O adversário do São Paulo nesta quinta-feira tem uma história feita não apenas de títulos e tradições, mas também contada por meio da passagem de personagens amados, controversos, artistas e até políticos. Foram os casos de Garrincha, Felipão, Djavan e Fernando Collor de Mello, todos com alguma ligação com o CSA.
Uma trajetória que você conhecerá um pouco mais a partir de agora. O jogo entre as equipes será nesta quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), no estádio Rei Pelé, em Maceió, pela segunda fase da Copa do Brasil.
GARRINCHA
Mané Garrincha, o "Anjo das Pernas Tortas", herói da conquista da Copa do Mundo do Chile, em 1962, chegou a jogar pelo CSA em uma ocasião. Isso ocorreu em 19 de setembro de 1973, quando Mané Garrincha tinha 39 anos e era praticamente um ex-jogador em atividade, o que não ofuscou o brilho do acontecimento.
O ídolo do Botafogo foi convidado para participar de um amistoso contra o ASA no estádio Rei Pelé, em Maceió. Os relatos mantidos pelo CSA revelam que Garrincha estava bem aquém da melhor forma física, com problemas nos dois joelhos e, portanto, sem conseguir repetir suas melhores jogadas. Mesmo assim, o craque foi festejado e aplaudido.
Para completar a festa, o CSA venceu por 3 a 1. Garrincha não marcou. Os tentos foram de Dida (revelado pelo time e campeão da Copa de 1958, quando defendia o Flamengo), Tião (contra) e Manoelzinho. Zito descontou para o ASA.
Quatro dias depois Garrincha vestiu a camisa do ASA em amistoso contra o CSA, em Ararapicara. E dessa vez o time alvinegro foi quem acabou vitorioso, com o placar de 1 a 0. A "Alegria do Povo" contribuiu com lançamentos, dribles e tabelas, mas não com o tento, que foi marcado por Cambota.
DJAVAN
Natural de Maceió, o cantor teve um envolvimento mais direto com o futebol durante a adolescência. Autor de sucessos como "Oceano" e "Meu bem querer", ele já jogava futebol nos campos de várzea da cidade, especialmente no bairro onde morava com os pais, um vendedor ambulante e uma lavadeira.
O próprio Djavan admitiu em inúmeras entrevistas que o preconceito e a pobreza eram seus principais adversários naquela fase e o futebol surgiu como uma oportunidade de superar as dificuldades. O gosto pelo esporte o colocou na rota do CSA, clube no qual ele admitiu que jogou nas categorias de base como um bom meio-campista.
"Dos 13 aos 15 anos, eu fui meio-campista do time juvenil do CSA e achavam que eu tinha algum talento. Mas aos 16 anos, me apaixonei pela música, que acabou sendo o vilão da minha carreira", disse o músico ao portal "Tribuna do Sertão", em 2017.
Foi no mesmo período que Djavan teve contato com a música. Aprendeu a tocar violão com a idade mencionada e passou a fazer covers, especialmente dos Beatles. Aos 18, já afastado do futebol por opção própria, compôs as primeiras letras. Mas foi em 1973, quando chegou ao Rio de Janeiro, que deu o pontapé decisivo para fazer sucesso como cantor.
FELIPÃO
Poucos sabem, mas o comandante do quinto título mundial da seleção brasileira começou a carreira como treinador no clube alagoano. A oportunidade surgiu em 1982, quando tinha acabado de se aposentar como jogador com o título do Campeonato Alagoano - único troféu que obteve como atleta profissional - e recebeu o convite para treinar os ex-companheiros.
Com isso, Felipão substituiu Walmir Louruz, seu último comandante como jogador. Contudo, sua passagem foi curta, com apenas uma vitória, quatro empates e duas derrotas em sete partidas.
A história rende brincadeiras até hoje para o treinador, que costuma dizer que só foi demitido duas vezes no futebol: Uma pelo Chelsea, em 2009, e a outra no CSA, no início da carreira de treinador.
COLLOR
O CSA é conhecido em Alagoas (e em boa parte do Brasil) como um dos clubes que mais misturam futebol e política no país. Para alguns críticos, a agremiação é uma verdadeira vitrine para candidatos. Há muitos exemplos na história alvi-celeste, mas o mais conhecido é o que envolve Fernando Collor de Mello.
O presidente mais jovem do Brasil (foi eleito com 40 anos) e o primeiro a sofrer um impeachment, foi o mandatário do CSA entre 1973 até 1974, quando se licenciou do cargo para entrar de vez na política. Então com 24 anos, o agora senador, inclusive, foi o responsável pela homenagem à Garrincha.
Depois de presidir o CSA, Collor foi prefeito de Maceió, governador de Alagoas e presidente da República, ocupando atualmente o cargo de Senador.
Com toda a bagagem cultural, nacional e até mesmo internacional, a equipe alagoana busca fazer valer toda sua história para vencer um dos gigantes do país - e ter mais uma boa história para contar dentro dos seus 104 anos.
TÍTULOS E TRADIÇÃO
Com 104 anos de existência, o CSA é o maior campeão alagoano - com certa folga, inclusive. Dono de 37 títulos, a equipe possui sete a mais do que o segundo colocado, o arquirrival CRB.
Mesmo com este protagonismo, o time já vive um jejum de dez anos sem conquistar o Estadual. Contudo, a equipe alvi-celeste é a atual campeã da Série C do Campeonato Brasileiro, conseguindo um feito inédito para o estado de Alagoas no cenário brasileiro.
E não é só nacionalmente que o CSA se destaca. O clube foi o único do Nordeste a disputar uma final de um torneio organizado pela Conmebol. Tal feito ocorreu em 1999, quando decidiu a Copa Conmebol para o Talleres, da Argentina, sendo derrotada após vencer por 4 a 2 em Alagoas e perder por 3 a 0 no duelo na Argentina.
Por fim, o CSA tem algumas revelações famosas. Começaram suas carreira no clube o meia-atacante Dida (campeão da Copa de 1958), dos meias Cleiton Xavier e Souza e do atacante Adriano Gabiru, autor do gol que deu ao Internacional o Mundial de 2006.
FICHA TÉCNICA
CSA X SÃO PAULO
COPA DO BRASIL 2018 - SEGUNDA FASE
Data: quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
Horário: 21h30 (de Brasília)
Local: Estádio Rei Pelé, Maceió, Alagoas
Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC)
Assistentes: Carlos Berkenbrock (SC) e Helton Nunes (SC)
CSA: Mota; Talisson, Leandro, Xandão e Rafinha; Dawhan, Didira, Yuri e Daniel Costa; Bruno Veiga e Leandro Kível. Técnico: Flávio Araújo
SÃO PAULO: Sidão, Militão, Bruno Alves, Rodrigo Caio e Reinaldo; Jucilei, Hudson e Cueva; Marcos Guilherme, Diego Souza e Nenê. Técnico: Dorival Júnior
