Pedido diversas vezes na seleção brasileira, eleito melhor goleiro do Campeonato Brasileiro de 2017 pelo prêmio ESPN Bola de Prata SportingBet e ídolo da torcida do Santos, Vanderlei não teve um começo de carreira fácil.
Quando tinha 19 anos, ele foi mandado embora no último ano das categorias de base do Londrina.
"Eu estava naquela transição da base ao profissional, mas não cheguei a jogar no time principal.Tínhamos vários goleiros da mesma idade e quase do mesmo nível. Como os outros eram da cidade e eu ia ter que morar no alojamento eles me dispensaram", disse, ao ESPN.com.br.
Desempregado, Vanderlei voltou para Porecatu (PR), sua cidade natal, e passou a se exercitar sozinho para manter a forma.
"Eu precisava treinar, ficava mandando currículo para lá e para cá, mas nada acontecia. Eu jogava no amador e nas peladinhas que me chamavam. Eu passava para treinar de manhãzinha às seis e meia naquele calor e o pessoal zoava: ‘Vai trabalhar vagabundo! Vai arrumar emprego e larga esse tal de futebol (risos)’. Mas quando a gente tem um sonho precisa perseverar e acreditar para dar certo", afirmou.
A espera de Vanderlei durou praticamente dois anos até que surgisse uma nova oportunidade.
"Tinha um grande amigo meu chamado Nei que me ajudou muito. Ele me dava chuteiras e luvas porque eu não tinha condições de comprar. Ele mandou meu currículo para a Paraguaçuense na última divisão do Campeonato Paulista (4ª Divisão). Eu fui treinar por lá. É raro acontecer isso porque se recolocar depois de tanto tempo é muito difícil", analisou.
As condições da equipe de Paraguaçu Paulista, porém, não eram as ideais.
"Fiquei um mês e meio dormindo no chão. Não tinha alojamento, era uma casa só e não tinha estrutura. Acabei não sendo inscrito porque o clube não tinha dinheiro para me transferir da federação paranaense para a paulista. Eles também não me pagaram, não recebi um real", lamentou.
Ascensão no Paranavaí
Vanderlei voltou a treinar sozinho, mas não por muito tempo. Ele recebeu uma ligação de um ex-colega de trabalho que mudou sua vida.
"O treinador de goleiros do Paraguaçuense foi para o Olimpia-SP e me convidou para jogar por lá. Cheguei lá como terceira opção, mas o titular se machucou e o segundo não foi tão bem", recordou.
"Como era muito novo não queriam que eu jogasse, mas o treinador me bancou. Eu entrei e logo no segundo jogo eu fui o melhor em campo e até peguei pênalti. Depois, não saí mais", recordou.
Após jogar a Série A2 do Paulista de 2005 e 2006, além da Copa Paulista, ele foi levado pelo técnico Ivo Secchi ao Paranavaí-PR.
Em 2007, o goleiro foi um dos grandes destaques da equipe comandada por Amauri Knevitz, que conquistou o Paranaense em cima do Paraná Clube.
O atacante que virou goleiro
Apesar da carreira consolidada debaixo das traves, Vanderlei pensou em jogar em outra posição. Nas partidas com os amigos durante a adolescência, ele alternava entre atacante e goleiro.
"Como todo jogador eu comecei na frente e depois fui lá pra trás. Eu ainda faço ainda meus golzinhos. No meu primeiro rachão no Santos eu marquei quatro gols. Eu sou artilheiro por lá, pode anotar isso (risos)", garantiu.
"Só que eu fui me destacando no gol com 12 ou 13 anos no meio dos adultos no amador. Eu já era bem alto e ver um goleiro tão novo era bem raro. Vi que tinha jeito para isso e dei sequência", relatou.
Enquanto jogou na várzea, Vanderlei fez diversos testes em clubes, mas sem sucesso. A primeira chance apareceu no Atlético Londrinense. Logo em seguida, ele foi ao Londrina, no qual finalizou a base.
Após ser dispensado do time paranaense e ficar dois anos parado, ele passou por Olimpia-SP e Paranavaí-PR antes de chegar ao Coritiba, em 2007.
Depois de quase oito temporadas no Alto da Glória, o arqueiro chegou ao Santos, em 2015. Em três anos de Vila Belmiro, foi bicampeão paulista, colecionou milagres debaixo das traves e virou ídolo.
