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Novo analista de arbitragem da ESPN, Gaciba nega mágoa e lembra com bom humor motivo que o tirou da Copa: 'Me travava todo'

Ex-árbitro é o novo reforço do time de analistas de arbitragem da ESPN e relembrou alguns dos principais momentos da carreira


Eleito quatro vezes o melhor árbitro do Campeonato Brasileiro (2005,2006,2007 e 2009) e ex-presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba é mais um reforço dos Canais Disney e contratado para ser o mais novo analista de arbitragem da ESPN. E o ex-árbitro carrega uma extensa bagagem, dentro e fora dos gramados.

Nascido em Pelotas, no Rio Grande do Sul, Gaciba é formado em educação física e começou a sua trajetória como árbitro ainda jovem. Aos 25 anos, apitou o seu primeiro clássico Gre-Nal e, em 2005, entrou para o quadro de árbitros Fifa.

Em entrevista ao ESPN.com.br, Gaciba relembrou o início da carreira e rompeu o paradigma de que todo árbitro é um 'jogador de futebol frustado'. E segundo ele, a sua experiência com o futebol de campo começou de repente, já que à época apitava partidas de handebol.

O ex-árbitro também lembrou que antes de iniciar o curso de educação física, teve uma experiência como office boy e também cursou alguns períodos de matemática na faculdade, uma das 'profissões secretas' que queria poder ter seguido.

"Todo mundo acha que árbitro de futebol é um jogador frustrado, que não deu certo no futebol. Na verdade, eu nunca gostei de futebol de campo, o meu esporte era handebol, um esporte que eu jogava. Com 16 anos, eu acabei entrando no ensino superior, e queria estar no meio do handebol, mas eu não podia mais jogar os Jogos Escolares, e a minha maneira de ficar nos Jogos foi apitando. Comecei apitando handebol, depois comecei a apitar outras modalidades esportivas, até que um dia fui convidado a apitar o futebol de campo e percebi que, o que eu ganhava em 6 meses apitando handebol, ganhava em um dia apitando o futebol de campo. A partir dali eu me apaixonei pelo futebol, mas eu brinco com todo mundo, eu conheci a maioria dos estádios da América e do Brasil de dentro para fora, eu nunca estive nas arquibancadas conhecendo de fora para dentro. Eu só conheci estádio de fora para dentro depois que me transformei em comentarista esportivo", começou por dizer.

"Eu comecei a minha vida profissional como todo mundo, como um entregador, eu ia fazer entregas, ia no banco, era um 'mascote' da empresa do meu dindo, isso com 15 anos, quando comecei a trabalhar. Posteriormente, comecei a me voltar para a área de educação física, sou formado, licenciado, e comecei a trabalhar com a parte de futsal. Mas tem um profissão secreta, que eu gostaria muito de ter sido: professor de matemática. Amo a questão da ciência exata, gosto muito, cheguei a fazer quatro semestres de matemática na faculdade, mas acabou que essa faculdade era paga, e à de educação física era pública, então acabei fazendo universidade pública, então não tive tempo de terminar a parte de matemática, mas continuo de números e contas", prosseguiu.

'Seria até injusto se eu fosse um cara frustrado'

Em 2009, na véspera da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, Gaciba viveu um dos momentos mais difíceis da carreira. Depois de ser reprovado nos testes físicos da Fifa, deixou o quadro de árbitros da entidade máxima de futebol e perdeu a chance de apitar um Mundial.

O ex-árbitro, porém, nega qualquer tipo de mágoa por não ter ido a uma Copa, já que, na verdade, ele não mereceu ir a uma. Gaciba inclusive justificou o motivo que o fez ser reprovado nos testes físicos.

"Eu não mereci ir para uma Copa do Mundo por um simples motivo. Durante o processo de seleção para a Copa do Mundo trocou-se a questão dos testes físicos. Eu tinha algumas qualidades físicas muito boas para apitar futebol, só que na pista eu realmente não era tão bom. E isso acabou me causando vários problemas. Eu preferia enfrentar o Maracanã com 100 mil, era mais fácil para mim do que dar 10 voltas na beira da pista. Eu fazia o teste físico sem valer e fazia 15 voltas, aí fazia o teste valendo, quando via que era o valendo me travava todo para a questão de correr. Por isso não mereci ir para uma Copa do Mundo", disse.

"Eu não me sinto frustrado, de jeito nenhum. Sou um menino que, com 16 para 17 anos, botei o apito pela primeira vez no futebol, no Colonial, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e esse pedacinho de plástico me levou a conhecer os 5 continentes. Me levou a fazer grandes jogos, participar de grandes campeonatos. Só na Série A do Brasileiro são mais de 220 partidas apitadas, cinco temporadas dentro da Libertadores, Mundial de categoria de base. Quantas competições que eu acabei fazendo, são quase 1.000 jogos profissionais que eu trabalhei. Eu seria até injusto se eu fosse um cara frustrado (risos)", complementou.

História 'pitoresca' envolvendo a mãe

Gaciba também coleciona algumas histórias curiosas dentro dos gramados, e uma delas envolvendo a própria mãe. Segundo ele, enquanto apitava uma partida do Pelotas, clube da sua cidade pelo qual a mãe torcia, ele deu 5 minutos de acréscimos no 2° tempo e foi 'cornetado' por quem menos esperava. E ele lembrou com bom humor.

"Eu vou ter que confessar uma coisa: a minha mãe já me xingou. Eu fui fazer um jogo na minha cidade natal, em Pelotas, estava apitando um jogo lá, do qual a minha mãe é torcedora do Esporte Clube Pelotas, era até o clássico local contra o Grêmio Atlético Farroupilha. E o Pelotas estava vencendo o jogo por um gol de diferença e, ao término dos 45 minutos eu dei 5 minutos de acréscimo. A minha mãe, naquele momento acabou vendo a pessoa jurídica, viu o árbitro dentro do campo, e disse assim 'perdeu o relógio, filho da p***?'. Ela me xingou, todo mundo sabia que ela era a minha mãe dentro do estádio, viraram para ela, rapidamente, para olhar para ela dentro do campo, e ela olhou para todo mundo e disse 'nossa, eu me xinguei'. Na verdade, ela estava xingando à ela própria. São coisas do futebol. Isso foi legal ter acontecido porque mostra para a gente o quanto o futebol é paixão, naquele momento a mãe esqueceu que eu era filho dela. Na verdade, ali quem estava apitando era o árbitro e ela queria que a equipe dela vencesse o jogo", finalizou.