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Investigação de manipulação na Série B vê indícios de crimes também nos Estaduais em 2023, revela MP

A operação "Penalidade Máxima", deflagrada nesta semana para investigar a possível fraude em jogos da Série B do Campeonato Brasileiro, pode ter novos desdobramentos após indícios deque o esquema de manipulação seguia acontecendo em 2023.

A Justiça de Goiás autorizou ações de busca e apreensão em seis cidades brasileiras, além da execução de um mandado de prisão temporária.

Fernando Cesconetto, promotor do Ministério Público de Goiás, confirmou nesta quinta-feira em entrevista à ESPN que os materiais apreendidos na última terça-feira seguem chegando à sede do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) para análise.

“A investigação está em um estágio inicial, estamos coletando dados. Os aparelhos eletrônicos ainda estão chegando à sede do GAECO aqui em Goiânia. Demanda um tempo para isso ser analisado. Tem outras medidas como a quebra de sigilo bancário e telefônico em andamento”, disse Fernando Cesconetto à ESPN, indicando que há indícios de que esquema de fraude em partidas de futebol seguiam acontecendo durante campeonatos estaduais em 2023.

“Estamos nessa fase da investigação. Na análise feita até este momento, é possível verificar que as apostas não se centravam apenas no cometimento de pênaltis no primeiro tempo. Há indícios de jogos mais recentes, em 2023, de placar parcial da partida. São indícios que coletamos e que demandam a devida análise para que não seja algo superficial”.

Segundo o Ministério Público de Goiás, a fraude teria acontecido através da ação de atletas profissionais, que teriam recebido pagamentos para cometerem pênaltis durante três partidas diferentes, mas sempre no mesmo período do jogo.

“A investigação iniciada no GAECO apura, no momento, três crimes: associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva em âmbito esportivo, que é um crime previsto no Estatuto do Torcedor. Há crime de quem oferece vantagem indevida e daquela que pede ou aceita, independente do resultado ter sido alterado ou não. Quanto aos resultados destas investigações, eles serão compartilhados com outras esferas que não a criminal como a justiça desportiva para apurar eventual infração de atletas”, disse o promotor, que não descartou o desdobramento da operação "Penalidade Máxima" em outras fases após os novos indícios de fraude.

“É possível aumentar o número que jogos, tanto que se iniciou com três pela Série B e agora temos jogos que não estavam no radar da investigação, e já em 2023. Quanto ao número de investigados, ele certamente tende a aumentar. Sobre número de jogos [investigados], posso dizer que há indícios fortes de que aumentou em 2023. Mas nós precisamos tratar todas as informações, analisar o material que foi apreendido, os vestígios eletrônicos principalmente. Há mais de uma dezena de equipamentos eletrônicos apreendidos. Não descartamos avançar as investigações em eventuais novas fases”.

Quais jogos da Série B foram alvo de manipulação?

A investigação aponta para indícios deste esquema em três jogos pela 38ª rodada da Série B de 2022: Vila Nova x Sport, Criciúma x Tombense e Sampaio Corrêa x Londrina. A fraude só não foi completa, segundo Fernando Cesconetto, por um problema no confronto entre goianos e pernambucanos.

“Em dois jogos, os pênaltis aconteceram. No caso do jogo do Vila Nova, que é a vítima e denunciante do caso, o pênalti não aconteceu. Isso gerou prejuízo para os apostadores. Estima-se que foi de R$ 2 milhões”.

Quem são os jogadores suspeitos na investigação?

Um dos investigados pela operação "Penalidade Máxima" é Romário, meia ex-Vila Nova. Ainda está na lista o lateral Matheusinho, que defendeu o Sampaio Corrêa em 2022, mas agora atua pelo Cuiabá. Informações apuradas pelo jornal O Popular dão conta de que Joseph, zagueiro que representa o Tombense e que atuou pelo Cruzeiro em 2021, também faz parte dos nomes investigados.

“O ganho para cada jogador envolvido seria de R$ 150 mil. Seriam pagos R$ 10 mil adiantados e R$ 140 mil após o êxito. Como no jogo do Vila Nova não houve o pênalti, mas houve o pagamento do sinal (R$ 10 mil) para o jogador envolvido, o apostador passou a cobrar excessivamente o atleta pelo prejuízo causado, já que nos outros jogos houve o pênalti, e os atores envolvidos esperavam receber cada um R$ 150 mil”.

O que dizem os clubes envolvidos nas suspeitas?

Vila Nova

O Vila Nova Futebol Clube informa que auxilia, na condição de denunciante, o Ministério Público do Estado de Goiás, que através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e do Grupo de Atuação Especial em Grandes Eventos do Futebol (GFUT), deflagrou a Operação Penalidade Máxima na manhã desta terça-feira (14).

O Vila Nova Futebol Clube aguarda a manifestação do MP/GO com mais informações e ressalta seu papel colaborativo e o compromisso com valores éticos, morais e de lisura que são princípios do clube e do esporte.

Sampaio Corrêa

O Sampaio Corrêa apoia as investigações, e espera que tudo seja devidamente esclarecido. O clube ressalta que não compactua com nenhum tipo de atitude que ultrapasse as quatro linhas do campo, e frisa que cada um dos supostos envolvidos responda pelos seus atos e arque com as consequências.

O presidente Sergio Frota destaca que o Sampaio, no lance em questão, foi duplamente prejudicado, pois na sequência o atacante Gabriel Poveda marcou um gol, anulado com o auxílio do VAR para a revisão da jogada. O pênalti então foi marcado para o Londrina.

Tombense

O Tombense Futebol Clube informa que recebeu com surpresa e indignação a notícia de que um de seus atletas poderia estar envolvido em esquema de manipulação de resultados de jogos da Série B do Campeonato Brasileiro.

Imediatamente após confirmar a existência da investigação policial, o Tombense afastou o atleta de todas as suas atividades regulares e se colocou à disposição das autoridades para auxiliar com o que for necessário.

O Clube destaca a sua total repugnância a este tipo de conduta, com a qual jamais compactuará, e espera que todos os envolvidos sejam punidos com o rigor da lei.