Nos últimos anos, a Bélgica mudou de prateleira no futebol mundial com uma safra de jogadores protagonistas nos principais clubes europeus, conquistando inclusive um terceiro lugar na Copa do Mundo de 2018. No entanto, a famosa geração belga atualmente coleciona mais problemas do que bom futebol.
O último da vez foi envolvendo Thibaut Courtois, um dos líderes da Bélgica, que encara a Estônia, nesta terça-feira (20), pelas eliminatórias da Eurocopa. Na ocasião, o goleiro abandonou a concentração após Romelu Lukaku ganhar do técnico Domenico Tedesco a faixa de capitão.
A decisão de Courtois deixou o comandante em choque. Tedesco, inclusive, desabafou sobre a situação.
"Depois do jogo na Áustria, Courtois de repente quis falar comigo e disse que ia para casa porque estava desapontado e magoado", disse o técnico.
"No meio de tudo, decidimos que Lukaku seria o capitão contra a Áustria e Courtois amanhã. Estou surpreso e chocado, não esperávamos que algo assim acontecesse. Em março, decidimos que De Bruyne seria o primeiro capitão e que Lukaku e Courtois estariam em igualdade de condições como segundos capitães", completou.
Courtois, por outro lado, rebateu o treinador de forma ríspida. "Quero deixar claro que não é a primeira nem a última vez que falo com um treinador sobre questões relacionadas a um vestiário, mas é a primeira vez que alguém decide contar isso publicamente. Estou profundamente desapontado com isso, mas quero deixar claro que as avaliações do treinador não condizem com a realidade".
"Pedi a ele (Domenico Tedesco), não para benefício direto, que explicasse e tomasse decisões para evitar situações que no passado nos prejudicaram, sempre buscando o benefício geral. Ser ou não capitão da seleção não é um capricho nem uma decisão aleatória, deve ser uma decisão dele e foi isso que tentei transmitir a ele. Infelizmente não alcancei meu objetivo. Fiz um check-up para um problema no joelho direito. A equipe médica do meu clube e da seleção nacional estiveram em contato e analisaram todo o material correspondente para tomar a decisão de deixar a concentração", finalizou.
Só que essa não foi a única polêmica envolvendo os grandes líderes. O terceiro lugar no grupo F da Copa do Mundo, que teve Marrocos e Croácia classificados, escancarou uma crise que envolveu a geração mais badalada do país em muitos anos.
Na época, no dia 28 de novembro do ano passado, o jornal L'Equipe publicou uma matéria com bastidores da seleção. Elenco rachado, inimizades e brigas internas marcaram a passagem da Bélgica pelo Qatar.
De acordo com a publicação, a falta de um líder definido fez a seleção sair do trilho. Nas Copas de 2014 e 2018, a hierarquia era bem definida no time: Vincent Kompany era o capitão e grande líder do plantel. Sem o ex-zagueiro, Kevin de Bruyne e Eden Hazard, dois dos principais que poderiam exercer tal papel, deram entrevistas polêmicas que azedaram o clima no Qatar.
Enquanto Hazard afirmou que a ''vez da Bélgica passou''. Por outro lado, De Bruyne admitiu ao jornal Guardian, que o atual time não é do mesmo nível que quatro anos atrás. E que estavam “envelhecendo”. As declarações irritaram os outros jogadores e sobrou para Lukaku tentar acalmar os ânimos no elenco.
O zagueiro Jan Vertonghen ficou na bronca com De Bruyne. Após a derrota para Marrocos, o defensor não mediu palavras ao cutucar o companheiro.
“Acho que atacamos mal porque também estamos muito velhos no ataque. Não criamos chances suficientes. Tomamos o mesmo gol duas vezes. É muito frustrante, não está indo do jeito que a gente quer'', disparou.
De Bruyne x Courtois
As inimizades do passado seguiram presentes até os dias hoje. Desde 2013, De Bruyne e Courtois têm uma relação conturbada. Os dois romperam a relação por causa de uma suposta traição que envolveu a ex-namorada do meio-campista. Além deles, Lukaku e o atacante Michy Batshuayi também não são melhores amigos, enquanto Leandro Trossard e Hazard não se falam. Todos estiveram no último Mundial.
Estrelas decepcionaram em campo
Se a falta de um líder em campo já atrapalhava, o rendimento das principais estrelas completou o fracasso da Bélgica na última Copa do Mundo. A lesão de Lukaku jogou um balde de água fria nos belgas no Mundial. Hazard vivia seu pior momento técnico e físico e não conseguia ajudar como no passado. Além disso, De Bruyne, vivendo o seu auge no Manchester City, estava visivelmente frustrado e não foi nem perto daquele que encatava na Premier League.
Tanto é que Kompany, em entrevista à ESPN, não passou pano para a situação. Viu De Bruyne 'abandonado' e o time sem um plano para fazer o melhor da equipe jogar como em seu clube.
"[De Bruyne] precisa de um plano. Então, ele será o comandante e executará o plano com perfeição com os jogadores ao seu redor. O problema é que não há plano, o que significa que não há projeto para De Bruyne", disse o antigo capitão.
Processo de renovação
Apesar de diversos nomes conhecidos, a Bélgica foi convocada para as eliminatórias da Euro com algumas novidades. A lista deixa claro que o processo de renovação será feito neste ciclo, muito em virtude da idade avançada de diversos nomes.
Alguns atletas foram novidades em relação ao time do mundial. Ao todo, Tedesco chamou 14 nomes que não estavam no Mundial. Além de Courtois, que abandonou a concentração, Jon Vertonghen, Timothy Castagne, Yannick Carrasco, Kevin De Bruyne, Leander Dendoncker, Youri Tielemans, Michy Batshuayi, Romelu Lukaku e Lois Openda seguiram na lista.
Veja abaixo as novidades da Bélgica em relação ao time da Copa do Mundo de 2022
Goleiros: Arnaud Bodart (Standard Liège), Thomas Kaminski (Blackburn) e Matz Sels (Strasbourg)
Defensores: Amin Al-Dakhil (Burnley), Sebastiaan Bornauw (Wolfsburg), Wout Faes (Leicester) e Arthur Theate (Rennes)
Meio-campistas: Oliver Deman (Cercle Brugge), Orel Mangala (Nottingham Forest), Alexis Saelemaekers (Milan), Mike Tresor (Genk) e Hans Vanaken (Club Brugge) Atacantes: Jérémy Doku (Rennes) e Dodi Lukebakio (Hertha Berlin)
