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Do início amador à 'superliga' com 28 times: entenda o histórico e como funciona o atual Campeonato Argentino

Embora nos últimos anos a tendência tenha sido ainda mais evidente, o formato dos principais torneios de futebol na Argentina passou por todos os tipos de mudanças ao longo de mais de um século de história. Tanto em termos do número de equipes participantes quanto das competições e da forma como são disputadas.

O Campeonato Argentino volta à ativa nesta quinta-feira (25), com transmissão pela ESPN no Star+. No sábado (27), o Boca Juniors enfrenta o Platense como visitante, enquanto o River Plate estreia como mandante contra o Argentinos Juniors no domingo (28). Pensando nisso, o ESPN.com.br explica um pouco das mudanças pelas quais o futebol hermano passou ao longo dos anos

Era amadora

Entre 1893 e 1930, o futebol do país atual campeão do mundo era amador. Para listar todas as mudanças que ocorreram nessas décadas, seria necessário fazer uma análise ano a ano, pois não só não havia um formato homogêneo, como também havia discussões que dividiam as associações organizadoras. Em outras palavras, a mudança faz parte da identidade do futebol argentino.

O profissionalismo trouxe continuidade

Em 1931, o profissionalismo foi introduzido e com ele veio um campeonato fixo da primeira divisão, que permaneceu inalterado até 1966. Um único torneio longo, com partidas de ida e volta, com entre 15 e 20 participantes. Esse foi o sistema da chamada "época de ouro" do futebol argentino.

Em 1967, em uma tentativa de federalizar o jogo, foi criado o Torneio Nacional, com equipes do interior do país, que até então não tinham permissão para jogar na primeira divisão. A partir de então, havia dois torneios por ano: o Metropolitano, com o formato histórico, e o Nacional, com um sistema de competição semelhante ao da atual Copa da Liga Argentina, com uma fase de grupos e um mata-mata.

Começam as mudanças: de torneios longos para curtos

Esses dois campeonatos continuaram até à temporada 1985/1986, quando o torneio único da primeira divisão retornou. Mas a mudança durou apenas cinco temporadas (em uma delas, inclusive, foi implementado um sistema estranho em que todos os empates eram decididos por cobranças de pênaltis, o que dava um ponto a mais ao vencedor).

Em 1990, foi introduzido um formato original de torneios curtos, chamado de Clausura (de forma contraditória, o Clausura, Encerramento em português, era a abertura da temporada) e Apertura: 20 equipes em um único formato de ida e volta. O vencedor de cada um desses torneios tinha de jogar uma final para definir o campeão da temporada. Naquele ano, o Newell's Old Boys de Marcelo Bielsa venceu o Boca de 'Maestro' Tabárez nos pênaltis.

Como a final pareceu injusta na época (o Boca havia vencido seu torneio de forma invicta em dezembro de 1990, mas jogou a final em julho do ano seguinte com um time sem Gabriel Batistuta e Diego Latorre, que estavam disputando a Copa América), a partir da temporada seguinte os vencedores do Clausura e do Apertura seriam campeões sem a necessidade de jogar uma final. Assim, os torneios curtos ganharam aceitação e foram mantidos até 2011/2012.

Os campeonatos de 19 rodadas deram aos clubes pequenos, com os elencos e os orçamentos menores, a chance de lutar pelo título. E até mesmo de ganhá-lo. Em 1983 foi implementado um sistema pelo qual os últimos times na tabela não caem, ao invés disso, as equipes com as piores médias de pontuações nas últimas três temporadas são rebaixadas. De início, isso parecia ser uma vantagem para as grandes equipes. Mas o rebaixamento do River, em 2011, e depois o do Independiente, em 2013, mostraram que esse não era o caso.

A partir de 2011/2012, os nomes Apertura e Clausura foram alterados para Inicial e Final. O sistema voltou a ser o muito impopular estabelecido em 1990, ou seja, um vencedor para cada competição e uma nova final para decidir o campeão da temporada. Mas, no meio do torneio, isso foi revertido. Como era de se esperar, esse novo (velho) método não foi aceito. Por fim, a palavra "vencedor" foi alterada para "campeão" e tudo continuou como antes, com a inclusão da Superfinal em 2014 entre os dois campeões. Em sua única edição, o River Plate venceu o San Lorenzo por 1 a 0 no jogo, disputada em San Luis.

Dez anos de instabilidade

Em 2015, após um curto torneio de transição sem rebaixamento vencido pelo Racing (2014), decidiu-se graças a uma intervenção do governo argentino, que 10 times da B Nacional, a segunda divisão, subiriam para a primeira, para formar uma supercompetição com 30 clubes e apenas um campeão por ano.

O título foi conquistado pelo Boca, mas o sistema de competição com 30 equipes jogando umas contra as outras não se mostrou atraente. Assim, após subirem 10 times, decidiu-se aumentar o número de rebaixamentos, em uma tentativa de chegar gradualmente a uma liga mais normal, com 22 equipes.

Nesse meio tempo, outro torneio de transição foi disputado, com equipes divididas em duas zonas. O campeão em 2016 foi o Lanús, depois de derrotar o San Lorenzo na final. Em 2016/17, houve um retorno ao campeonato 'tradicional' da primeira divisão (ou seja, todos contra todos), que um ano depois se tornaria a Superliga Argentina de Futebol. No entanto, antes do início da pandemia (em maro de 2020) e da suspensão da temporada, a AFA e os clubes decidiram retomar o controle das competições.

No início da temporada 2019/2020, as regras eram claras: haveria três rebaixamentos na Primera Nacional, a primeira divisão, e duas ascensões (a partir da segunda divisão). Assim, haveria 23 participantes para o torneio seguinte. No entanto, sob pressão de vários clubes e em meio à definição do torneio, especulou-se que haveria apenas dois rebaixamentos diretos e uma promoção. No final, o plano original foi modificado devido à pandemia de COVID-19 e não houve rebaixamento.

Em 2021, novamente com 26 equipes na primeira divisão, foi disputada uma liga de todos contra todos, embora a temporada também incluísse uma Copa da Liga que não contava como título da liga, mas como uma copa nacional. Esse sistema foi repetido em 2022, 2023 e será usado em 2024, embora com 28 equipes, um número que permanece até hoje.