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Na contramão do resto do mundo: mulheres somem da elite do apito e da bandeira na CBF

Enquanto Itália terá primeira mulher apitando a Serie A, dados mostram que brasileiras estão 'sumindo' da elite na CBF


A Federação Italiana de Futebol anunciou recentemente que terá a primeira mulher apitando a sua tradicional Serie A. Maria Sole Ferrieri Caputi tem 32 anos, é árbitra há 15 e entra para a história da arbitragem italiana. A Fifa, este ano, também colocou na lista as primeiras mulheres para a Copa do Mundo no Qatar. Ou seja, é um caminho sem volta as mulheres atuando no futebol masculino e conquistando seu espaço.

No entanto, parece que a CBF está no o caminho reverso. Logo o Brasil, onde nasceu Léa Campos, a primeira mulher reconhecida pela Fifa como árbitra, além de outras pioneiras como Silvia Regina, Ana Paula, Aline Lambert...

Com a mudança no comando da arbitragem da CBF, as mulheres estão tendo cada vez menos oportunidades na elite do futebol masculino.

A atual comissão nacional, comandada por Wilson Seneme, além de “esquecer” por exemplo do Norte e Nordeste, parece não lembrar que há mulheres no quadro a serem utilizadas nos grandes jogos. E olha que em sua gestão foi criado um departamento para a arbitragem feminina.

Edina Alves, que já colocou seu nome na história do Campeonato Brasileiro, Conmebol Libertadores e Mundial de Clubes, não apitou sequer um jogo de Série A neste ano. Em um país com tantas mulheres atuando como árbitras e assistentes, se os dirigentes não consideram tê-las aptas aos grandes jogos, sigo batendo na tecla que algo está errado no processo – e se observa isso também com os homens. Um problema pode ser "elitizar" os cursos de arbitragem com valores altos, mas essa é somente uma questão e assunto para outro momento.

A Associação Nacional dos Árbitros (ANAF) disponibilizou os dados das escalas das mulheres na CBF nas séries A, B, C e D, inclusive comparando o ano de 2022 com Wilson Seneme e o anterior, com Leonardo Gaciba. Os números assustam não só no apito, mas também na “bandeira”, isto é, as escalas das árbitras assistentes.

Os dados ainda trazem o comparativo entre homens e mulheres, e é ainda mais desanimador. Quando uma mulher erra em um jogo, principalmente de elite, a probabilidade de "sumir" das escalas é bem maior do que quando os homens erram nos jogos. E quem acompanha o futebol brasileiro percebe isso. Eles seguem tendo oportunidades, já elas, raramente. Difícil manter o quadro feminino motivado desta forma e atrair mais mulheres para a arbitragem se elas não possuírem referências de oportunidades na elite da arbitragem.

Veja os números da ANAF:

Nas tabelas acima, os números de 2022 levam em consideração as escalas até as rodadas 15 (Série A), 16 (B), 13 (C) e 12 (D), enquanto 2021 coompreende as escalas de todo o campeonato.

Percentualmente, a Série B tem mais escalas em 2022 do que em 2021. Mas é importante observar que nas duas temporadas há em comum o fato de Edina Alves ser a única mulher a receber oportunidades como árbitra. Como ela não está mais sendo aproveitada na Série A, vem sendo utilizada com maior frequência na B.

Na Série D, em apenas 12 rodadas, o número de assistentes utilizadas é idêntico ao de todo o campeonato 2021: 45. Isso porque muitas assistentes que não atuaram na D no ano passado, perderam espaço nas divisões de cima e só estão sendo escaladas na D.