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O que é o fundo de investimento parceiro de astros de City e Liverpool que fechou acordo com Marcelo e mira mercado brasileiro

Marcelo, lateral do Fluminense, durante partida contra o Red Bull Bragantino, no Maracanã, pelo Brasileirão Thiago Mendes/W9 PRESS/Gazeta Press

Foi anunciada na última terça-feira (23) uma parceria do lateral-esquerdo Marcelo com o fundo de investimentos esportivo da APEX, empresa sediada em Portugal e que desde 2023 trabalha com atletas de diversas modalidades.

Contando com nomes como os jogadores Trent Alexander-Arnold, John Stones, Raphael Varane e Christian Eriksen e os pilotos de Fórmula 1 Carlos Sainz e Lando Norris, a APEX anunciou a chegada do camisa 12 do Fluminense e mais oito atletas de cinco modalidades.

"Ao investir com a APEX estou abraçando a oportunidade de contribuir diretamente para o crescimento da indústria do esporte a nível global. Trata-se de utilizar a nossa posição como atletas para investir no futuro da nossa indústria, e estou confiante de que poderei transmitir muito valor estratégico através da APEX", afirmou Marcelo em nota divulgada à imprensa.

O que é o fundo de investimento da APEX?

A ideia do fundo é poder fazer com que atletas usem sua influência para fazerem investimentos de diversas áreas do esporte, incluindo empresas de pequeno porte e grandes organizações.

“No fundo, nós entendemos que cada vez mais os atletas de alta performance têm vontade de se envolver com investimentos. E que cada vez mais há uma vontade dos atletas em se envolverem no que é melhor para o esporte. Eles entendem que têm uma imagem muito relevante”, disse António Caçorino, CEO da empresa.

Em 2023, os jogadores Alexander-Arnold e Juan Mata, e o boxeador Anthony Joshua iniciaram investimento na Alpine, equipe de Fórmula 1, através do fundo da APEX.

Outros investimentos feitos foram em empresas como a HEXIS, plataforma de nutrição personalizada para atletas, e a Traits Insights, especializada em scouting e análise de dados para ajudar as equipes a selecionar os melhores atletas. As duas são exemplos de pequenas corporações com potencial para crescimento.

A empresa estabeleceu como meta um lucro de 50 milhões de euros no total, com pouco menos de 50% destes objetivos já tendo sido alcançados em menos de um ano.

Mercado brasileiro à vista

Marcelo, inclusive, é apenas o início dos olhares da APEX no Brasil. Em entrevista ao ESPN.com.br, o CEO da empresa, António Caçorino, não escondeu o interesse na América do Sul.

"O mercado do Brasil e a América do Sul, mas particularmente no Brasil, é um mercado muito grande no esporte, com grande engajamento, os maiores do mundo. Sempre tivemos muito interesse, desde o início da Apex. Mas tem que se conhecer", disse.

"Por mais que nós falemos a mesma língua, mesmo sendo uma empresa mundial, tendo como língua oficial o inglês, mas a fundação em português. Mas isso não é suficiente para você entrar no Brasil. Tem que conhecer. De certa forma, o Brasil é um mercado muito fechado e precisa de muito trabalho. Mas a nossa vontade é apostar verdadeiramente no Brasil", completou.

Para António, o lateral-esquerdo pode ainda abrir portas para o mercado brasileiro. "Achamos que o Marcelo é o perfeito atleta inicial, não só pela dimensão do nome dele, mas também pela credibilidade associada a ele pela carreira dele, pela coerência, pelo que ele já ganhou do ponto de vista de sucesso. Mas também quase sempre jogou no mesmo clube, teve sempre as mesmas ligações, as grandes marcas do mundo, sem qualquer problema".

"E agora está na fase da vida que quer muito pensar também no dia quando se aposentar. E eu acho que faz todo o sentido esta parceria neste momento. E é uma grande ajuda para a Apex entrar no Brasil e crescermos. Temos muitas ambições de mercado e um mercado com muita oportunidade", seguiu.

"Um momento muito bonito. Acho que há cada vez mais atletas da América do Sul falando conosco e se envolvendo também. Obviamente muitos deles jogam aqui na Europa, mas tinha que vir um primeiro (atleta). E queríamos que o primeiro fosse o cara ideal", acrescentou.

Este foi o segundo grupo de atletas que foi anunciado pelo fundo de investimentos como parceiros. No meio do ano, espera-se que novos acordos ocorram - e a possibilidade de mais brasileiros estarem envolvidos é grande.

"100% (queremos mais brasileiros). Nós já temos, inclusive, muito boas relações no Brasil. O surfe, por exemplo, é um esporte muito importante para nós. Temos o Kanoa Igarashi, que já fez investimento conosco. Portanto, eu realmente acho que conhecemos bem a estrutura dos grandes surfistas brasileiros, alguns jogadores de tênis brasileiros, portanto, muito além do futebol", afirmou.

"E é uma questão de tempo até começarmos a oficializar outros nomes também que investem conosco, ou no nosso fundo ou em outros investimentos. E também nós próprios, pode ser que estejamos mais próximos de um primeiro investimento oficial no Brasil. Um negócio que está ligado ao Brasil. Tem que já ter parcerias, tem já ter contatos, é uma rede. Inclusive eu já estive duas vezes em viagens nos últimos meses no Brasil", continuou.

"Fomos convidados para falar no WebSummit do Rio de Janeiro, não podemos ir por uma questão de timing. Temos muitas boas relações com o Rubinho (Barrichello), com o Felipe Massa. Portanto, sim, é uma questão de tempo até trazermos mais atletas e começarmos a investir nesse mercado. Quem sabe um dia também tenhamos presença da Apex no Brasil?", finalizou.

Os investimentos de Marcelo no início

Antes mesmo de fechar a parceria com a APEX, Marcelo adquiriu uma parte do América-RN. Agora, com a ajuda do fundo de investimento, uma troca de experiências pode ajudar na gestão do projeto do lateral e sua corporação, o grupo Doze.

“Este investimento dele no nosso fundo é o início de uma parceria. Obviamente, o América é um dos grandes investimentos deles e é certeza que vai haver sinergias e formas de ajudarmos os investimentos do Marcelo em Natal, por exemplo. Não há nada diretamente falado, mas temos um alinhamento de interesses e é uma parceria de longo prazo”, destacou o CEO.