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Títulos, dívidas e polêmicas: o balanço dos três anos de Roberto de Andrade no Corinthians

Os cinco candidatos à presidência do Corinthians são praticamente unânimes em um ponto: é difícil questionar a gestão de Roberto de Andrade dentro das quatro linhas. Em três anos, foram três títulos com o dirigente que se despede do cargo com a eleição deste sábado.

Andrés Sanchez, Antônio Roque Citadini, Felipe Ezabella, Paulo Garcia ou Romeu Tuma Júnior sucederão, contudo, um mandatário que também tem números a ser contestados. Nas finanças, principalmente. A dívida, por exemplo, cresceu 27% - isso sem considerar a Arena.

Abaixo, em três tópicos, o ESPN.com.br apresenta um balanço dos três anos de Roberto de Andrade a frente do Corinthians, um período de conquistas, dificuldades e polêmicas.

O dinheiro

“Vamos trabalhar internamente, fazendo diminuições de despesas e aumentando receitas. Não tem segredo. Vamos ter um ano difícil, o que temos de fazer é trabalhar.” A declaração foi dada por Roberto no dia em que foi eleito presidente, ainda em fevereiro de 2015.

Naquele ano, a equipe de futebol acabaria campeã brasileira, mas a dívida, apontada como prioridade, acabou saltando de R$ 371,7 milhões em 2014 para R$ 452,7 milhões. Em 2017, ano também de título nacional, o número subiu ainda mais, batendo R$ 472,4 milhões no primeiro semestre.

“Não saio satisfeito. Mas tenho que analisar não só o número frio. Foram os piores três anos da história do país. Não foi só o Corinthians. Grandes empresas fecharam, quebraram. De tudo que aconteceu, me dou satisfeito pelo que a gente fez”, avaliou Roberto sobre seu trabalho.

Sob o comando do presidente, os gastos do Corinthians com futebol também dispararam, tendo o ápice, curiosamente, em 2016, único ano em que o time não ganhou títulos em sua gestão. Para o próximo mandatário, contudo, a folha é entregue por Roberto em patamar semelhante a 2014.

No último ano do antecessor Mário Gobbi, o custo do departamento havia sido de R$ 238,5 milhões; subiu para R$ 250,3 milhões em 2015 e chegou a R$ 299,6 milhões em 2016. Já no último ano da gestão de Roberto, em 2017, o número voltou a cair, para cerca de R$ 236 milhões.

* Valores projetados, não oficiais
** Número do primeiro semestre

Voltando ao que disse Roberto em 2015, porém, as receitas, de fato, cresceram nos últimos três anos. Desconsiderando vendas de atletas, que ajudam a distorcer os números a cada temporada, a arrecadação do clube foi de R$ 271 milhões em 2014 para R$ 310,8 milhões em 2017.

Melhorou também a relação do que a equipe arrecada e os gastos com futebol. Em 2014, com Gobbi, essa relação chegou a 92%, enquanto, em 2017, foi de aproximadamente 61%.

O futebol

Dentro das quatro linhas, a gestão de Roberto de Andrade começou com um baque: a saída de Paolo Guerrero. Um dos ídolos recentes do clube não acertou sua renovação e partiu para o Flamengo. Só que naquele mesmo ano de 2015 veio o título do Campeonato Brasileiro, sob o comando de Tite.

Para 2016, a expectativa era boa, mas a marca da temporada acabou sendo o desmanche do time campeão no ano anterior – saíram Gil, Renato Augusto, Malcom, Vágner Love, entre outros, incluindo o próprio treinador, que assumiria a seleção brasileiro em junho.

Na tentativa de remontar o elenco, Roberto fez o que foi sua contratação mais cara, por exemplo, com Giovanni Augusto, que ficou bem longe de retribuir o investimento - ao final da gestão, está fora dos planos de Fábio Carille. Na busca por um novo técnico, apostas frustrada em Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira.

Já em 2017, sem grandes expectativas, com a aposta em Fábio Carille como treinador, o Corinthians foi campeão duas vezes, conquistando o Paulista e o Brasileiro. "Consagramos mais um técnico para o Brasil, para o mundo, motivo de orgulho", exaltou Roberto sobre a opção pelo antigo auxiliar.

Em números, o aproveitamento do time alvinegro na gestão de Roberto foi de 63%, com 115 vitórias, 58 empates e 40 derrotas. Nos clássicos contra Palmeiras, São Paulo e Santos, foram 15 triunfos, nove igualdades e 12 reveses em 36 duelos, aproveitamento de 50%.

As polêmicas

Entre gastos e conquistas, o Corinthians também acumulou polêmicas nos últimos três anos. Declarações que repercutiram mal, negociações conturbadas, dívidas com inúmeros forncedores, comissões controversas a empresários e até um pedido de impeachment estão entre as que a Roberto enfrentou.

Na Libertadores de 2015, por exemplo, repercutiu muito mal a declaração do então diretor de futebol Sérgio Janikian dizendo que o Guarani, do Paraguai, era um "presente de Deus" como adversário nas oitavas de final. O Corinthians foi eliminado e, pouco depois, o dirigente acabou caindo junto.

Em relação a negociações, houve desgaste, em 2017, com o acerto frustrado com William Pottker. O atacante tinha tudo certo para trocar a Ponte Preta pelo Corinthians, mas, ao entrar em campo em um jogo pela Copa do Brasil, o negócio foi desfeito. Também acabou mal a tentativa de renovação com o zagueiro Pablo, que, com o insucesso das tratativas, acabou tirado do jogo da taça do último Brasileiro.

A última controvérsia da gestão foi a venda de Jô para o Nagoya Grampus, do Japão, que, conforme revelou Juca Kfouri, jornalista dos canais ESPN, teve comissão de 30% a empresários.

"Não existe versão, existe negócio. Um não é igual ao outro. Já vendi jogador sem comissão e vendi o Jô com comissão maior. Porque é o negocio, foi tratado. Isso passa pela Fifa, Banco Central. Tínhamos acordado dessa forma e foi feito. Pode ser fora do normal, mas não é ilegal, tanto e que a Fifa aceita, se não, não aceitava", tentou justificar Roberto na última sexta-feira.

Ainda em relação a dinheiro, o Corinthians enfrentou diversas cobranças de fornecedores, de empresas de telha a de alimentação. O presidente garante, porém, que não deixa o clube com fama de "mal pagador".

"Você não vai pagar mil reais? Pago do meu bolso. É que tem casos que você não concorda, contesta, vira briga do Jurídico, você protesta. São coisas que você está discutindo. O caso da empresa de marmitas, estão discutindo uma multa, eles entendem que tem que receber, nós entendemos que não", defendeu-se.

A eleição

A votação para a escolha do sucessor de Roberto de Andrade acontece neste sábado, no Parque São Jorge, das 9h às 17h (horário de Brasília). Como a eleição acontece com urnas eletrônicas, a apuração deve ser rápida e, antes das 18h, o Corinthians já deve conhecer seu novo presidente.