Um dos grandes técnicos de futebol dos últimos anos, José Mourinho tem chamado atenção em seus primeiros meses na Turquia. O português, comandante do Fenerbahçe, protagonizou uma cena digna do "Special One", como ele mesmo gosta de se definir.
Durante a vitória de seu time por 2 a 0 para cima do Antalyaspor, no último domingo (29), ele colocou um laptop na frente das câmeras de TV para protestar contra uma decisão de impedimento da arbitragem.
Aos 31 do segundo tempo, com o Fenerbahçe vencendo por 1 a 0, o árbitro Cihan Aydin anulou um gol de Edin Dzeko por impedimento após intervenção do VAR. Mourinho então posicionou o computador em frente às câmeras de transmissão, mostrando uma imagem estática daquela ação. Por conta disso, ele recebeu cartão amarelo.
Durante a entrevista coletiva, o treinador justificou sua atitude, dizendo que foi uma "reação calma": "Para nós foi um bom gol. Eu não disse uma única palavra. Não coloquei nenhum tipo de pressão, apenas coloquei o laptop lá... Apenas reagi calmamente. O árbitro decidiu me dar um cartão amarelo. Tudo bem. Quero um VAR que ajude o árbitro. Meu analista colocou o laptop na minha frente com a posição do lateral-esquerdo que provavelmente não era a posição que o VAR analisou porque temos a câmera técnica que nos dá a largura completa do campo e o lateral estava em posição."
O Fenerbahce entra em campo na próxima quinta-feira (3) pela Europa League e depois fica vários dias sem atuar por conta da pausa para a Data Fifa. Segundo Mourinho, a paralisação é bastante prejudicial.
"Na pausa internacional não fazemos nada porque não temos jogadores. Podemos manter apenas seis ou sete jogadores, os que não convocados ou outros que não jogam mais em suas seleções nacionais. Para nós, nunca é positiva, eu diria que é negativa... Temos muitas coisas para trabalhar, uma das coisas é que os jogadores têm que entender meu conceito. Simplicidade é genial. Temos muitos jogadores que não entendem isso, os melhores jogadores jogam futebol de um toque, dois toques. É simples, um cruzamento e um gol, não precisa de 20 toques... futebol é simplicidade."
Com vários títulos durante suas passagens por clubes como Real Madrid, Chelsea, Manchester United, Inter de Milão, entre outros, o português foi questionado também de uma suposta pressão que encara nesse seu início de trajetória no Fenerbahce: "A pressão que sinto é a pressão que coloco em mim mesmo. Não é a pressão que alguém coloca em mim. Tenho cerca de 1.200 partidas oficiais, é muito tempo para sentir pressão de alguém, jornalistas, torcedores ou oponentes. Eu sempre quero fazer as coisas direito, sempre quero vencer, o que não é possível. Então a pressão é a pressão que eu coloco em mim mesmo."
