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Como Messi na MLS vai além da mídia e pode causar 'revolução' no futebol dos Estados Unidos

Lionel Messi foi anunciado oficialmente como o mais novo reforço do Inter Miami, da MLS, no último dia 7 de junho e nem precisou entrar em campo para causar um impacto imediato. Horas após o acerto definitivo, o clube que tem o ex-meia David Beckham como um dos acionistas, ganhou mais de cinco milhões de novos seguidores no Instagram.

O peso do anúncio é possível ser medido também na busca por camisas do craque. A ESPN revelou nesta semana que todos os uniformes colocados à venda pelo time de Miami esgotaram-se em menos de uma hora. Cada camisa custou US$ 200, o equivalente a R$ 962 na cotação atual.

Mas a chegada de Messi à MLS deverá ir muito além do impacto midiático e financeiro em prol do time da Flórida. A ESPN conversou com representantes de equipes da liga dos Estados Unidos para entender como a presença de um dos maiores nomes da história do futebol pode impulsionar de vez a competição e torná-la ainda mais relevante no cenário internacional.

Na visão de pessoas ligadas à Major League Soccer, fundada em 1993, o principal efeito da chegada de Messi é o desejo de outros atletas darem prioridades às ofertas de times do país, com o objetivo de estar ao lado ou ter a possibilidade de enfrentar o craque argentino.

“Teve um jogador que a gente estava conversando e, a partir do momento que houve o anúncio do Messi, o interesse dele para ele vir para Dallas aumentou ainda mais. Então eu percebi que ele vai sentir a vontade de estar numa liga que ele tenha a oportunidade de jogar um jogo contra o Messi”, disse André Zanotta, diretor de futebol do Dallas FC.

A linha de raciocínio é seguida por Felipe Tricate, que trabalha como scout do Houston Dynamo.

“A possibilidade de jogar contra o Messi é algo que enche o olho. Acho que no geral, vai ter mais visibilidade da liga e atratividade para outros jogadores. Em termos de convencimento, vai ajudar muito a liga. E eu acho que é só o começo”, disse o olheiro, para depois completar.

“Quando ele começar a jogar, a gente deve ver isso melhor. A gente jogou contra Miami, mas temos a possibilidade de, por exemplo, jogar na Copa contra, estar nas semifinais e quiçá uma final a gente jogue contra. Então, são coisas que impactam a gente já no primeiro momento de forma indireta. Mais para frente vamos ver melhor”.

A atitude do Inter Miami de investir em um astro como Messi rendeu elogios até mesmo do Orlando City. À ESPN, Ricardo Moreira, diretor da franquia, rasgou elogios à presença do argentino à liga, ainda que seja em um "rival" da Flórida. O dirigente também relembrou movimento parecido de sua equipe em 2014, com a chegada de Kaká, último brasileiro eleito melhor jogador do mundo, sete anos antes.

“O primeiro impacto que nós sentimos foi o técnico. Nós somos rivais do Miami, dividimos o mesmo estado e, ao ver um dos maiores nomes da história do futebol contra nós, gera um impacto técnico. Ele é uma lenda”.

“Mas, é importante lembrar que nós começamos isso ao trazer o Kaká. Para nós, do lado comercial, existe um impacto. Teremos jogos importantes contra o Miami e esperamos uma venda maior de ingressos. Estamos confiantes em trazer mais atletas também por conta da presença do Messi promovendo a liga”, finalizou.

Além de Messi, o futebol dos Estados Unidos tem trunfos importantes para tentar se consolidar como uma das principais potências mundiais no futebol.

Em 2026, ao lado de México e Canadá, o país sediará a Copa do Mundo, o que abre novas possibilidades de investimentos na liga local.

Don Garber, comissário da MLS, apontou em entrevista recente que fundos soberanos, aqueles administrados por governos de países, poderão investir nas franquias dos Estados Unidos em um futuro próximo.

“A NHL e a NBA estão pensando em ter fundos soberanos. A MLS está olhando para a mesma coisa”, disse à Bloomberg TV.

Se essa receita ainda é hipotética, outras estão estabelecidas. No início do ano, a empresa alemã Adidas, que fornece os materiais esportivos para todas as equipes da liga, fechou um novo contrato até 2030, no valor de US$ 830 milhões, quase R$ 4 bilhões.

“A MLS é uma das ligas que mais crescem hoje no futebol mundial. Muita gente pergunta o porquê do Messi não ter ido para a Arábia Saudita, mas eu vejo eles com um caminho parecido com o da China na última década. Os Estados Unidos têm um projeto pessoal muito mais solidificado e muito mais organizado. Para mim, ele tomou a melhor decisão profissional”, analisou Bruno Costa, head de scout e recrutador de atletas do San Jose Earthquakes.