Em entrevista ao GE, o gerente de marketing do Rio Branco FC, do Acre, Richard Carvalho, revelou que teve proposta da Xland, empresa que aplicou golpe milionário nos jogadores Gustavo Scarpa e Mayke, para transformar a equipe alvirrubra em SAF. No entanto, as conversas não tiveram andamento.
Segundo Carvalho, a diretoria do Rio Branco teve reunião com Jean Ribeiro, um dos diretores da Xland, e fez uma contraproposta: como o estatuto do time não permite a transformação em SAF, a empresa do ramo de investimentos em criptomoedas poderia atuar como patrocinadora máster por um valor estabelecido.
Ribeiro, então, teria demonstrado postura estranha nas negociações, o que acendeu o sinal de alerta da diretoria alvirrubra e levou ao encerramento das tratativas.
"Percebi que era coisa errada, não só eu, mas outras pessoas também. Na reunião já senti que não ia vingar. Fiquei com o pé atrás", afirmou Carvalho.
"Queriam primeiro transformar (o Rio Branco) em SAF, mas falamos que não pode porque o estatuto do clube não permite. Então, queriam o patrocínio master. Demos um valor X, ele meio que se assustou, nem olhou o projeto e ofereceu um patrocínio que não chegou nem a metade daquilo que era o real valor do patrocínio máster", relatou.
"A gente já estranhou. Como o cara quer comprar o clube e nem o patrocínio máster quer pagar? Ele falou que eles têm uma empresa em Dubai da Xland, inventou uma fantasia bem grande pra poder ludibriar a gente, com muita conversa bonita, valores altos de retorno. E a gente sabe que essas coisas não são assim, não é rápido o investimento", argumentou.
"Quando ele falou isso fiquei olhando pra cara dele sem acreditar. Já veio na minha mente: como é que um cara que diz que quer comprar o Rio Branco, eu ofereço um valor de patrocinador master, o cara nem olha o projeto, não olha nada, e quer pagar só R$ 8 a R$ 10 mil. Não entendi de jeito nenhum", complementou.
O gerente de marketing do time da capital do Acre ainda se disse "aliviado" por não ter feito qualquer acerto com a Xland, ainda mais depois que explodiram as notícias do golpe milionário envolvendo Scarpa, Mayke e outros jogadores de futebol.
"Graças a Deus foi um alívio, porque se a gente tivesse entrado no meio poderia estar sendo investigado agora, essas caras poderiam estar fazendo lavagem de dinheiro em nome do Rio Branco, ia dar um BO doido. Pensar que não ia até bater Polícia Federal no clube", lamentou.
"Com o trabalho todo que estava fazendo (de recuperação financeira da agremiação), ia terminar de enterrar o Rio Branco mais de sete palmos de areia no chão. Deus me livre, foi um livramento que a gente teve de não ter aceitado", finalizou.
