Ex-São Paulo e Vasco, Morato superou barreira com cultura para salvar time do rebaixamento na Arábia Saudita

Morato celebra manutenção na elite com treinador Divulgação/Al Khaleej

Foi no sufoco, com emoção, mas o Al Khaleej se manteve na primeira divisão saudita. E muito disso se deve ao brasileiro Morato, protagonista na reta final e autor de dois gols na vitória decisiva por 3 a 1 sobre o Abha.

Em entrevista ao ESPN.com.br, o ponta celebrou a manutenção na elite e contou detalhes sobre a disputa.

“Alívio tremendo aqui, ainda mais depois de como foi. Para o pessoal que acompanha a liga e quem me conhece pensa que é só vencer que salvava, mas não, o critério é diferente, a gente precisava torcer por outros dois resultados negativos e vencendo", disse.

"O critério que mostra aqui é o número de vitórias. Se acabasse o campeonato na penúltima rodada, nós teríamos caído. Que noite. Não pelo fato dos dois gols e dá assistência, mas pela circunstância, sair perdendo, jogador a menos, algo memorável na história do clube”, completou.

Contratado em agosto, porém, Morato sentiu dificuldade na adaptação ao país e teve que 'abraçar' a cultura para superar essa barreira.

“Eu sofri muito em praticamente todos os aspectos, climático, cultural, futebol… além dessa questão do saudita não ser bobo de bola, se você não se adapta às questões do país, a culinária, você não consegue andar. Eu nunca entendia quando grandes jogadores do Brasil vinham para cá e diziam que não aguentavam ficar. Eu achava que era besteira, saudades. Mas, se você não se adaptar, vai ficar para trás”, afirmou.

“Por incrível que pareça, foi quando eu abracei, eu não vivia a cultura deles, vivia o meu mundo, comecei a participar mais com os meninos no clube, a entender melhor o porquê de cada coisa. Quando eu aceitei melhor as circunstâncias, a hora que precisam de um abraço ou de um chacoalhão, fez toda diferença, principalmente, nessa reta final”, prosseguiu.

Outro fator que ajudou a adaptação do ponta foram os colegas brasileiros de vestiário, que apresentaram um pouco do país para o seu compatriota.

“O país é grande, então, é difícil manter contato, cada um tem a sua rotina. Eu tive a sorte de ter os brasileiros do meu clube. O Douglas, que tinha sido meu companheiro no Avaí, e o Lucas. Não tenho palavras para esses dois, inclusive deixar um agradecimento a eles e a família deles”, revelou.

Na temporada, Morato atuou em 22 partidas, com quatro gols marcados e cinco assistências.