Alan Santos deixou o Coritiba no final do ano passado buscando um novo desafio na sua carreira ao aceitar a proposta do Tigres. Para a melhor adaptação do brasileiro ao estilo de jogo mexicano, ele foi emprestado para o Veracruz logo no início de seu contrato. Em entrevista ao ESPN.com.br, ele contou sobre seu início de carreira fora do Brasil, boas histórias sobre o tempo em que esteve no Santos, os próximos passos na carreira e a saudade do país natal.
Como está sendo sua adaptação ao futebol mexicano?
Por ser volante, eu preciso ser comunicado pelos zagueiros e a comunicação no começo foi bem difícil, porque além de ser outra língua, eles têm algumas gírias futebolísticas que são diferentes.
Quais as principais diferenças que você está sentindo nesse começo?
O futebol é bem diferente do que no Brasil, por ser mais técnico, mais pausado, com mais posse de bola. Aqui eles jogam mais na transição e por isso fui emprestado para me adaptar ao estilo do futebol mexicano. No começo foi mais difícil, mas agora está melhor.
Você passou muitos anos atuando no Brasil, como está sendo sua adaptação alimentar no México?
Sinto muita falta da comida brasileira, principalmente da baiana, porque minha mãe é cozinheira e essa tem sido uma das minhas maiores saudades do Brasil, mas hoje eu já posso falar que minha alimentação também está adaptada.
Uma diferença muito grande é que no Brasil eles fazem a alimentação a cada três horas, enquanto aqui eles fazem três refeições no dia, independentemente de ser atleta ou não. Café às 11h30, almoço às 16h e a janta às 21h.
A comida mexicana é conhecida por ser bastante picante, já teve algum problema por conta disso?
Eu não gosto de pimenta e no início eu vim alerta a isso, então sempre pedia nos restaurantes para que não viesse apimentado. Mas algumas vezes eu acabei esquecendo e quando experimentei estava bem picante. Aí tinha que pedir para trocar ou outro prato.
Mas você como baiano, acredito que tenha comido muitos acarajés. Eles nunca vinham apimentados?
Eu como acarajé, mas não com pimenta! Sou um baiano meio difícil.
Você deixou o Vitória ainda muito jovem para o Santos. Como foi jogar ao lado de Neymar antes de ser o que é hoje?
Quando eu cheguei no Santos, saindo do Vitória com apenas 18 anos, o Neymar, que é um ano mais novo do que eu, já estava no profissional. Então eu pude pegar todo o crescimento dele no começo de carreira.
Você já conseguia enxergar algo diferente nele?
Já dava para perceber, não à toa falavam dele desde quando ele tinha 10 anos. O talento que ele tem é fora do comum. Ele está em um nível de inteligência de futebol muito acima.
Uma das coisas que mais me impressiona é a mentalidade competitiva dele. Porque nos treinamentos ele brincava e brincava, mas quando começava de verdade, era uma mentalidade de concentração, de sempre querer mais, e isso ele demonstrava depois nos jogos junto com alegria.
Ele consegue tornar-se o melhor jogador do mundo algum dia?
Hoje, falar do Neymar é fácil pelo o que ele se tornou. Claro que bater Messi e Cristiano Ronaldo é muito difícil, mas para mim ele já tem capacidade de ser o melhor do mundo.
Aquele time contava também com Paulo Henrique Ganso, André e Pará que gostavam bastante de zoar com todos. Imagino que tenha algumas histórias engraçadas sobre esse tempo...
Tem algumas boas histórias! Os caras faziam ensaio de três ou quatro danças porque sabiam que iam sair três ou quatro gols por jogo. (Os mais velhos) Faziam trote com os que subiam da base, então se tornava um vestiário bem engraçado. Quando a gente (Neymar, Ganso, André) tinha 18, 19 anos, nós que éramos trolados pelos mais velhos, como Fábio Costa, Fabão, Rodrigo Souto, Kléber Pereira, Domingos e a gente sofria nas mãos deles! Então quando eles viraram o que são hoje, faziam as mesmas coisas com quem estava subindo, como Gabigol e Victor Andrade.
Você ainda tem 26 anos, acredita que pode ir para a Europa algum dia?
Meu sonho desde que eu era criança era me tornar jogador de futebol profissional, então posso dizer que vivo o meu sonho. Ir para Europa ou Ásia faz parte do meu sonho.
Você pensa em uma volta ao Brasil?
Eu acabei de sair do Brasil. Apesar de sentir falta do modo de jogo, dos meus amigos, isso faz parte do futebol, do que eu escolhi para minha vida, então não penso em voltar no momento, mais ainda depois de jogar 9 Campeonatos Brasileiros seguidos.
