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Por que técnico português está visitando o Brasil e conhecendo o futebol nacional

Miguel Cardoso no comando do Celta Juan Manuel Serrano Arce/Getty Images

O sucesso de Jorge Jesus, no Flamengo, e de Abel Ferreira, no Palmeiras, abriu as portas para vários treinadores portugueses trabalharem no Brasil. Com passagens por Celta, Nantes e Rio Ave, Miguel Cardoso pode seguir o mesmo caminho dos compatriotas em breve. Nas últimas semanas, ele passou por times tradicionais brasileiros em busca de intercâmbio e de informações sobre o futebol no país.

"Gosto de desafios e já estive em vários países. Acredito que os treinadores não têm nacionalidade, mas uma forma de trabalho que se enquadra nos clubes", disse ao ESPN.com.br.

Miguel afirmou que no ano passado negociou com um time do Brasil, mas o acordo não se concretizou. Neste mês, o português visitou alguns clubes brasileiros em busca de troca de informações e conhecer mais o cenário nacional.

"O futebol brasileiro é extremamente atrativo porque tem muitos clubes grandes, jogadores de qualidade e multidões nos estádios. Estou aproveitando o período no qual que não estou trabalhando para conhecer mais o campeonato, a estrutura dos clubes e os jogadores. Ano passado estive em clubes como Santos, São Paulo e Corinthians. Esse ano fui ao Internacional".

Filho de um ex-jogador de futebol, Miguel não foi atleta profissional e optou pela área acadêmica. Em 1996, passou a trabalhar na base do Porto e foi promovido até a equipe B na época que José Mourinho era o treinador do time principal. O português ainda foi preparador físico e auxiliar de Carlos Carvalhal na Académica de Coimbra e no Braga, que foi vice do Português e da Liga Europa.

Depois disso, passou por Sporting e La Coruña, quando recebeu um convite para ser treinador do sub-23 e coordenar a base do Shakhtar Donetsk. No período ajudou a revelar Oleksandr Zinchenko, do Arsenal.

"Convivi com os jogadores brasileiros que era de grande qualidade e foi um grande aprendizado. Passamos um momento muito complicado porque começou a guerra na Ucrânia e tivemos que mudar para Kiev. Decidi voltar para Portugal para começar a minha carreira de treinador".

Depois de três anos e meio, ele foi chamado para estrear como treinador principal do Rio Ave na temporada 2016/2017.

"Essa passagem catapultou a minha carreira porque fizemos o recorde de pontuação na história do clube no Campeonato Português. O time ficou na quinta posição e pegou vaga na Liga Europa. O time jogava muito bem. Tivemos grandes duelos contra o Braga, do Abel Ferreira, e do Chaves, do Luis Castro".

Miguel chegou a eliminar o jovem Abel Ferreira da Taça de Portugal com uma vitória do Rio Ave por 1 a 0 contra o Braga.

"Além desse jogo, nós perdemos uma partida no Campeonato Português e vencemos a outra. Foram jogos muito apertados. Eram equipes que jogavam de formas diferentes, mas muito bem. O Braga ficou em quarto e nós ficamos em quinto.

"Era um treinador que indiscutivelmente demonstrava qualidade. É um privilegio como treinador português que admiro ver o reconhecimento de Abel e os troféus".

"Às vezes precisamos de um contexto para projetarmos as nossas carreiras. Ele encarou desafios em mais alto nível onde a exigência é grande por resultados. Ele se desenvolveu a um patamar elevadíssimo. Aconselho a qualquer técnico ler o livro dele porque irá aprender".

Depois de fazer sucesso no Rio Ave, Miguel recebeu vários convites de clubes e acertou com o Nantes, da França.

nesta equipe, ele comandou Fábio (Grêmio), Lucas Evangelista (Bragantino), Diego Carlos (Aston Villa), Andrei Girotto (ex-Palmeiras) e Boschilia (ex-São Paulo). Além disso, foi treinador de Emiliano Sala, atacante argentino que faleceu em 2019 um acidente de avião quando foi vendido para o Cardiff City.

"O Sala era uma pessoa fantástica. Um dia conheci a família dele e pudemos jantar juntos. Infelizmente, teve a vida ceifada de forma abrupta".

Miguel treinou depois o Celta de Vigo e o AEK antes de voltar ao Rio Ave na temporada 2020/2021.