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Néstor Lorenzo é 'inimigo invisível' do Brasil e tenta revolução na Colômbia

Argentino Néstor Lorenzo, técnico da seleção da Colômbia, durante partida pelas eliminatórias para a Copa do Mundo Franklin Jacome/Getty Images

Ele estava lá quando Maradona driblou meio time do Brasil e passou a bola para Cannigia, na Copa do Mundo de 1990. Também se fazia presente no dia em que Zuñiga deu uma joelhada nas costas de Neymar, agora no Mundial de 2014. 'Inimigo invisível', o argentino Néstor Lorenzo terá pela primeira vez protagonismo em um duelo contra a seleção brasileira.

É verdade que continuará no mesmo banco em que esteve como zagueiro reserva no Mundial disputado na Itália e, depois, como auxiliar técnico no de 24 anos mais tarde, mas agora dará as ordens contra o time de Fernando Diniz, Vinicius Júnior, André e, quem sabe, Endrick.

O conhecimento do futebol colombiano adquirido nos seis anos em que trabalhou junto a José Pékerman e o sucesso imediato alcançado enquanto treinou o Melgar, no Peru, o credenciaram ao posto de 'salvador da pátria' na seleção da Colômbia.

Isto porque os trabalhos de Carlos Queiroz e Reinaldo Rueda não foram suficientes para classificar o time ao último Mundial, no Qatar. E também porque o futebol colombiano, depois de anos de euforia, dá sinais de empobrecimento técnico. Seus clubes não brilham mais nas competições da Conmebol e seus jogadores já não têm tanto prestígio em times europeus.

Lorenzo parece estar no caminho certo: ainda não perdeu. São sete vitórias (incluindo amistosos contra Alemanha e Japão) e cinco empates, resultado dos últimos três jogos das eliminatórias sul-americanas – ante Chile, Uruguai e Equador -, quando sua equipe jogou melhor. E tem o segundo menor número de gols sofridos nestas quatro primeiras rodadas (2).

Em campo, a estrela é o ponta-esquerda do Liverpool, Luis Díaz, que agora está mais tranquilo depois que seu pai foi libertado pelos sequestradores. Depois dele, o time tem como destaques jogadores que os torcedores brasileiros conhecem bem. O campeão da CONMEBOL Libertadores Jhon Arias – titular absoluto – estará suspenso por acúmulo de amarelos e não vai enfrentar seu colega de meio-campo André nem seu treinador do dia a dia.

Outro que atua no Brasil, James Rodríguez tem muito a agradecer a Lorenzo. O treinador arranjou uma maneira de aproveitar seu talento sem comprometer demasiadamente o sistema de marcação. O centroavante Santos Borré (Werder Bremen) é quem volta para fechar o lado direito do meio-campo quando o time é atacado, deixando o meia do São Paulo como jogador mais avançado. Assim, ele tem tido boas atuações na seleção que possibilitaram seu crescimento também no clube paulista, no qual Dorival Júnior já repetiu a estratégia.

O palmeirense Richard Ríos concorre por uma vaga com os experientes volantes Wilmar Barrios (Zenit) e Uribe (Al-Sadd). Mas os zagueiros Davinson Sánchez (Galatasaray) e Cuesta (Genk) não passam tanta confiança e por isso Yerry Mina, ex-Palmeiras, foi chamado mesmo sem atuar pela Fiorentina.

Lateral-direito titular, Santiago Arias (FC Cincinnati) está lesionado e deverá dar espaço a Mosquera (Portland Timbers). Outro desfalque é o atacante Mateo Casierra (Zenit).

Se mesmo com todos estes problemas, Lorenzo conseguir a primeira vitória da Colômbia sobre o Brasil em eliminatórias, é possível dizer que parte da 'revolução' terá de fato se iniciado.