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Associação de árbitros pressiona CBF por repasse de patrocínio e ameaça paralisação da categoria

Polêmicas recentes em rodadas do Campeonato Brasileiro deixam árbitros em evidência e aquecem bastidores


A sequência de polêmicas envolvendo a arbitragem em jogos recentes do Campeonato Brasileiro causa uma reação da Anaf (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol) nos bastidores.

Em nota divulgada à imprensa nesta segunda-feira (11), a entidade atacou a falta de cuidados da CBF com os árbitros e sugeriu, inclusive, uma paralisação da categoria, o que tornaria inviável o andamento do calendário nacional.

"Desde que tomou posse como presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues tem prestado um desserviço à categoria. Cortou o patrocínio que os árbitros recebiam por direito oriundo da exposição de marcas em seus uniformes e busca a todo momento enfraquecer sua entidade classe", informou a Anaf, em nota (veja o material completo abaixo).

O patrocínio citado pela Anaf, e que causa discórdia entre a entidade e a CBF nos bastidores, é da empresa Semp TCL, que estampa sua marca nas camisas que os árbitros usam em partidas organizadas pela CBF.

O acordo beira R$ 10 milhões por ano, dos quais uma pequena parte é repassada à Anaf. A associação dos árbitros, porém, alega que não recebe o valor que tem direito desde março.

A Anaf tem 623 árbitros em seu quadro, mas a minoria atua na primeira divisão do Campeonato Brasileiro (nem 5%, segundo apurou a ESPN).

Ainda de acordo com apuração da ESPN, a paralisação da categoria de árbitros é difícil de acontecer. O assunto será debatido em assembleia prevista para a próxima semana.

Veja abaixo a carta da Anaf na íntegra:

Desde que tomou posse como presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues tem prestado um desserviço à categoria. Cortou o patrocínio que os árbitros recebiam - POR DIREITO - oriundo da exposição de marcas em seus uniformes e busca a todo momento enfraquecer sua entidade classe, assim como fez quando era presidente da Federação Baiana de Futebol, com o sindicato dos árbitros da Bahia.

Diante desse panorama não resta outra alternativa: como representante eleito da categoria, irei me reunir com os árbitros da FIFA, e também da CBF, além de estar com presidentes de sindicatos em todo país que atuam em nosso segmento e nós iremos propor uma GREVE GERAL para que o presidente da CBF passe a entender que o respeito é uma condição essencial para que o árbitro possa realizar o seu trabalho com fidalguia no campo de jogo!

Estamos há seis meses tentando um contato, mas ele foge! Trata as pessoas com descaso e indiferença. Não tem postura para estar no cargo que exerce. E agora verá a força que a arbitragem brasileira possui. Se tornou presidente da CBF entrando pela porta dos fundos, criando desafetos políticos e prometendo coisas que deixou de cumprir. Governa isolado. Por isso, até seguranças particulares teve que contratar, algo que ao longo da história não me recordo de ter ocorrido com um presidente da CBF.

Enquanto isso a arbitragem brasileira segue SUCATEADA, sem investimentos eficazes que a possam colocar no patamar que ela merece. Por isso, vou me empenhar para que possamos, juntos, PARALISAR O CAMPEONATO BRASILEIRO em protesto ao presidente que quer acabar com a categoria no Brasil.

Salmo Valentim Presidente da ANAF