Nesta terça-feira (23), às 17h (de Brasília), em Caracas, na Venezuela, diante da Bolívia, a seleção brasileira olímpica inicia a sua campanha no Torneio Pré-Olímpico e, sob o comando de Ramon Menezes, busca uma das duas vagas que estão em jogo para o futebol masculino nas Olimpíadas de Paris em 2024. Feito que credenciaria o Brasil a tentar o tricampeonato inédito na modalidade.
Disputado desde os anos 1960, o Pré-Olímpico tem, assim como em Copas do Mundo, o Brasil como o seu maior campeão. Das 13 edições disputadas, a Amarelinha venceu 7 e tem uma folga considerável em relação à Argentina, atual campeã, com 5 títulos.
Apesar de ocupar o lugar mais alto do pódio nas conquistas, a seleção brasileira não levanta o caneco desde os anos 2000, ou seja, há mais de duas décadas. O que torna a atual edição uma das mais importantes para o país na busca pela vaga olímpica.
Além dos bolivianos, o Brasil, que está no Grupo A, ainda enfrentará Equador, Venezuela e Colômbia nesta primeira fase. As duas primeiras colocadas de cada grupo avançam ao quadrangular final, que distribuirá as vagas para Paris somente ao campeão e ao vice do Pré-Olímpico.
É hepta!
A seleção brasileira olímpica iniciou a sua hegemonia nas Américas em Pré-Olímpicos em 1968, na Colômbia, após ver a Argentina vencer as duas primeiras edições (1960 e 1964), ambas disputadas no Peru. E a Amarelinha foi com tudo após o primeiro caneco e emplacou um tricampeonato, sendo campeã também em 1971 e 1976, ultrapassando os hermanos na conta.
Os argentinos alcançaram o Brasil em 1980 e também chegaram à terceira conquista. A briga voltaria a ficar acirrada nas edições seguintes, já que a seleção brasileira voltaria a abrir vantagem na contagem, vencendo consecutivamente em 1984 e 1987.
Em 1992, o Paraguai deu uma pausa na acirrada disputa entre brasileiros e argentinos e conquistou o título inédito. Até que em 1996 e 2000, o Brasil voltaria a emplacar dois títulos em sequência, porém, estagnando na contagem desde então.
Em 2004 e 2020, a Argentina foi bicampeã e, na Venezuela, tentará repetir o feito do Brasil e se tornar mais um país a conquistar um tri no Pré-Olímpico, ainda com a chance de diminuir a distância em títulos para os seus grandes rivais do continente.
Vale lembrar que, na edição mais recente, assim como em 1964, o Brasil foi vice-campeão para a Albiceleste.
Fracassos da Amarelinha olímpica
Desde que o Pré-Olímpico é disputado, o Brasil só ficou de fora dos Jogos Olímpicos em três oportunidades: 1980, em Moscou, 1992, em Barcelona, e 2004, em Atenas.
No primeiro fracasso, a seleção foi comandada por Jaime Valente e tinha o zagueiro Mauro Galvão, campeão da CONMEBOL Libertadores com o Vasco em 1998, como uma de suas grandes estrelas. Porém, o Brasil terminou apenas em 5° lugar no Pré-Olímpico, depois de vencer a Venezuela por 2 a 1 na estreia, mas ter uma desempenho inferior nos jogos seguintes, incluindo derrotas por 3 a 0 para o Peru e 5 a 1 para a Colômbia. E com isso a vaga para as Olimpíadas de Moscou escapou.
12 anos depois, no Paraguai, o Brasil, à época comandado por Ernesto Paulo, tinha uma geração talentosa, com nomes como Cafu, Roberto Carlos, Márcio Santos e Dener, porém, em campo, o desempenho não foi à altura.
A Amarelinha caiu em um grupo com Colômbia, Paraguai, Peru e Venezuela e precisava terminar ao menos na segunda colocação para avançar ao quadrangular final. Porém, na rodada final, o empate por 1 a 1 com a Vinotinto custou a vaga, e paraguaios e colombianos carimbaram o passaporte rumo à Espanha.
