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Por que Pogba e outros atletas negros agora comemoram gols cruzando os punhos

Pogba comemora gol cruzando os punhos na vitória do United sobre o Newcastle Getty Images

Nos últimos dias, um fato chamou a atenção no futebol europeu: vários jogadores, como Paul Pogba, do Manchester United, Cédric Bakambu, do Villarreal, e Geoffrey Kondogbia, do Valencia, comemoraram gols da mesma forma. Na hora da celebração, fecharam a cara e cruzaram os punhos, como se estivessem algemados.

Mas por que essa celebração foi repetida por vários atletas?

Na verdade, ela não é bem uma comemoração, mas sim um gesto de protesto. Foi a forma que os atletas negros encontraram de apoiar a luta contra a escravidão moderna, que segue acontecendo em alguns países africanos, como a Líbia.

No último dia 14, o canal americano CNN publicou uma reportagem exclusiva na qual mostrou que imigrantes de países como Nigéria, Niger, Sudão, Eritreia e Etiópia, que fracassam em atravessar o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa, são capturados por traficantes e em seguida vendidos como escravos em leilões.

Um vídeo obtido pela emissora, inclusive, mostrou um homem de cerca de 20 anos sendo comercializado por 1,2 mil dinares líbios (quase R$ 2,6) em um leilão na cidade de Tripoli, capital da Líbia. O leiloeiro o anuncia como uma mercadoria: "É um garoto grande e forte, próprio para o trabalho em plantações".

A reportagem ainda testemunhou diversas outras vendas, com homens sendo comercializados para trabalhar em negócios como mineração e construção.

A reportagem chamou a atenção de diversos atletas com raízes africanas, que resolveram se unir e passaram a comemorar seus gols como se estivessem acorrentados como escravos. Foi o caso de Pogba, que fez o gesto ao marcar na vitória por 4 a 1 do Manchester United sobre o Newcastle, pela Premier League, no último sábado.

While very happy to be back, my prayers go to those suffering slavery in Libya. May Allah be by your side and may this cruelty come to an end!

Uma publicação compartilhada por Paul Labile Pogba (@paulpogba) em

"Ao mesmo tempo em que estou muito feliz de voltar a jogar, minhas orações vão a todos aqueles que estão sofrendo com a escravidão na Líbia. Que Alá esteja ao lado de você e que essa crueldade acabe", escreveu o francês, em seu Instagram.

No dia seguinte, Kondogbia, do Valencia, repetiu a comemoração e comemorou seu gol na vitória por 2 a 0 sobre o Espanyol cruzando os punhos. Após o jogo, mostrou também uma camisa com a seguinte mensagem: "Eu não estou à venda".

"3 pontos, graças a Deus. Todo o apoio às pessoas que estão sendo exploradas na Líbia. Liberdade!", escreveu depois, em seu Twitter.

Já na última quinta, o centroavante Cédric Bakambu, que nasceu na República Democrática do Congo, também fez o sinal ao marcar dois gols na vitória por 3 a 2 do "Submarino Amarelo" sobre o Astana, pela fase de grupos da Liga Europa.

No Twitter, ele mandou mensagem fortíssima: "F...-se a escravidão".