Você pode até não lembrar, mas Barcelona e Chelsea protagonizaram mata-matas recheados de emoções nos últimos 15 anos da Liga dos Campeões. Encontros seguidos, decisões emocionantes, gols nos últimos minutos e muitas polêmicas alimentaram uma rivalidade que ficou adormecida por seis anos na competição mais importante da Europa, mas que será "acordada" na próxima terça-feira (20), quando as equipes voltam a se enfrentar no Stamford Bridge, em Londres, em partida válida pela ida das oitavas de final do torneio.
Apesar de não ser considerado um clássico europeu, Chelsea e Barcelona alimentaram anos, quase que consecutivos, de rivalidade pela Liga dos Campeões. De 2000 para cá, ano da primeira vez que as equipes se enfrentaram na história, foram 12 partidas, sendo quatro vitórias dos ingleses, cinco empates e três dos espanhóis. Apesar da desvantagem nos números gerais, o Barça eliminou os Blues em três oportunidades, enquanto a equipe londrina mandou o rival para casa em apenas duas - outros dois jogos foram válidos pela fase de grupos.
As equipes se enfrentaram pela primeira vez em 2000, nas quartas de final da Liga dos Campeões, quando os ingleses ainda sequer haviam sido comprados por Roman Abramovich - o russo só entrou para a história do time londrino em 2003. Os Blues venceram em Stamford Bridge por 3 a 1, mas não aguentaram a pressão no Camp Nou, perdendo por 5 a 1 na partida que precisou ser decidida na prorrogação - Rivaldo ainda atuava na Catalunha e foi o autor de dois gols.
De lá para cá, o sorteio da competição fez com que o confronto se repetisse em três temporadas seguidas - duas oitavas de final (2004/05 e 2005/06) e uma fase de grupos (2006/07) - e em mais outras duas edições, recheadas de emoção e muita polêmica.
Em 2008/09, Chelsea e Barcelona se encontraram na semifinal da competição. Os ingleses eram os atuais vice-campeões da Liga dos Campeões, mas não contavam com um elenco tão estrelado - apesar de ter nomes como Frank Lampard, Didier Drogba e Michael Ballack. Já o Barcelona vinha com força máxima: Xavi, Iniesta, Daniel Alves, Yaya Touré, Samuel Eto'o, Thierry Henry e Lionel Mess – comandados por Pep Guardiola .
Na primeira partida, um empate por 0 a 0 no Camp Nou. Na volta, no Stamford Bridge, a grande polêmica. Essien, volante ganês, abriu o placar para os donos da casa com um golaço aos nove minutos de jogo. Com a vantagem, o Chelsea deu a bola para o Barcelona, se fechou, mas soube explorar de maneira muito inteligente os espaços deixados para contra-ataques. O problema foi o árbitro norueguês Tom Henning - e, é claro, Iniesta.
O Chelsea, na época, reclamou de pelo menos seis pênaltis não marcados na partida, sendo quatro claríssimos. No primeiro tempo, Daniel Alves agarrou Malouda dentro da área, mas o juiz marcou apenas falta. Depois, Abidal puxou e derrubou Drogba, mas o homem do apito mandou seguir.
Na etapa final, Anelka tentou avançar para área, mas Piqué cortou com a mão, e, já depois de ter sofrido o gol de Iniesta aos 48 do segundo tempo, Eto'o bloqueou um chute com o braço, que levou Ballack à loucura. Henning mandou seguir todos os lances, e os ingleses foram eliminados.
A VINGANÇA
Passaram-se três anos, mas a vingança veio. E em grande estilo. Em 2012, as equipes se encontraram mais uma vez na semifinal. Desta vez, no entanto, a primeira partida aconteceu em Stamford Bridge, e terminou com vitória de 1 a 0 - o gol foi anotado por Drogba.
Na volta, um Camp Nou lotado viu Busquets e Iniesta, mais uma vez, colocarem o Barcelona em vantagem, mas a felicidade não durou até o intervalo. Aos 46min do primeiro tempo, mesmo com um a menos - Terry havia sido expulso -, Lampard lançou Ramires, que marcou um golaço de cobertura sobre Victor Valdes.
Na etapa final, o Barcelona tentou de tudo. Pressionou, mas não conseguiu superar Petr Cech, a trave e o travessão. Quando o goleiro tcheco não defendia as bolas, as barras do gol faziam sua parte. Foram assim duas vezes com Messi, que acertou a trave de fora da área e o travessão em uma cobrança de pênalti.
No final, Fernando Torres ainda aproveitou um contra-ataque para decidir a classificação inglesa com um empate por 2 a 2 - naquele ano, contra o Bayern de Munique, o Chelsea ainda conquistaria pela primeira vez a Liga dos Campeões.
