Nesta quinta-feira, o Palmeiras visita o Junior-COL, às 21h30 (horário de Brasília), pela estreia da Copa Libertadores de 2018. E é bom o técnico Roger Machado preparar bem sua defesa, pois encontrará pela frente um ataque poderoso - e caríssimo - montado recentemente pelo clube de Barranquilla.
Os dois principais destaques do time alvirrubro são o centroavante Téo Gutiérrez, ex-Racing-ARG, River Plate-ARG, Rosario Central-ARG e Sporting-POR, e o meia Yimmi Chará, ex-Atlético Nacional-COL e Monterrey-MEX.
Ambos são titulares absolutos e defendem também a seleção colombiana.
Além deles, há também o uruguaio Jonatan Álvez, que vem de ótimo 2017 pelo Barcelona de Guayaquil-EQU, com 26 gols em 41 partidas.
Na temporada passada, aliás, se especializou em marcar em cima de times brasileiros na Libertadores: nos mata-matas, anotou contra Grêmio, Santos e contra o próprio Palmeiras, e também deixou sua marca contra o Botafogo, na fase de grupos.
Deste trio, Chará e Gutiérrez devem ser titulares contra o "Verdão" nesta quinta-feira, enquanto Álvez deve iniciar no banco de reservas, já que foi contratado há cerca de um mês pelo Junior e ainda está se entrosando.
E o preço para montar uma linha de frente tão forte não foi barato.
Téo custou US$ 3 milhões (R$ 9,71 milhões, na cotação atual) para ser comprado do Sporting-POR, em junho de 2017, enquanto Chará chegou na mesma época por US$ 4,5 milhões (R$ 14,56 milhões).
Por último, veio Álvez, trazido por mais US$ 3,5 milhões (R$ 11,33 milhões).
No total, US$ 11 milhões, ou R$ 35,6 milhões, algo enorme para o futebol colombiano, que não possui o mesmo poderio financeiro do Brasil.
Fora eles, o técnico Alexis Mendoza ainda tem à sua disposição atletas como o jovem meia Yony González, destaque das seleções de base da Colômbia, e o veterano Luis Carlos Ruiz, que foi campeão da Libertadores e da Recopa com o Atlético Nacional e já atuou no futebol brasileiro: no Sport, em 2016.
E QUEM BANCA?
Como o Junior é um time-empresa (o nome completo é Club Deportivo Popular Junior Fútbol Club S.A.), ele tem um próprietário - neste caso, um dono milionário e um dos homens mais influentes da Colômbia.
Trata-se do empresário Fuad Ricardo Char Abdala, de 80 anos, que é o fundador do Grupo Olímpica, gigantesca rede de supermercados e farmácias fundada por seu pai, Ricardo Char Zaslawy, em Barranquilla.
Criada em em 1953, a companhia hoje possuí unidades em quase todas as cidades colombianas e tem como slogan "Sempre preços baixos, sempre".
Char é dono do Junior desde 1972, e ajudou a transformar a equipe de um "nanico" em potência do futebol local.
Antes do empresário virar proprietário do time, os alvirrubros nunca haviam vencido um Colombiano e só haviam disputado a Libertadores uma vez.
Hoje, são heptacampeões nacionais e também venceram a Copa da Colômbia duas vezes, e estiveram na Libertadores mais 12 vezes desde então.
Ele tem poder total sobre a agremiação e inclusive colocou seu filho Antonio Char para ser o presidente.
O magnata sempre teve o hábito de gastar bastante para trazer estrelas.
Em 1993, por exemplo, ele contratou ninguém menos que o meia Carlos Valderrama e montou um "supertime" que foi campeão nacional, deixando os poderosos Independiente Medellín, Atlético Nacional e América de Cali para atrás no quadrangular final.
Já os investimentos mais recentes foram feitos após protestos da torcida, que chegaram a xingá-lo durante uma partida depois que ele deu uma entrevista dizendo que o jejum recente de títulos (o último Colombiano foi conquistado em 2011) não era culpa dele, e que o Junior "só lhe dava prejuízo", mas ele seguia pagando as contas sem reclamar, ao contrário dos torcedores.
A resposta veio no meio do ano passado, quando ele investiu US$ 7,5 milhões (R$ 24,3 milhões) combinados para trazer Téo Gutiérrez e Yimmi Chará.
O segundo, aliás, quebrou recorde e tornou-se a contratação mais cara da história do futebol colombiano.
Já neste ano, os investimentos seguem fortes, com US$ 3,5 milhões (R$ 11,33 milhões) gastos em Jonatan Álvez e a esperança de superar a histórica campanha de 1994, quando o Junior alcançou a semifinal da Libertadores, sendo eliminado apenas nos pênaltis pelo Vélez Sarsfield, que terminaria sendo campeão em cima do São Paulo.
Além do sucesso no mundo dos negócios, Fuad Char ainda é extremamente influente na política colombiana.
Ele já foi governador da província de Atlántico, onde fica a cidade de Barranquilla, e foi eleito quatro vezes senador (1994,1998, 2002 e 2010).
RETROSPECTO PEQUENO
Palmeiras e Junior só se enfrentaram uma vez na história.
O fato ocorreu em 1997, quando as equipes duelaram em campo neutro (Miami, nos Estados Unidos) em partida válida pela Reebok Cup e terminaram com o empate por 2 a 2.
Euller e Alex foram os responsáveis por assinalar os tentos palmeirenses.
