Mesmo tendo sofrido uma derrota desanimadora na estreia, a Ucrânia sonha com a classificação ao mata-mata da Eurocopa. E um dos motivos para isso é um de suas jovens.
Chamado de "Neymar ucraniano" no país, Mykhailo Mudryk foi contratado pelo Chelsea sob grande expectativa. Apesar de, em um ano e meio, ainda não ter caído nas graças da torcida dos Blues, sua moral na seleção segue alta.
Titular e camisa 10, o jovem de 23 anos é a grande esperança na partida desta sexta-feira (21), às 10h (de Brasília), contra a Eslováquia. E um ex-companheiro explica o porquê de toda essa confiança em seu futebol.
Em entrevista ao ESPN.com.br, Júnior Moraes, brasileiro naturalizado ucraniano, viveu alguns momentos com o jovem em seu período no Shakhtar Donetsk, onde ele já demonstrava ser diferente dos demais.
“A gente conviveu juntos por muitos anos. Na base do Shakhtar, ele chegou a fazer três pré-temporadas com a gente até subir para o profissional. O clube já vinha trabalhando para ele ter sucesso. É um menino que tem muito potencial, só que chega no Chelsea em momento instável, momento que tem troca de treinadores, muitas contratações”, avaliou.
“Um lugar que tem muita disputa por posições e não um time estruturado como era antes. Acho que essa instabilidade acaba atrapalhando um pouco um atleta tão novo para sair da Ucrânia e ir para uma Premier League”, seguiu.
Foi no Shakhtar que Mudryk começou a ser "comparado" a Neymar. Segundo Júnior Moraes, esse apelido se deu pelas características de jogo de ambos.
“É o nosso Neymar em termos de velocidade, habilidade e o estilo de jogo mais irreverente. Aquele cara que quebra as linhas, que consegue com o drible, a habilidade, a qualidade técnica fazer um trabalho diferente ali”, explicou.
Relação com admiração com o Brasil
A relação de Mudryk com o Brasil não existe apenas pela convivência com jogadores ao longo da carreira ou a comparação com Neymar. Na verdade, o camisa 10 nutre uma admiração sincera com o nosso país.
“Ele ama o Brasil. Ele tem tatuagem, na chuteira coloca 'ousadia e alegria' em português. E ele gosta muito do futebol brasileiro, até porque se espelha muito no estilo de jogo brasileiro”, afirmou Júnior Moraes.
Na busca por ser diferente, o ucraniano chamava a atenção pela sua preparação além dos treinamentos. “É um cara muito interessante, porque ele decidiu ser diferente. Então, por muito tempo ele ficou treinando a mais depois dos treinos, ele sempre pegava a bola sozinho, ficava batendo de esquerda, direita, finalização, drible”.
“Às vezes, a gente saía do treino já anoitecendo e ele estava lá ainda treinando. E às vezes só fazendo embaixadinhas, só driblando, só finalizando. Mas é um cara muito determinado e é muito legal ver ele tendo sucesso e chegando ao Chelsea. Acredito que ele vai muito bem na Eurocopa”, finalizou.
