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Por que adversário do PSG na Copa da França tem 'dinheiro infinito' do mundo árabe, mas está atolado na zona do rebaixamento da 3ª divisão?

Príncipe Abdullah Bin Mosaad inspeciona treino do Châteauroux GUILLAUME SOUVANT/AFP via Getty Images

PSG enfrenta o Châteauroux nesta sexta-feira (6), pelos 64-avos de final da Copa da França


Nesta sexta-feira (6), o PSG enfrenta o pequeno Châteauroux, às 17h (de Brasília), pela fase 64-avos de final da Copa da França.

Apesar de estar apenas na 14ª colocação do Championnat National, correspondente à 3ª divisão francesa, o clube possui um cofre tão reforçado quanto o do Paris, que é controlado pela QSI (Qatar Sports Investiments) e é um dos times mais ricos do mundo.

Isso porque o Châteauroux é, desde março do ano passado, o "brinquedinho" de Abdullah bin Mosaad, bilionário membro da família real da Arábia Saudita.

Amante dos esportes, Abdullah também é dono de várias outras equipes, como Sheffield United, da Inglaterra, Beerschot, da Bélgica, Kerala United, da Índia, e Al-Hilal United, dos Emirados Árabes, para citar alguns.

Além disso, o magnata é famoso por ser fã da NFL e não perder um jogo do San Francisco 49ers na televisão.

Só que, diferente do que se esperava quando comprou Châteauroux, o príncipe saudita não saiu gastando loucamente para promover a equipe rapidamente à 1ª divisão.

Pelo contrário: após ter terminado só em 5º lugar na temporada passada do Championnat National, em 2022/23 o desempenho da agremiação é ainda pior, com a briga contra o rebaixamento para a CFA (4ª divisão) sendo a realidade do momento.

Em reportagem publicada na última quinta-feira (5), o jornal Le Parisien explicou que os sauditas não têm qualquer pressa de subir o Châteauroux.

De acordo com o diário, o pequeno clube foi escolhido pela família real da Arábia Saudita por ser um dos mais antigos da França (107 anos), fazendo parte de um projeto de longo prazo que o país do Oriente Médio tem para melhorar sua imagem na Europa.

"Se o príncipe dono do Châteauroux faz parte da família real saudita, seu projeto é independente disso. Ele é mais grandiloquente e diz respeito ao que o reino pensa em fazer por sua imagem através do esporte, o que tomou dimensões gigantescas nos últimos meses, principalmente depois da compra do Newcastle e da contratação de Cristiano Ronaldo pelo Al-Nassr", salientou.

Também em entrevista ao jornal, o prefeito de Châteauroux, Gil Avérous, assegurou que o dono saudita tem ambições diversas com o clube.

"A vontade dele, é claro, é recolocar o time no topo. Enquanto essa ambição não for alcançada, ele garantiu que ficará com a equipe a longo prazo", contou.

"Depois disso, se ele vão vender o clube... É provável. Vamos supor que o time chegue à elite e ganhe valor, então imagino que aí ele venderia a um novo comprador", completou.

De acordo com Kévin Veyssière, especialista em geopolítica do esporte, os sauditas sabem bem o que estão fazendo.

"Eles não estão dando tiros na água", garantiu.

"No Sheffield e no Beerschot, eles já iniciaram projetos de médio e longo prazo. Acima de tudo, isso permitiu aos donos entrarem em diferentes mercados da Europa e criarem conexões entre clubes", explicou.

"E, como todos podem imaginar, no futuro haverá uma grande rede de equipes comandada pelo Newcastle, se esse for o desejo da monarquia da Arábia Saudita", complementou Veyssière, deixando no ar que pode haver uma composição similar ao que hoje os Emirados Árabes Unidos fazem com o City Football Group, capitaneado pelo Manchester City e que possui diversos times ao redor do mundo.

Ainda é cedo para dizer como terminará a temporada do Châteauroux. Mas o fato é que, pelo menos nas divisões menores da França, dinheiro parece não resolver todos os problemas...