Paris Saint-Germain e Milan fazem nesta quarta-feira (25) um duelo especial na Champions League entre uma equipe que serviu de modelo para a outra iniciar uma fase dominante em seu país. A bola rola às 16h (de Brasília) no Parque dos Príncipes, em Paris, e coloca frente a frente uma vaga, ainda que temporária, entre os classificados do Grupo F.
No começo da era "bilionária", o PSG se inspirou no sucesso do Milan para se tornar uma das equipes mais poderosas da Europa nos últimos anos. Em maio de 2011, quando foi comprado pelo grupo Qatar Sports Investments (QSI), o clube parisiense implementou um projeto para virar uma nova potência mundial e foi buscar muita mão (e pé) de obra na Itália.
Até então, o PSG vivia um jejum de títulos no Campeonato Francês que durava desde 1994 e havia ficado fora de quatro edições seguidas da Liga dos Campeões. Para mudar o cenário, o acionista majoritário Nasser Al-Khelaifi passou a investir um dinheiro altíssimo e apostou na figura do diretor esportivo Leonardo. Ex-jogador do próprio PSG na década de 1990, o brasileiro também jogou e foi cartola do Milan.
Logo nos primeiros meses no cargo, Leonardo demitiu o técnico Antoine Kombouaré, que era líder da Ligue 1, mas que havia sido eliminado na Europa League (na fase de grupos) e na Copa da França. Para a vaga do francês, o diretor trouxe um velho parceiro dos tempos de Milan: Carlo Ancelotti. Entre 2001 e 2009, o hoje treinador do Real Madrid fez um enorme sucesso no clube rossonero, pelo qual venceu vários títulos, incluindo o bicampeonato europeu.
Dono do maior salário do esporte do país, Ancelotti não conseguiu garantir o título francês, em uma disputa com o surpreendente Montpellier. Para mudar a história, o italiano ganhou praticamente um "cheque em branco" para buscar alguns de seus jogadores nos tempos de Milan, que, em grave crise financeira, topou se desfazer das principais estrelas no meio de 2012.
Os franceses desembolsaram aproximadamente 62 milhões de euros para comprar o zagueiro brasileiro Thiago Silva e o atacante sueco Zlatan Ibrahimovic, ícones da conquista do Campeonato Italiano no ano anterior.
“Eu sofri muito com a venda de Ibra, mas a situação econômica do país complicou. Ele é um grande jogador, mas era um luxo que não podíamos pagar mais”, lamentou o então vice-presidente do Milan, Adriano Galliani.
A onda de ex-milanistas não parou por aí. Em janeiro de 2013, chegou à capital francesa outro ex-jogador comandado por Ancelotti: David Beckham. Aos 37 anos, o veterano saiu dos Los Angeles Galaxy e defendeu o Paris por seis meses antes de pendurar as chuteiras.
A "panela" rossonera poderia ter ficado ainda maior. Naquela época, a imprensa francesa noticiou que Ancelotti teria pedido também a contratação de Alexandre Pato. Apesar da oferta de 35 milhões de euros, o brasileiro permaneceu na Itália e o negócio não foi concretizado.
Passados 12 anos da mudança, o PSG faturou muitos títulos, incluindo nove do Campeonato Francês, mas ainda não conseguiu o principal objetivo: vencer a Champions League. O clube francês chegou perto em 2020, mas perdeu a final para o Bayern de Munique por 1 a 0.
Enquanto isso, o Milan ficou por muitos anos afastado da principal competição da Europa, mas voltou a fazer uma campanha de destaque na última temporada. Os rossoneros chegaram às semifinais, quando foram eliminados pela rival Inter de Milão.
Agora, ambos brigam pela classificação ao mata-mata da Liga dos Campeões.
