A Inter de Milão entra em campo nesta quarta-feira (18), às 17h (de Brasília), para enfrentar o Bodo/Glimt, no jogo de ida dos playoffs de oitavas de final da Champions League. Na gelada Noruega, um brasileiro que vem se destacando pelo time italiano deve disputar seu 21º jogo seguido.
Revelado nas categorias de base do Botafogo e do Três Passos, Luís Henrique conquistou de vez a confiança de Cristian Chivu, técnico da Internazionale, em sua segunda temporada no time de Milão. O versátil jogador de 24 anos falou de maneira exclusiva com a ESPN sobre a fase atual.
Um dos destaques da vitória contra a Juventus, na 25ª rodada do Campeonato Italiano, Luís Henrique teve uma conversa para lá de especial com um ídolo. Adriano Imperador, tetracampeão italiano com a Inter, visitou o centro de treinamento do seu ex-clube e aconselhou o jovem brasileiro.
“Quando ele chegou, na verdade, eu estava treinando, mas dei uma corridinha ali rápido e falei com ele. Falei, pô, não sei se o cara vai embora, tenho que ir lá pelo menos pegar um pouquinho da magia, né. Mas depois ele estava lá ainda, conversamos bastante, me passou muita força, muita tranquilidade também em relação ao clube”, revelou Luís.
“(O Adriano) Me falou: ‘Pô, os caras pediram para conversar com você, que acreditam muito em você’. Então, ouvir isso de um cara que é ídolo do clube é muito importante para a carreira, para ficar confiante em campo. Depois disso aí saiu o gol, poderiam ter me dado o gol, mas o mais importante foi a vitória no final”, completou o jogador.
Inspirado em campo pela presença do Imperador no San Siro, Luís Henrique confirmou seu bom momento no futebol italiano com participação direta em um dos gols da vitória por 3 a 2. Foi dele o cruzamento desviado por Cambiaso no gol contra que abriu o placar para a Inter.
“Acho que é um momento muito bom, estou aproveitando bem. Ganhei bastante a confiança do treinador depois das oportunidades que ele me deu. Estou muito feliz de estar jogando, acho que isso é muito importante, crescendo cada dia mais na posição”, disse o jogador
Com duas participações em gols nos últimos quatro jogos (três como titular), o brasileiro conta como Chivu, ex-jogador e hoje técnico da Inter, tem sido fundamental em seu crescimento.
“É um cara que me passa muita tranquilidade e confiança, conversa bastante comigo. Não só ele, como a comissão toda, está todo mundo muito inserido no meu dia a dia. Sempre vou na salinha deles para ver vídeos, onde posso melhorar, principalmente defensivamente, e isso tá sendo muito importante”, disse.
“Depois que você tem uma sequência, você ganha mais confiança, fica mais tranquilo de jogar, sabe que o treinador te dá oportunidade, então você dá aquela relaxada para fazer o trabalho tranquilo. O grupo também me abraçou, entendeu como gosto de jogar, e isso vai entrosando a cada dia”, completou.
Nova posição? Luís Enrique explica como De Zerbi moldou seu futebol na França para se destacar na Itália
Ao analisarmos os jogos de Luís Henrique nesta temporada, fica nítida a capacidade do jogador de atuar pelo corredor direito inteiro do campo, quase como um ala-direito. O atacante que já foi daqueles que “não gostam de marcar”, hoje se destaca pela maturidade adquirida na França e pelo toque especial de um treinador.
Roberto De Zerbi, ex-técnico italiano do Olympique de Marseille, foi peça fundamental no crescimento de Luís Henrique. O treinador italiano é considerado pelo brasileiro como um “pai”.
“O clube me recuperou com o Gattuso, ele que me colocou para jogar, me deu confiança, e depois chegar o De Zerbi. Eu falo que é um pai para mim. Foi um cara muito importante para eu chegar na Inter, me botou de baixo do braço: ‘Você tem qualidade, vou te fazer jogar’”, disse.
Foi justamente De Zerbi, considerado por Pep Guardiola um dos técnicos mais influentes do futebol nos últimos 20 anos, que moldou Luís Henrique para se tornar um jogador mais completo e extremamente útil em campo.
“Essa posição começou na França, com o De Zerbi. Ele enxergou em mim essa capacidade física de fazer essa posição, que exige muito, de ataque e defesa. Na Inter acabei sofrendo um pouco no começo, a intensidade é maior, exige mais de você, mas acho que consegui me adaptar bem. Eu estou treinando cada dia mais para me tornar esse jogador que pode fazer essas funções, o que o treinador precisar”.
“Para mim, é algo mais positivo (ser versátil). Eu acho que posso ajudar a equipe de várias formas. Tenho que melhorar muito defensivamente ainda, mas é uma coisa que eu venho aprendendo, a comissão me ajuda muito com vídeos e conversas depois dos treinos, como tenho que marcar. É uma coisa que eu não estava acostumado, sempre fui o atacante que não gostava muito de marcar, mas as coisas mudam e você tem que adaptar, evoluir”, completou.
Luís explica que se posicionamento na Inter de Milão passa muito pela construção ofensiva da equipe, enquanto no Marseille, na França, ele atuava mais na finalização das jogadas.
“Na Inter eu faço um papel um pouco diferente do que eu fazia no Marseille. Eu participo muito da construção, embaixo. No Marseille eu jogava de quinto, mas bem mais aberto no ataque, né, não participava tanto da construção. Então, às vezes, estou um pouco mais distante do gol, mas é questão de tempo, saber ler as jogadas, saber chegar bem no ataque, na hora certa, que as coisas vão fluindo”, finalizou.
Luís Henrique mantém sonho por Copa do Mundo e vê brecha com nova posição
É justamente essa versatilidade de Luís Henrique que deixa o jogador esperançoso por uma futura convocação para a seleção brasileira. Pensando na Copa do Mundo deste ano, o sonho parece ser mais difícil de se concretizar, mas, para o futuro, o caminho seguirá o mesmo: “Trabalho sério”.
“Eu acho que sim (que a versatilidade pode me ajudar). É uma posição que estou me adaptando, crescendo. Com certeza é um sonho (Copa). Estou num time que dá essa visibilidade, essa oportunidade de você, indo bem, poder chegar na seleção. Com o que eu fizer dentro de campo, tudo pode ser possível”, disse.
“Sei que para a Copa do Mundo está muito perto, tem uma lista já muito fechada, mas tudo é possível. É uma posição que pode, sim, precisar. Como você falou, são poucos os jogadores que fazem essa posição. O que eu fizer aqui, trabalhando sério no dia a dia, estarei pronto para ajudar”, finalizou Luís.