Já mais recentemente, o fracasso aconteceu no Chile. Ricardo Gomes era o treinador e tinha em mãos outra geração com alguns talentos da época, entre eles o goleiro Gomes, o lateral Maicon, o meia Diego Ribas, e os atacantes Dagoberto e Nilmar.
Apesar de ter avançado ao quadrangular final, o Brasil ficou sem a vaga para a Grécia. Isso porque, após perder da Argentina (1 a 0) e vencer os anfitriões (3 a 1), a seleção olímpica precisava de um empate com o Paraguai, mas acabou derrotado (1 a 0). Argentinos e paraguaios, que se classificaram para os Jogos Olímpicos, inclusive fizeram a final em Atenas, que terminou em ouro para os hermanos.
Times que merecem destaque
Como maior campeão do Pré-Olímpico, o Brasil já desfilou pelos gramados da América do Sul com outros grandes times além dos já citados acima, mas que conseguiram a vaga olímpica. Um deles, inclusive, comandado por Vanderlei Luxemburgo.
Nos anos 2000, jogando em casa, Luxa tinha uma seleção estrelada que contava com nomes como Alex, Ronaldinho Gaúcho, Athirson e Edu. E dentro das quatro linhas, a Amarelinha fez valer o forte elenco e foi campeã invicta. A campanha foi de 5 vitórias e 2 empates, com 24 gols marcados e apenas 6 sofridos.
Na primeira fase, o Brasil enfiou um sonoro 9 a 0 em cima da Colômbia e, no quadrangular final, também teve outros resultados importantes, como um 4 a 2 sobre a Argentina, que também possuía uma geração de talentos, incluindo Riquelme, Cambiasso e até mesmo Lionel Scaloni, atual técnico da seleção principal do país e campeão da Copa do Mundo de 2022.
E até mesmo em 2012, quando de fato não houve um Pré-Olímpico e as vagas foram concedidas às duas melhores equipes do Campeonato Sul-Americano Sub-20 de 2011, o Brasil também desfilou em campo com as suas estrelas.
No Sul-Americano, o comandante foi Ney Franco, que tinha em mãos "apenas" os talentosos Neymar, Casemiro, Lucas Moura e Oscar. O Brasil sobrou na disputa e terminou com uma campanha de 7 vitórias, 1 empate e 1 derrota. Foram 24 gols marcados e apenas 7 sofridos. No jogo decisivo pelo título, a Amarelinha goleou por 6 a 0 o Uruguai. Neymar foi o artilheiro isolado com 9 bolas nas redes.
Na mais recente Pré-Olímpico, disputado em 2020, na Colômbia, o Brasil também contou jovens talentos e que, atualmente, atuam no futebol brasileiro ou no exterior e, inclusive, já foram chamados para a seleção principal. Entre eles Nino (Zenit), Bruno Guimarães (Newcastle), Antony (Manchester United), Matheus Cunha (Wolverhampton) e Paulinho (Atlético-MG).
Estrelas que ficaram de fora
Apesar da infinidade de estrelas que o futebol brasileiro revela a cada ano, o Pré-Olímpico também já viu algumas delas ficarem de fora da disputa. E, mais recentemente, muito por conta de os clubes não liberarem os seus jogadores.
Na última edição, por exemplo, o técnico André Jardine não pôde contar com nomes como Douglas Luiz (Aston Villa), Gabriel Martinelli e Gabriel Magalhães (ambos do Arsenal), já que os mesmos não foram liberados e precisaram ser substituídos em cima da hora.
Para a atual edição, o mesmo ocorreu - e pelo mesmo motivo. Os principais foram Danilo, ex-Palmeiras e atualmente no Nottingham Forest, além de claro, Vitor Roque, recém-chegado ao Barcelona.
