"Em termos de desempenho e retorno em campo, Paulinho está no topo da longa lista de dinheiro gasto em jogadores ruins pelo Tottenham ao longo dos anos. Só de pensar em Paulinho já me faz ficar fisicamente bravo. Fico feliz de ele estar na China, onde não tenho mais que olhar para ele”.
Quem lê essa declaração hoje pode achar que ela não faz sentido nenhum. Mas ela foi publicada em março deste ano pela revista inglesa Four Four Two.
Isso mesmo: há seis meses, Paulinho era eleito por uma das publicações mais importantes da Inglaterra como o pior jogador da história do Tottenham – a ‘eleição’ e a declaração são de Tom Hayward, torcedor dos Spurs responsável por escolher o pior atleta que já havia passado pelo seu clube.
E vale lembrar que essa imagem havia sim cruzado as fronteiras e chegado na Espanha, onde torcedores catalães se irritaram quando o Barcelona anunciou a contratação de Paulinho.
Uma realidade completamente diferente da atual.
“Estamos encantados com ele”, disse Ernesto Valverde neste sábado, após mais um ótimo jogo de Paulinho pelo Barcelona, desta vez diante de ninguém menos que o Real Madrid.
Mas, afinal, o que mudou em tão pouco tempo?
Uma das principais dicas para se entender isso talvez venha da própria entrevista de Valverde. Antes de se dizer encantado, o treinador admitiu que Paulinho ‘não tem o jogo de posição’.
Essa característica sempre foi fundamental para o volante: ser livre para poder ser um elemento surpresa no campo de ataque.
Na Inglaterra, porém, ele ficava muito mais ‘preso’ em outras funções. Isso é facilmente observado no mapa de calor dele com a camisa do Tottenham, com manchas de posicionamento por todo o meio de campo.
No Barcelona, ao contrário, Paulinho é ‘mais livre’. Ele atua bastante pelo lado esquerdo, com algumas caídas pela direita. Mas basicamente sempre no campo de ataque.
Com a bola nos pés, Paulinho também passou a ser muito mais preciso. Ele acerta mais passes (89,5 contra 84,2% da época de Tottenham) e transforma muito mais as suas finalizações em gols (18,2% de seus chutes agora se transformam em bolas nas redes, contra apenas 6,6% em sua passagem pela Premier League).
Por outro lado, suas responsabilidades defensivas caíram bastante. Ele tem menos tentativas de roubadas de bola (2,2 a 1,5) e menos interceptações de jogadas (0,82 contra 0,55).
Ou seja: na Espanha, Paulinho não é obrigado a mudar sua forma de jogar, como aconteceu na Inglaterra. E quem vem ganhando com isso – e muito – é o Barcelona.
Basta notar que ele tem seis gols e duas assistências em 22 jogos pelo clube catalão. No Tottenham, ele terminou sua passagem com seis gols e três assistências, mas em 55 partidas.
