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OPINIÃO: Burocrática, Inglaterra de Southgate não usufrui dos craques que tem no empate com a Dinamarca

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Inglaterra sai na frente com Kane, mas leva empate da Dinamarca após golaço de fora da área na Euro (0:40)

Atacante britânico abriu o placar aos 18 minutos, mas Morten Hjulmand empatou (0:40)

Pouco futebol, pouca movimentação e pouca velocidade. A Inglaterra mostrou muito pouco no empate com a Dinamarca, pela segunda rodada da Eurocopa. Já não havia empolgado contra a Sérvia, mas pelo menos tinha vencido. Dessa vez, nem isso. O empate foi frustrante, porém justo.

O que se viu na seleção de Gareth Southgate foi, mais uma vez, um engessamento da dinâmica de jogo. Um time muito lento no trabalho de posse de bola, com pouca movimentação de seus jogadores de frente e facilitando muito o trabalho da zaga dinamarquesa que, assim como os sérvios, vieram em linha de 5 para frear o jogo de amplitude de nomes como Bukayo Saka ou Phil Foden. Aliás, Foden merece uma análise a parte.

Dentro de uma Inglaterra que bota pouco ritmo em suas ações ofensivas, o jogador do Manchester City passa a impressão de uma enorme sub-utilização na equipe. Entende-se a dificuldade que Southgate tem para acomodar todos os seus craques no time e que isso talvez represente algum tipo de sacrifício de um ou outro nome, mas Foden tem sido bastante tolido de suas principais características. Ele joga como o meia-atacante (ou ponta) pela esquerda, porque Bellingham flutua por dentro e Saka joga sempre aberto pela direita. E dentre todas as funções que ele pode fazer, essa é a menos confortável. Até aí, tudo bem. O problema é a limitada quantidade de vezes que ele sai da esquerda para se juntar na faixa central, onde rende muito mais. Ao ficar preso do lado canhoto, Foden acaba ficando alijado de contribuir da melhor forma que pode. Nas vezes em que se movimentou em direção ao meio, para se aproximar de Jude, de Saka e de Walker, o jogo fluiu e ele teve chance para finalizar e para assistir companheiros. Ele foi o melhor jogador da última Premier League e é quem mais vem sendo ‘penalizado’ pelo jogo pouco envolvente do English Team.

Velhos problemas também foram notados. Declan Rice e Trent Alexander-Arnold contruibuíram pouco na iniciação de jogadas com velocidade e ajudaram a tornar o time bem previsível em sua construção. Mais uma vez, Gallagher veio do banco e tentou aumentar o nível de pressão na posse dinamarquesa e ritmo quando a posse era inglesa. Um campeonato de tiro curto urge por observações mais imediatas, e o jogador do Chelsea deveria ganhar a vaga de Arnold.

É muito possível que a Inglaterra se classifique mesmo com um empate contra a Eslovênia. A zebra dificilmente passeará nesse grupo em relação aos cabeças de chave. O ponto mesmo é o olhar sobre o futuro. Fica repetitivo dizer, mas a diferença entre material humano e o aproveitamento deles é muito grande na equipe de Southgate. É inevitável o olhar para o treinador. De positivo no decepcionante empate, apenas duas coisas. O primeiro gol de Harry Kane na competição e a boa atuação de Kyle Walker, o melhor e mais intenso jogador da equipe.

Estamos de olho, Inglaterra!

Próximo jogo da Inglaterra