Irmão de goleiro do Fla comemora série incrível de defesas que viralizou e lembra 'implicância' de Seedorf

Andrey Ventura comemora defesa durante jogo Reprodução/Instagram @andreyventura42

Nos últimos dias, uma jogada na Série A2 do Campeonato Paulista viralizou nas redes sociais. Nela, Andrey, do Osasco Sporting, fez uma sequência de defesas quase que inacreditáveis no empate em 2 a 2 com o Linense. Tudo começou em uma cobrança de pênalti, que o goleiro defendeu, para depois impedir o gol mais duas vezes no mesmo lance.

Andrey é irmão de Andrew, goleiro que recentemente chegou ao Flamengo após se destacar no futebol português. Em entrevista à ESPN, o jogador explicou o lance que protagonizou e agradeceu o reconhecimento que vem recebendo nas redes sociais.

"Na véspera do jogo, eu já havia chamado Guilherme, que é o nosso analista de desempenho. E daí a gente viu que o cobrador deles, o oficial, era um cara que batia forte, cruzado ou no meio. E quando teve o pênalti, eu já estava preparado para pular naquele canto. Sabia que era um pênalti forte, rápido. Então, ali eu tive que prestar muita atenção para não me equivocar e sair muito antes e dar tempo dele virar o pé. Então eu tive que esperar até o último instante, usar a força explosiva. Mas trabalhei bastante. E logo em seguida, a bola sobrou ali no pé dele de novo. Só deu tempo de fazer um giro, fazer a defesa e depois levantar para o mesmo lado e em sequência fazer mais uma defesa. E ali foi um momento de muita euforia mesmo. Fiquei muito feliz porque ele sabe que foi uma sequência muito difícil. A gente sabe que não é sempre que a gente vê uma sequência de defesa dessas. Fico feliz em ter ajudado os meus companheiros em um momento difícil do jogo. Isso é resultado de trabalho", comemorou, revelando que vem sendo bastante requisitado após esse jogo.

"Bastante, bastante. Pelo fato de o autor da defesa ter sido eu, acho que a gente não tem noção da proporção que toma. Mas muitas pessoas estão marcando nas redes sociais. Eu estou fazendo questão de dar atenção a todos. Eu não sou muito ligado mais em rede social, mais eu sei que as pessoas gostam muito de compartilhar vídeos, está dando uma repercussão muito grande. Eu fico muito feliz por isso."

Atualmente no Osasco Sporting, Andrey tem uma longa carreira no futebol, já passando por times como o Guarani, com quem ainda tem vínculo, Desportiva Ferroviária, Volta Redonda, Sampaio Corrêa e também o Botafogo, onde iniciou a carreira.

No clube carioca, ele teve a oportunidade de trabalhar com o goleiro Jefferson, grande ídolo do Glorioso e que também defendeu a seleção brasileira em uma Copa do Mundo.

"O Jefferson é um cara incrível. Trabalhar com ele foi algo extraordinário. O que a torcida via nos jogos, eu conseguia ver todos os dias. É aquele cara que fazia milagre nos treinos também. E a simplicidade dele. Com inúmeras convocações para a seleção brasileira, na época o Botafogo não vivia um bom momento e ele sempre estava na seleção. E mesmo assim sempre mantendo uma humildade e uma conduta boa. Inacreditável. Isso você aprende bastante", explicou, antes de citar outros grandes nomes que o influenciaram na carreira.

"Ser goleiro para mim sempre foi um sonho. Eu cresci vendo Dida, Taffarel e outros grandes goleiros. Foi daí que surgiu esse sonho. No Botafogo tive a oportunidade de trabalhar com o Jefferson, que é meu amigo até hoje. Foram cinco anos de muito aprendizado, cinco anos muito bacanas na minha vida."

Em seus tempos atuando no clube carioca, Andrey também conviveu por algum tempo com Clarence Seedorf, com carreira em alguns dos maiores clubes do mundo, como Milan, Inter de Milão e Real Madrid. Durante a entrevista, o goleiro lembrou que o holandês era bastante "linha dura", mas que isso acabou influenciando positivamente não só a ele, como alguns companheiros também.

"Lembro que ele pegava muito no pé do Cidinho, que tinha uma alimentação ruim, só comia bolacha, gostava de comer biscoito e não se alimentava direito. Ele era magrinho, franzino, mas tinha muito potencial. E o Seedorf chegava todos os dias, ia lá na academia, fazendo treinamento preventivo, ai ele colocava o Cidinho pra ficar fazendo barra. No início ele sofria, mas todos os dias tinha que fazer barra. Cara, acredita que foi passando o tempo, o Cidinho foi ganhando corpo, foi ficando com o músculo mais definido e tudo mais. Eu acho que isso é bacana, porque é um pequeno detalhe. Você vê que o cara faz uma diferença enorme, e ele começou a criar o hábito de fazer barra. Aí eu comecei a observar, comecei a fazer barra também, todo mundo tirou um pouquinho de coisas boas."