Na última quinta-feira, após a vitória por 3 a 1 sobre o Santo André, o diretor de futebol do Palmeiras, Alexandre Mattos, revelou que o Changchun Yatai, da China, segue à caça do atacante Dudu, capitão da equipe alviverde.
De acordo com o dirigente, o clube asiático já fez quatro propostas para tentar contratar o camisa 7 desde meados de 2016.
A última foi de 13 milhões de euros (R$ 51 milhões), mais que o dobro dos 6 milhões de euros (R$ 23,5 milhões) investidos em 2015 pela equipe paulista para comprar 100% dos direitos do atleta do Dynamo Kyiv, da Ucrânia.
Para tentar seduzir o baixinho, o Changchun ainda ofereceu um salário nababesco de 4 milhões de euros (R$ 15,7 milhões) por temporada - bem mais do que os os R$ 350 mil por mês que ele fatura no Brasil.
Até o momento, todas foram recusadas pelo clube e pelo jogador.
Segundo Mattos, o Palmeiras fará "de tudo" para segurar o campeão da Copa do Brasil de 2015 e do Campeonato Brasileiro de 2016.
"Chegou proposta e chegou de novo. Do mesmo time. Mas Dudu disse que está feliz, quer ficar e nós queremos que ele fique. Vamos fazer o que precisar para ele ficar", bradou.
"É nosso capitão, nossa referência. Vamos fazer de tudo para segurá-lo aqui", complementou.
Mas afinal, quem é o Changchun Yatai, que não arreda o pé e tenta de qualquer jeito levar o capitão palmeirense?
O clube foi fundado em 1996 na cidade de Changchun (cerca de 8 milhões de habitantes), no nordeste da China. Está na elite chinesa desde 2005, quando conseguiu o acesso à primeira divisão.
Até hoje, a agremiação conquistou o título nacional apenas uma vez, na temporada 2007, e foi vice-campeã em 2009 - na última temporada, terminou em 7º lugar.
Conta atualmente com dois brasileiros no elenco: os atacantes Marinho, ex-Vitória, Cruzeiro e Ceará, e Bruno Meneghel, ex-Vasco.
O que mais chama a atenção, porém, são os donos do time: o grupo Jilin Yatai, fundado em 1993 e hoje uma das maiores empresas da China, trabalhando principalmente nos ramos de fabricação de cimento e construção civil.
O Jilin Yatai, porém, ainda tem negócios nas áreas de finanças, mineração de carvão e no ramo farmacêutico.
Segundo o Financial Times, o conglomerado teve no último ano fiscal uma receita total de 11,8 bilhões de iuans (R$ 5,584 bilhões), enquanto o lucro foi de 205,86 milhões de iuans (R$ 102,8 milhões).
Nas últimas janelas, o Changchun tem se notabilizado por fazer fortes investimentos.
Em 2016/17, por exemplo, gastou 23,3 milhões de euros (R$ 91,4 milhões) no atacante Odion Ighalo, do Watford-ING, e mais 5 milhões de euros (R$ 19,6 milhões) em Marinho, fora outros reforços.
Antes disso, o time já chegou a contratar o atacante Marcelo Moreno, ex-Cruzeiro, Grêmio e Flamengo, na janela 2014/15. Na época, porém, o negócio saiu barato: só 2,5 milhões de euros (R$ 9,8 milhões, na cotação atual).
'CLUBE ESTÁ ESTRUTURADO E CRESCENDO'
Com o dinheiro do grupo Jilin Yatai, o Changchun vem se estruturando cada vez mais nos últimos anos.
Segundo conta o atacante Marinho, um moderno centro de treinamento será finalizado em breve, deixando a equipe com uma estrutura de primeiro mundo.
"Hoje o clube está bem estruturado. A previsão é que o CT fique pronto até 2019, mas a gente já tem os campos, os vestiários e a academia prontos para treinar. Também tem um campo de sete para a gente fazer aquecimento. A estrutura é boa e hoje só tem a melhorar cada vez mais", contou o canhoto, em entrevista ao ESPN.com.br
Em crescimento, o time deixará neste ano de jogar no Development Area Stadium, que tinha capacidade para 25 mil torcedores, e passará a mandar suas partidas no Changchun Stadium, que comporta bem mais: 38,5 mil torcedores.
"Nosso estádio era legal, tinha acabado de arrumar o gramado, mas a partir de 2018 vamos jogar em outro estádio, que é o mesmo que o time feminino, o Changchun Volkswagen, joga. Eles têm duas brasileiras: a Rafa, que é zagueira, e a Cristiane, atacante, que todos conhecem bem. Vamos mudar para lá já neste começo de ano", relata.
"O estádio novo é bem bom. Eles estavam fazendo várias reformas, no final do ano a gente treinou lá algumas vezes e eu vi. Pintaram tudo, trocaram o gramado, colocaram poltronas. Ficou show", exalta.
No entanto, o esforço aparentemente não vem convencendo os torcedores locais, já que o time defendido por Marinho teve apenas a 13ª média de público entre 16 times na última temporada da liga chinesa, com 16.475 fãs/jogo.
"Nossa torcida realmente não vai tanta gente assim, mas ela é bem bacana. Mesmo não indo em grande número, eles sempre cantam e incentivam bastante", afirma.
Caso resolva se juntar a Marinho no Changchun Yatai, o palmeirense Dudu terá, além do salário milionário, diversas regalias, como conta o ex-Vitória.
"Aqui muitos atletas moram num mesmo hotel de luxo, que pertence aos donos do time e também se chama Yatai. Além disso, a maioria dos estrangeiros tem motorista. Eu tenho o meu, que me leva para o treino e para todos os lugares que quero ir", finaliza.
