A final em partida única, usada para decidir os títulos de CONMEBOL Libertadores e CONMEBOL Sul-Americana a partir de 2019, ainda vem sendo aperfeiçoada pela entidade máxima do futebol da América do Sul. Um dos pontos que ainda requer melhorias é a baixa presença de público, especialmente quando se trata do segundo torneio.
Em 2021 e 2022, a finalíssima da Sul-Americana contou com arquibancadas esvaziadas para os duelos entre Athletico-PR e Red Bull Bragantino, no Estádio Centenário, em Montevidéu, e entre São Paulo e Independiente del Valle, no Estádio Mario Kempes, em Córdoba.
Enquanto só o São Paulo entre os tradicionais esteve na final da Sul-Americana, a Libertadores contou com equipes como Flamengo, River Plate e Palmeiras nas decisões de 2019, 2021 e 2022. Isso somado ao impacto do torneio, que tem mais visibilidade do que a outra competição criada pela Conmebol.
Mas como transformar as duas finalíssimas em produtos de sucesso? A ESPN conversou com exclusividade com Monsserat Jiménez, Secretária-Geral Adjunta e Diretora Jurídica da Conmebol, uma das palestrantes da Sports Summit São Paulo, na semana passada.
Para a dirigente, a baixa procura por ingressos é um reflexo da dificuldade de locomoção pela América do Sul e também de escolhas equivocadas de sede, com cidades que não são destinos turísticos no continente.
"Tivemos alguns problemas políticos, de COVID (por conta das mudanças de sede), mas a ideia é que cada vez se faça um turismo desportivo maior. E sermos conscientes de que não todas as cidades que comportam uma final. Aprendemos isso com erros", admitiu Monsserat.
Para 2023, a Conmebol parece ter apostado em uma "receita de sucesso" e escolheu o Rio de Janeiro para sediar a decisão da Libertadores, enquanto que Montevidéu, no Uruguai, ficará com a final da Sul-Americana. No entendimento da dirigente, as duas cidades são procuradas por turistas, o que pode impulsionar públicos maiores.
"Este ano, teremos o Rio de Janeiro, que atrai muito turismo, e Montevidéu. São cidades atrativas. As finais, assim, terão um contexto em meio às outras atividades também para ajudar a impulsionar a final. Mover-se na América do Sul não é fácil. Temos que ter algo a mais do que a partida".
O principal exemplo usado pela Conmebol é justamente o torneio continental de mais sucesso no mundo: a Champions League, que, independentemente de onde marque sua final e quais times estejam jogando, sempre atrai públicos grandiosos na Europa.
"Hoje, existe uma final de Champions sem ser importante quem decidirá. Por que o torcedor quer viver a experiência de ir à final. É um evento", finalizou a dirigente.
