O Ministério Público da Espanha vai recorrer da sentença que condenou o jogador Daniel Alves a quatro anos e meio de prisão por ter agredido sexualmente uma jovem no banheiro de uma discoteca em Barcelona, para que uma circunstância atenuante seja revogada e a pena de prisão seja aumentada.
Segundo informaram fontes jurídicas à EFE, o MP espanhol já está preparando o recurso contra a sentença do Tribunal de Barcelona, que impôs ao jogador de futebol uma pena de quatro anos e meio de prisão, aplicando a circunstância atenuante de reparação dos danos por conta dos 150 mil euros (R$ 804,7 mil) que o brasileiro entregou ao tribunal para indenizar a vítima em caso de condenação.
Esta circunstância atenuante de reparação do dano, que permitiu ao Tribunal de Barcelona reduzir a pena do jogador para quatro anos e meio de prisão - o mínimo para agressão sexual com a lei em vigor no momento dos fatos era de quatro - é um dos principais elementos que o Ministério Público contestará em seu recurso.
Já no julgamento, tanto o Ministério Público como a acusação particular exercida pela vítima opuseram-se à aplicação desta medida atenuante de reparação por considerar que se trata de um valor que a juíza de instrução fixou como fiança para Daniel Alves quando o indiciou - sob a advertência de embargo -, apesar de posteriormente a defesa ter pedido em diversas ocasiões que fosse entregue à vítima, que não o aceitou.
Outro dos argumentos das acusações é que a aplicação de uma circunstância atenuante ao jogador por ter pago a fiança de 150 mil euros pode ser discriminatória, uma vez que representa uma vantagem para o réu devido à sua confortável capacidade econômica.
A acusação privada movida pela vítima também prevê recorrer da condenação, tal como a defesa, que voltará a insistir em pedir a absolvição do jogador, uma vez que sustenta que este teve relações sexuais consensuais com a denunciante.
O julgamento de Daniel Alves durou três dias e teve fim no dia 7 de fevereiro, quando o ex-atleta prestou depoimento, tendo a participação de 28 testemunhas, incluindo Lucia Alves, mãe do ex-jogador.
Na ocasião, o atleta chorou muito e afirmou que a relação sexual havia sido com consentimento.
