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Presidente do Vila Nova revela que já havia denunciado esquema de apostas antes: 'Na época ninguém foi atrás'

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Especialista explica à ESPN o que pode acontecer aos jogadores envolvidos em casos de apostas esportivas (3:53)

Cristiano Caús, advogado especializado em Direito Desportivo e Arbitragem, conversou com a ESPN sobre o escândalo de apostas no futebol brasileiro (3:53)

Hugo Jorge Bravo, presidente do Vila Nova, foi um dos grandes responsáveis pela existência da “Operação Penalidade Máxima”. Em novembro do ano passado, o cartola fez as primeiras denúncias de tentativa de manipulação de resultados na Série B, que geraram a investigação do Ministério Público-GO.

No entanto, esta não foi a primeira vez que o major da Polícia Militar de Goiás ficou sabendo desta prática criminosa. Em entrevista ao jornal O Globo, ele revelou que já havia procurado as autoridades outras duas vezes para denunciar uma suposta tentativa de suborno, mas que não foi atendido.

"O joga era Vila Nova e Imperatriz, pela Série C, no Maranhão (Vila venceu por 3 a 1). O time do Imperatriz procurou um atleta do Vila para dizer que a partida estava vendida. Na época, eu fiquei sabendo, mas não consegui reunir provas. A segunda vez que uma denúncia do tipo chegou até mim foi no Vila Nova e Nova Mutum, pela Copa Verde, em 2021 (Vila venceu por 3 a 0). Fiquei sabendo que, no vestiário do nosso estádio, antes do jogo, um jogador deles fez uma chamada de vídeo para um apostador para dizer que o acordo estava fechado", disse.

O presidente do time goiano conta que soube da prática após ser procurado por pessoas dizendo que a aposta não tinha dado certo. "Não sei exatamente o que eles haviam apostado, mas o que eu sei é que depois vários jogadores do clube passaram a ser ameaçados de morte pelos apostadores por causa do prejuízo".

"Quando eu tomei pé da situação, eu comuniquei a uma autoridade, que não vou citar quem é. Mas, na época, ninguém foi atrás. Não chegaram nem a ouvir o jogador, os dirigentes. Senti que eu precisava levar tudo pronto já, com provas concretas", disse Bravo.

Quando soube da tentativa de manipulação em 2022, Hugo reuniu informações e provas que foram levadas ao MP. Logo em seguida, foram abertas as investigações contra os apostadores e jogadores, que ganhavam dinheiro com apostas relacionadas a lances específicos em partidas das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, além de partidas de torneios estaduais.

Veja abaixo quais são os jogos que estão sob investigação na Série A

Quais jogadores estão sendo investigados?

  • Eduardo Bauermann (Santos)

  • Gabriel Tota (Ypiranga-RS)

  • Victor Ramos (Chapecoense)

  • Igor Cariús (Sport)

  • Paulo Miranda (Náutico)

  • Fernando Neto (São Bernardo)

  • Matheus Gomes (Sem clube)

Quais jogadores também foram citados no processo?

  • Vitor Mendes (Fluminense)

  • Richard (Cruzeiro)

  • Nino Paraíba (América-MG)

  • Dadá Belmonte (América-MG)

  • Kevin Lomonaco (Red Bull Bragantino)

  • Moraes Jr. (Juventude)

  • Nikolas Farias (Novo Hamburgo)

  • Jarro Pedroso (Inter de Santa Maria)

  • Nathan (Grêmio)

  • Pedrinho (dispensado pelo Athletico-PR)

  • Bryan García (dispensado pelo Athletico-PR)

Apostadores e membros da organização

  • Bruno Lopez de Moura

  • Ícaro Fernando Calixto dos Santos

  • Luís Felipe Rodrigues de Castro

  • Victor Yamasaki Fernandes

  • Zildo Peixoto Neto

  • Thiago Chambó Andrade

  • Romário Hugo dos Santos

  • William de Oliveira Souza

  • Pedro Gama dos Santos Júnior

O que a "Operação Penalidade Máxima" investiga

A investigação da "Operação Penalidade Máxima" aponta que grupos criminosos convenciam jogadores, com propostas que iam até R$ 100 mil, a cometerem lances específicos em partidas e causassem o lucro de apostadores em sites do ramo.

Um jogador cooptado, por exemplo, teria a "função" de cometer um pênalti, receber um cartão ou até mesmo colaborar para a construção do resultado da partida - normalmente uma derrota de sua equipe.

As primeiras denúncias ouvidas pela operação surgiram no fim de 2022, quando o volante Romário, então jogador do Vila Nova (GO), aceitou R$ 150 mil para cometer um pênalti contra o Sport, em partida válida pela Série B do Brasileiro.

Na ocasião, o atleta embolsou R$ 10 mil imediatamente e só ganharia o restante caso o plano funcionasse. Romário, porém, sequer foi relacionado para a partida, o que estragou a ideia.

A história chegou até Hugo Jorge Bravo, presidente do time goiano e também policial militar, que buscou provas e as entregou ao Ministério Público do estado. A partir daí, criou-se a operação "Penalidade Máxima" para investigar provas e suspeitas sobre o assunto.

Na primeira denúncia, havia a suspeita de manipulação em três jogos da Série B, mas os últimos acontecimentos levaram os investigadores a crer que o problema era de âmbito nacional e havia acontecido em campeonatos estaduais e também na primeira divisão do Brasileiro.

Além de Romário, outros sete jogadores foram denunciados pelo Ministério Público por participarem do esquema de fabricação de resultados: Joseph (Tombense), Mateusinho (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Cuiabá), Gabriel Domingos (Vila Nova), Allan Godói (Sampaio Corrêa), André Queixo (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Ituano), Ygor Catatau (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Sepahan, do Irã) e Paulo Sérgio (ex-Sampaio Corrêa, hoje no Operário-PR).

Algum jogador de futebol foi preso?

Nenhum jogador preso, só pessoas envolvidas nos pedidos de manipulação. Foram três mandados de prisão em São Paulo, mas só para não atletas.

Foram apreendidas granadas de efeito moral em um mandado de prisão em São Paulo a armas de fogo em outro endereço, também em terras paulistas. Nesse local, houve também um flagrante de armas de fogo sem o devido registro.

Os atletas ou aliciadores podem ser indiciados via Estatuto do Torcedor e também podem responder por crime por lavagem de dinheiro, se for o caso. Segundo o Estatuto do Torcedor, a pena varia de 2 a 6 anos de prisão.

O que os jogadores faziam para manipular as partidas?

Os atletas e envolvidos suspeitos estão sendo investigados por manipulação da seguinte forma: receber cartões amarelo ou vermelho, cometer um pênalti, garantir uma derrota parcial no 1º tempo, número de escanteios, etc.