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Zona do rebaixamento, pouco dinheiro e perdendo talentos: o outro lado do Barcelona

Líder isolado no Espanhol, uma das melhores campanhas na Champions League, mais de R$ 1 bilhão investidos em contratações, chegada de grandes reforços… O ótimo momento do Barcelona na temporada pode empolgar, mas também esconde como uma das principais qualidades do clube perdeu força nos últimos anos: as categorias de base.

Inicio de La Masia e período de derrocada

La Masia é um dos maiores orgulhos de todo barcelonista. Implementado por sugestão de Johan Cruyff com inspiração na Ajax Academy - as categorias de base do Ajax -, o sistema foi o responsável por revelar diversos jogadores que subiram ao time de cima e o Barça virou o maior exemplo de clube que melhor aproveita quem surgia em casa.

A chegada de Guardiola ao time principal potencializou ainda mais esse processo. Por ter sido treinador do Barcelona B e revelado no clube quando jogador, Pep buscava utilizar ao máximo os atletas surgidos da base. Na final do Mundial Interclubes de 2011 diante do Santos, o Barça entrou com nove jogadores de La Masia, sendo que outros dois entraram no decorrer do confronto.

O auge ainda viria um ano mais tarde sob o comando de Tito Villanova. Durante a goleada contra o Levante no Camp Nou, o técnico promoveu a entrada do lateral Martín Montoya no lugar de Daniel Alves. A partir daquele momento, o Barcelona jogava com todos os jogadores formados por La Masia.

Poucos anos depois, porém, a frequência dos jovens começou a decair e passaram a ter cada vez menos minutos.

Isto ficou mais evidente desde que Luis Enrique assumiu o posto na comissão técnica da equipe catalã. O ex-meia tinha a preferência por jogadores vindo de fora e diminuiu o espaço de quem subia da categoria de base.

Em sua temporada de estreia, o Barça gastou mais de 166 milhões de euros em contratações, mais do que em qualquer período anterior à sua chegada.

Menor investimento e debandada

A pouca utilização também tem uma explicação administrativa e que é reflexo de decisões tomadas pela diretoria nos últimos anos. Se antes La Masia estava no topo da lista de prioridades em investimentos, hoje a situação é um pouco diferente.

O Barça se vê em meio a uma possível debandada desse jovens a outros clubes. Os talentos que antes eram fornecidos ao elenco principal hoje reforçam os rivais e deixam o clube blaugrana a ver navios.

O maior exemplo é de Jordi Mboula. Com apenas 18 anos, o atacante foi negociado com o Monaco por 3,5 milhões de euros. O jogador não teria espaço na equipe de Ernesto Valverde e tinha duas alternativas: emprestado a um time menor ou permanecer no Barcelona B. A opção foi de mudar de ares e a transferência foi feita.

Mas ele não é o único. O cenário pode se repetir e outros tem a chance de seguir o mesmo caminho de Mboula e ir embora. São os casos de Eric García e Carles Aleñá. Ambos são considerados joias de La Masia e até agora não acertaram a renovação.

Durante as negociações, o Barça enfrenta do próprio veneno. Devido à inflação causada pelos valores gastos em contratações, o clube se vê em meio a altas pedidas de jovens, e enfrenta problemas durante o processo de extensão do vínculo. Com isso, o clube considera que algumas ofertas simplesmente não valem a pena e deixam os jogadores saírem de graça.

Além disso, ainda tem a concorrência de outras potências, que enxergam nestes jovens mal-aproveitados uma forma de se reforçar com jogadores que tenham potencial de entregar muito e por um valor acessível no momento.

Segundo o jornal inglês The Mirror, Arsenal, Manchester City e Chelsea estão atrás de Abel Ruíz, atacante de 17 anos e que também figura na seleção espanhola da categoria. Assim como Mboula, a multa é baixa: 3,5 milhões de euros.

O espelho de tudo isso aparece dentro de campo. O Barcelona B disputa a segunda divisão do Espanhol e não vai nada bem. A equipe é a 19º colocada, com 21 pontos, e está na zona de rebaixamento da competição.