Ao lado da Palestina, a Síria protagonizou um dos momentos mais emocionantes do mundo do esporte nesta terça-feira (23), ao garantir a classificação à Copa da Ásia com vitória por 1 a 0 sobre a Índia, no Qatar.
A vaga inédita à fase final do torneio de seleções causou emoção, a ponto do tradutor do técnico Héctor Cúper se emocionar e chorar ao lado de um dos repórteres que entrevistava o comandante da equipe.
Cúper, por sinal, é o grande nome dessa seleção. A quem não se lembra, o técnico argentino é um público desafeto de Ronaldo "Fenômeno", hoje dono do Cruzeiro e um dos maiores jogadores da história do Brasil.
Os dois trabalharam juntos na Inter de Milão entre 2001 e 2002. Na ocasião, Ronaldo se recuperava de uma grave cirurgia no joelho direito, que o tirou por um ano e meio dos campos e ameaçou sua presença na Copa do Mundo de 2002.
A crise entre o Fenômeno e Cúper aconteceu justamente pela demora do técnico em aproveitar o atacante na Inter de Milão, que à época brigava pelo título do Campeonato Italiano. Ronaldo se sentia em condições de voltar a jogar, ajudar a equipe na corrida pela conquista e também se preparar para jogar o Mundial, o que apenas aumentou as diferenças entre os dois.
"É uma assombração, porque eu trabalhei com ele na Inter e minha história na Inter terminou muito mal por causa dele. A gente não tinha uma boa relação", admitiu Ronaldo, em entrevista ao SporTV, em 2018.
"Eu nunca pensava em permitir chegar para presidente e pedir entre eu ou o treinador. Nesse dia, eu fui e, para a minha surpresa, o presidente escolheu o treinador. O que, por outro lado, foi maravilhoso porque eu pude jogar no Real Madrid. Mas esse, sem dúvidas, foi o pior treinador que eu tive".
Cúper deixou a Inter de Milão em 2003 e seguiu sua carreira. Passou por Mallorca, Betis, Parma e outros clubes menores até começar a se aventurar por seleções.
Dirigiu primeiro a Geórgia, entre 2008 e 2009, até ter a chance de comandar o Egito entre 2015 e 2018. De lá para cá, assumiu Uzbequistão, Congo e a Síria, trabalho que começou em fevereiro de 2023.
A seleção é a atual número 91 do ranking da Fifa e conta com jogadores estrangeiros que têm origem síria: são três argentinos (Ezequiel Ham, Ibrahim Hesar e Jalil Elías), dois suecos (Aiham Ousou e Antonio Yakoub) e mais o grego Abdul Rahman Weiss e o colombiano Pablo Sabbag.
No comando da Síria, Héctor Cúper passa por dificuldades inéditas em seu trabalho, como os problemas relacionados a conflitos armados. A Síria vive uma guerra civil no país desde janeiro de 2011, que fez 13 milhões de pessoas se refugiarem pelo mundo.
"Alguns jogadores tiveram problemas ligadas ao terrorismo. Uns 60%, aproximadamente, sofrem com isso, mas noto que eles têm um temperamento de superar as coisas", afirmou o treinador argentino, durante a campanha na Copa da Ásia. Ele também falou sobre os conflitos e como essa não é uma experiência inédita.
"É um país muito atacado por problemas de fronteiras, mas agora não tem. Damasco é uma cidade tranquila. Cheguei a trabalhar em situações piores, como quando dirigia a Geórgia e a guerra estava acontecendo. Aqui, se a situação se complicar, não vou ficar. Nada me obriga a viver na Síria, mas quero estar aqui".
