À medida que a guerra no Oriente Médio se intensifica, aumenta também o impacto no mundo do futebol. Os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã provocaram uma onda de retaliações iranianas na região. Entre os países atingidos está o Iraque, onde atua o brasileiro Neto Acará.
Como o próprio apelido indica, o atacante de 26 anos nasceu no interior do Pará, em Acará, e desde janeiro defende o Newroz. Em entrevista exclusiva ao podcast Futebol no Mundo, Neto explicou que o clube mantém contato diário com os atletas estrangeiros e que já existe, inclusive, um plano de fuga traçado.
"Estou próximo da fronteira com o Irã e com a Turquia, então pegaríamos um carro e iríamos até uma cidade turca, a primeira perto da fronteira que tenha aeroporto. Fica a oito horas daqui. A gente já estudou isso, analisou esse plano. O diretor falou conosco que, se precisar, em caso de necessidade, teríamos que fazer isso. A evacuação seria por terra", afirma Neto, que joga ao lado de outro brasileiro na equipe, o meia Cláudio Maradona, ex-Americano e Madureira.
O Newroz está localizado em Souleymana, próxima à fronteira com o Irã. A cidade é uma das principais do Curdistão Iraquiano, região autônoma no norte do Iraque habitada majoritariamente por curdos e governada pelo Governo Regional do Curdistão (KRG).
A autonomia curda foi consolidada após a Guerra do Golfo e reconhecida pela Constituição iraquiana de 2005. A região possui parlamento próprio, forças de segurança (os Peshmerga) e grande controle sobre a administração interna, embora permaneça formalmente parte do Iraque.
"Estou com o alerta ligado. A gente não sabe o que vai acontecer no futuro, se essa escalada vai aumentar. Aqui na minha cidade, graças a Deus, a situação está controlada. As pessoas estão levando a vida normalmente, mas ontem houve um ataque de drones a uma agência da ONU aqui na cidade. Isso me deixou mais preocupado", contou o jogador formado na base do Paysandu, campeão goiano com o Itumbiara e com passagens por diversos outros clubes brasileiros, além de San Antonio Bulo Bulo e Guabirá, na Bolívia.
Nesta quinta-feira, a federação iraquiana informou que a FIFA entrou em contato para confirmar a realização dos playoffs intercontinentais para a Copa do Mundo. O Iraque jogará em Monterrey, no México, contra o vencedor de Bolívia e Suriname no próximo dia 31. Graham Arnold, técnico da seleção iraquiana, está neste momento nos Emirados Árabes Unidos, impossibilitado de deixar o país devido ao fechamento do espaço aéreo.
Neto admite o temor e convive também com a evidente incerteza sobre a continuidade do Campeonato Iraquiano. Se antes a guerra era algo que ele via apenas pelo noticiário da televisão, hoje a sente cada vez mais próxima.
"Estou em contato com o diretor do clube todos os dias. Qualquer notícia que vejo, falo com ele para saber a situação do país e da nossa cidade. Se a situação realmente ficar mais grave, vamos embora. Fico preocupado porque nunca vivi isso tão de perto. Via as notícias na TV, mas quando você está mais perto é bastante preocupante. Estou aqui com minha esposa e não sabemos realmente se estamos correndo risco".
