É uma das experiências mais emocionantes do futebol. O estádio lotado, torcedores se sentam entusiasmados antes de a bola rolar. O ar parece vibrar pela expectativa enquanto as equipes se preparam para entrar em campo. As bandeiras tremulam, as tradicionais comidas passam para segundo plano. E dos alto-falantes sai um som que resume paixão como nenhum outro: o hino do clube.
A multidão se junta. Torcedor por torcedor.
Milhares de vozes cantando a plenos pulmões. É um momento emocionante. A letra fala da história, dos valores. Fala da sua identidade.
Seja “Hala Madrid”, do Real Madrid, ou “Cant del Barça”, do Barcelona.
Todo o estádio cantando junto, e muitas vezes à capela.
No Camp Nou, nesta quarta-feira (5), momentos antes do início do jogo de volta da semifinal da Copa do Rei entre Barcelona e Real Madrid, o canto de 95.877 pessoas será o “Todo o estádio é um só clamor. Somos a gente azul-grená”, como começa a letra do ‘Cant del Barça’ (Canto do Barça, em tradução livre).
A partida decisiva entre Barcelona e Real Madrid, pela semifinal da Copa do Rei será atração com transmissão ao vivo e exclusiva para assinantes Star+, com bola rolando a partir de 16h (horário de Brasília).
Essa música parece ter existido desde sempre. Talvez desde a fundação do clube, em 1899. Mas não é tão antiga quanto você pode pensar.
“O atual hino é de 1974”, disse Carles Santacana Torres, professor de história contemporânea da Universidade de Barcelona (e torcedor do Barça) à ESPN. “Foi encomendado pela então direção para os 75 anos do clube, mas acabou por se tornar o hino não apenas para essas comemorações, mas até aos dias de hoje. No próximo ano a letra completará 50 anos”.
Os escritores Josep Maria Espinas e Jaume Picas foram encarregados de criar a letra durante um concurso público. A música foi composta por Manuel Valls. “Eles tiveram muita liberdade com a letra”, diz Santacana.
“É uma letra que vale até hoje em 2023, mas também é sobre o momento em que foi criada. Tem um verso que diz ‘Não importa de onde viemos, do sul ou do norte’. Na Catalunha de 1974, as pessoas não pensavam em um clube como hoje. Era uma época em que havia muita migração para a Catalunha. Os escritores falavam do Barça como um clube de integração social, um clube que não era só para pessoas com gerações de descendentes catalães. Era também para quem chegava à Catalunha. Isso foi muito importante naquele momento”.
O "Cant del Barca" foi tocado pela primeira vez por um coro ao lado do campo em um amistoso organizado para o 75º aniversário do clube, que foi disputado entre o Barcelona e a seleção da Alemanha Oriental. Em pouco tempo, era uma canção regular no Camp Nou.
“A diretoria percebeu o impacto que estava causando”, acrescenta Santacana. “O Barcelona teve outros hinos, mas eles não tinham a mesma popularidade. Na década de 70 era óbvio que não havia uma música que representasse o clube. O hino veio na hora certa, preencheu um vazio. É uma música para todos os torcedores. Você se identifica com ela. Refere-se à união entre jogadores e torcedores. É sobre a tradição, gols que comemoramos juntos. Você se sente parte de um grupo, parte de uma família”.
Assim como o Barcelona teve diferentes hinos ao longo de sua história, o Real Madrid também teve.
A diferença é que todos os três dos merengues permanecem em uso até hoje.
O original, “¡Hala Madrid!”, foi encomendado em 1952 por Santiago Bernabéu, o então presidente do clube, escrito pelo compositor Indalecio Cisneros e gravado pelo popular cantor espanhol José de Aguilar.
A letra fala de uma “bandeira branca limpa que não mancha” e de uma equipe formada por “veteranos e novatos”, descrevendo o time como um “campeão nobre e guerreiro”.
O segundo hino do Real, “Himno del Centenario”, foi encomendado para o 100º aniversário do clube, em 2002. Escrito pelo popstar espanhol José Maria Cano e cantado pelo cantor de ópera Plácido Domingo, a canção também apresenta o refrão repetido “¡Hala Madri!”.
Mas por que ter dois hinos de clube quando você pode ter três?
O terceiro do Madrid foi lançado antes de sua décima e épica vitória na Champions League, em 2014. “Hala Madrid ... y nada mas” apresenta letra do jornalista e escritor Manuel Jabois.
A música foi composta pelo produtor e compositor marroquino RedOne, nome artístico de Nadir Khayat, que tem um currículo eclético: já trabalhou com Lady Gaga e Nicki Minaj, e agora ostenta o intrigante cargo de "Executivo de Entretenimento Criativo" da Fifa.
“A ideia era que todo o Santiago Bernabéu se reunisse para cantar”, disse RedOne ao jornal El Confidencial, em 2014. “Fiquei um pouco nervoso para ver como os torcedores reagiriam. A torcida do Real Madrid é muito diferente. Quando estou no estádio [e ouço a música] começo a chorar. É muito emocionante”.
A música foi gravada antes da final da Champions League de 2014, aquela em que o Madrid goleou o rival Atlético por 4 a 1 na prorrogação. O videoclipe oficial apresenta toda o elenco dos Blancos se dirigindo ao estúdio para participar da gravação. Nenhum código de vestimenta foi imposto: Modric está vestindo um cardigã, o técnico Carlo Ancelotti ostenta uma jaqueta de couro.
Todos os três hinos são tocados no Santiago Bernabéu nos dias de jogos. Para torcedores mais jovens, inclusive, a versão de 2014 é a mais marcante.
Como está a semifinal da Copa do Rei?
O Barcelona venceu o Real Madrid por 1 a 0 no jogo de ida pela semifinal da Copa do Rei. O jogo, disputado no Santiago Bernabéu, terminou com gol um contra marcado pelo brasileiro Eder Militão.
A partida de volta acontece nesta quarta-feira (05), no Camp Nou, com vantagem catalã.
Onde assistir a Barcelona x Real Madrid?
Barcelona e Real Madrid se enfrentam nesta quarta-feira (05), no jogo de volta da semifinal da Copa do Rei. A partida terá transmissão AO VIVO e EXCLUSIVA para assinantes Star+, com bola rolando a partir de 16h (de Brasília).
