Kerlon foi revelado no Cruzeiro e ficou conhecido pelo drible da "foca", em que fazia embaixadinhas com a cabeça e irritada os adversários
Richarlison foi um dos destaques da classificação do Brasil às quartas de final da Copa do Mundo ao reviver o "drible da foquinha" no lance que originou o terceiro gol da seleção contra a Coreia do Sul, nesta segunda-feira (5).
Mas quem foi o inventor dessa jogada no futebol mundial? Muitos podem não lembrar, mas quem trouxe esse lance pela primeira vez foi Kerlon, atacante revelado na base do Cruzeiro em 2005 e que não teve a carreira que todos esperavam.
Kerlon surgiu na Toca da Raposa como uma das grandes promessas cruzeirenses para o futuro. Atacante franzino de 1,60 m, ele se destacava pela habilidade e facilidade com que driblava os rivais. Não à toa, chegou a defender a seleção brasileira de base.
Seu drible característico era único: Kerlon levantava a bola com os pés e, depois com a cabeça, fazia embaixadinhas em movimento, lance que costumeiramente irritava os adversários e causava até lances de violência.
A jogada era feita desde os tempos da base, mas chamou atenção a partir do momento que foi usada no time principal do Cruzeiro. Kerlon fez uma vez em um clássico contra o Atlético-MG, em 2007, e levou uma trombada dos zagueiros rivais.
O lance caiu em esquecimento até Richarlison utilizá-lo nesta segunda-feira, no lance que deu início ao terceiro gol do Brasil contra a Coreia do Sul. O Pombo fez embaixadinhas com a cabeça, tabelou com Thiago Silva e bateu na saída do goleiro para praticamente selar a classificação.
"Foi foca que fala né? (risos) Já fiz isso na Inglaterra, levei até um pouco de crítica e faz parte do futebol bonito. Saiu uma tabela bonita e pude fazer um golaço. É continuar no futebol alegre que as coisas vão acontecer para a gente", afirmou o camisa 9 do Brasil, em entrevista à CazéTV.
Que fim levou?
Agenciado por Mino Raiola, que depois ganhou fama ao empresariar nomes como Zlatan Ibrahimovic e Erling Haaland, Kerlon foi vendido pelo Cruzeiro por 1,3 milhão de euros em 2008.
Passou primeiro pelo Chievo e, um ano depois, foi levado à Inter de Milão, onde nunca se estabeleceu. Foi emprestado ao time B do Ajax e depois a Paraná, Nacional-MG e até clubes do Japão, Estados Unidos e outros países de menos expressão.
O fim da carreira foi pelo Spartak Trnava, da Eslováquia. Kerlon tinha 29 anos e muitas cirurgias no joelho, local que operou seis vezes, o que claramente prejudicou o desenvolvimento de sua carreira.
Atualmente, o ex-atacante mora com a família nos Estados Unidos e trabalha no futebol, mas como treinador.
