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Brasileiro lembra quando atacantes do Tottenham zombavam Harry Kane: 'Coitado, acha que vai jogar'

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As 32 seleções da Copa: conheça tudo da Inglaterra de Kane, que quer se redimir do vexame em 2014 (0:30)

Ingleses não venceram jogos no último Mundial, e atacante do Tottenham é principal esperança (0:30)

Autor de dois gols na vitória da Inglaterra sobre a Tunísia por 2 a 1 na estreia da Copa do Mundo, Harry Edward Kane hoje é um atacantes mais valorizados do mundo e esperança da seleção inglesa para conseguir o segundo título mundial.

Aos 24 anos, ele acumulou 41 gols pelo Tottenham na última temporada. Segundo o site especializado Transfermakt, o camisa 10 vale 120 milhões de euros (R$ 478 milhões). No entanto, o jornal El País diz que os Spurs só topam vendê-lo por 350 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão).

Houve um tempo, porém, que as coisas eram bem diferentes na vida do inglês.

Entre 1999 e 2004, ele foi dispensado das categorias de base de Ridgeway Rovers, Watford e Arsenal - nos Gunners, inclusive, ele não ficou porque ficou considerado "gordinho". Só foi ser acolhido de vez quando chegou ao Tottenham, clube pelo qual se profissionalizou em 2009.

No entanto, ele só foi começar a ganhar chances nos Spurs na temporada 2013/14. Enquanto isso, foi sendo emprestado seguidamente para clubes de menor expressão para ganhar experiência, como Leyton Orient, Millwall, Norwich City e Leicester.

"O Tottenham não contava muito com ele, que era sempre emprestado. Ele foi muito bem na base, eu acompanhava sempre os jogos dele e o Kane era o destaque. Mas quando subiu para o time de cima, demorou muito para ser aproveitado", lembra à ESPN o volante Sandro, que defendeu o clube de White Hart Lane por quatro anos e hoje está no Benevento-ITA.

"Fora isso, a torcida do clube sempre pedia a contratação de grandes atacantes, então em um ano veio o Adebayor, no outro o Soldado, tinha o Defoe, também joguei com o Pavlyuchenko... Chegava centroavante atrás de centroavante e os caras não davam oportunidade para ele", recorda.

O brasileiro ficou mais próximo de Kane na temporada 2011/12, quando o hoje artilheiro foi aproveitado em algumas partidas de menor importância, antes de ser emprestado ao Millwall para ter mais oportunidades de entrar em campo.

"Teve um ano que ele ficou um pouco mais com a gente, treinando com o André Villas-Boas. Ele ficava no elenco e começou a ganhar moral com o pessoal, pois é muito educado e todos gostavam muito dele", relata.

"Mas ele era visto só como 'um menino da base', então não davam muita moral pra ele. Hoje eu até entendo, porque para jogar no Tottenham você tem que estar 'voando'. Ele era novo, então consideravam que ele precisava antes pegar experiência em outros lugares, por isso ele ia e voltava", acrescenta.

"Só que aí ele começou a fazer alguns jogos de copa, como Liga Europa, FA Cup, e fez uns gols aqui e ali. Eu pensava: 'Que legal, olha o Kane fazendo gol'. Ele começou a ganhar cada vez mais moral dentro do grupo, e ficava claro que estava chegando o momento dele explodir", conta.

Isso começou a acontecer na transição da temporada 2013/14 para 2014/15.

"Teve uma época que o Tottenham parou de contratar atacantes porque tinha Adebayor, Soldado e Kane. Só que o Soldado não estava fazendo gols e caiu para 3ª opção, e o Kane subiu para a 2ª. Sempre que entrava ele guardava o dele, então virou o reserva direto do Adebayor", rememora.

"Só que aí o Adebayor brigou com a diretoria e parou de jogar. O Kane já estava pedindo passagem e começou a ser titular. Já estava com a confiança porque era querido pelo elenco. Começou a fazer gols e desde então não parou mais", ressalta.

O ex-jogador do Internacional, aliás, treinava duro com o centroavante para ajudá-lo a melhorar.

"O Kane eu defino em uma palavra: batalhador. Tudo que ele faz é questão de treinamento e confiança. Desde quando ele era jovem eu e o (goleiro) Gomes falávamos dele: 'Caramba, o moleque está impossível, está treinando muito bem'", relata.

"Ele me chamava para marcá-lo os treinos, porque ele sabe que eu dava a vida em todos os trabalhos. Ele brincava: 'Vem, Sandro, vem me marcar. Vou pra cima de você (risos)'", diverte-se o brasileiro.

A habilidade do inglês na finalização, inclusive, foi lapidada através de árduas horas de treinamento, inclusive depois do horário estabelecido pela comissão.

Ao mesmo tempo que trabalhava duro, Kane teve que ouvir as zombarias dos caros atacantes que eram titulares enquanto ele aguardava sua chance.

"Lembro que depois de todas as atividades ele ficava horas chutando bolas no gol, cobrando faltas. Esses gols que ele faz hoje batendo de fora da área eu via o moleque fazendo no treino quase todo dia. Recebia e soltava a bomba rápido, sempre preciso. Os goleiros ficavam até com raiva, porque ficavam doloridos de tanto que ele chutava (risos)", brinca.

"Às vezes os outros jogadores ficavam olhando e davam uma cornetada: 'Olha lá o Harry Kane... Coitado, acha que vai jogar'. Era como se quisessem dizem: 'Eu que vou jogar e ele fica lá só treinando'", revela.

Sandro deixou os Spurs na temporada 2014/15. Depois, passou por Queens Park Rangers, West Bromwich e Antalyaspor-TUR antes de chegar ao Benevento-ITA nesta temporada, tendo feito cinco jogos e um gol.

Da Itália, ele acompanha o sucesso e torce para que o amigo siga brilhando.

"Fico feliz demais por tudo o que aconteceu com ele, pois é um cara muito humilde e batalhador. Ele merece estar nesse nível, pois o status que ele alcançou não foi algo da noite para o dia. Ele veio evoluindo temporada a temporada e hoje está no todo do mundo", exalta.

"Fico feliz de tê-lo visto começar. Aliás, no primeiro jogo que o Kane fez, ele entrou justamente no meu lugar. A Sky Sports fez essa matéria outro dia e eu nem lembrava disso! Então, posso dizer que estou marcado na história dele também (risos)", encerra Sandro.