão pegou um serviço para fazer uma laje de uma garagem que ficava uns cinco quilômetros da minha casa. Para manter o físico em dia eu ia correndo ao invés de pegar um ônibus (risos)", contou.

Aos finais de semana, o jovem ainda jogava em clubes de várzea de São Paulo e Taboão da Serra para garantir uma renda extra. "Eu ganhava uns R$ 150 ou R$ 200 por jogo. Em outras vezes recebia um pacote de fraldas ou caixa de leite porque na época minha filha era pequena. Não podia dar mole", relatou.

Como ainda não tinha decolado na carreira dentro dos gramados, ele enfrentava pressão para abandonar seu sonho.

"Diversas vezes falaram para eu desistir e procurar um emprego fixo e estudar porque já não dava mais. Tudo isso fez como que eu crescesse como ser humano. Tenho orgulho de falar disso porque muitos desistem no meio do caminho até mesmo com um potencial maior do que o meu", admitiu.

DA 4ª DIVISÃO PARA A ELITE

Após passar por clubes como Serrano-BA, Nacional-SP, Flamengo-SP, União Barbarense-SP e Independente de Limeira, o lateral conseguiu se destacar pelo Bragantino, em 2015.

Com as boas atuações no "Massa Bruta", ele foi emprestado ao Botafogo para atuar na Série A do Campeonato Brasileiro de 2016. Depois disso, foi comprado pelo Internacional para a temporada passada.

Neste ano, Alemão foi cedido ao Paraná até o final de 2018. Neste domingo, ele estará em campo contra o Corinthians.

"Grande importância pra nós, pois estreamos com derrota apesar de fazer um bom jogo e se tratando da primeira partida em casa diante da nossa torcida precisamos dar o máximo para conseguir os primeiros três pontos", contou.

A equipe alvinegra é um adversário especial na carreira do lateral.

"Foi um partida inesquecível pra mim pois foi meu primeiro jogo na Série A do Brasileirão e foi com Vitória que na ocasião importantíssima para arrancada do Botafogo pra classificar para Libertadores".

Feliz por ter conseguido chegar à elite do futebol brasileiro, o lateral não esquece sua origem humilde.

"Eu confiei no meu trabalho e em Deus, acima de tudo, sabia que um dia seria iluminado.Não é fácil chegar no patamar aonde eu me encontro agora. Trabalhei muito para isso. Às vezes a dificuldade vem para podermos valorizar ainda mais quando chegamos ao êxito. Mesmo nos momentos mais difíceis da minha vida eu sempre agradeço muito a Deus por todas as oportunidades, sejam elas boas ou ruins", filosofou.

Com tantas voltas que sua vida deu, o jogador gosta de aconselhar quem deseja seguir na profissão de jogador profissional.

"É importante deixar uma mensagem para todos que aqueles que eles jovens que têm um sonho. Nunca desista e não deixe outras pessoas tirarem sua capacidade ou confiança", concluiu.