A lesão sofrida por Neymar, na vitória sobre o Olympique de Marselha, no último domingo, pelo Campeonato Francês, deixou os torcedores do Paris Saint-Germain preocupados com a alta probabilidade de não verem o grande craque em campo pela Uefa Champions League.
Com uma fissura no quinto metatarso, porém, é possível jogar. Ao menos é o que garante Fabrice Bryand, ex-médico da seleção francesa, que conta detalhadamente como, a partir de anestesias, o camisa 10 não sentiria dores durante a partida.
"Através de um trabalho de contenção, nós podemos fazer com que ele necessite menos dos ligamentos. Digo menos porque ele necessitará deles. Depois, a partir de infiltrações e mesoterapia (injeções anestésicas locais e superficiais), a mensagem enviada ao cérebro é de que não há dores. Nós estamos 'enganando' o cérebro. Mesmo que não sinta nada, inconscientemente ele saberá que tem algo. E, de fato, a dor será diminuída", comentou, em entrevista ao jornal francês L'Équipe, publicada nesta quarta-feira.
"Nós temos de considerar, também, os períodos de recuperação. Há jogadores que se curam muito rapidamente, outros menos", pontuou.
Bryand ainda fez questão de lembrar de Ronaldo "Fenômeno", que, antes da final da Copa do Mundo de 1998, não sabia se poderia entrar em campo na final diante da França por conta de uma convulsão sofrida antes da decisão. Jogar antes da hora, porém, poderia representar riscos à saúde de Neymar.
"As chances são altas. O importante é ser transparente. Expor-lhe os fatos, os riscos. Há pessoas que jogaram com fissuras nesses prazos. O esporte é um lugar onde vemos coisas que não vemos em outros lugares. Quem teria dito que em 1998 Ronaldo iria jogar algumas horas após uma crise epiléptica? Há coisas que são feitas que não estão ao alcance da medicina", disse, explicitando o que poderia acontecer caso o tratamento em questão desse errado.
"Vai atrasar a cicatrização. Em caso de entorse, os ligamentos são distendidos, lesionados, e, se alguém trabalha com o tornozelo, necessariamente precisa dos ligamentos. Claramente, vai atrasar a cura", falou.
"Estamos em frente a seres extraordinários, que passam por cima das dores. Então, se a pergunta for ' ele consegue jogar?', a resposta é 'sim'. Agora, a outra questão é: ele necessita?", completou.
