Craque do Flamengo falou abertamente sobre as Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986
Multicampeão com o Flamengo e nome histórico no futebol japonês, Zico, um dos maiores de toda a história do futebol brasileiro, ficou marcado de certa maneira por fazer parte de uma geração brilhante, mas que não conseguiu trazer uma Copa do Mundo para o Brasil.
Em entrevista ao Charla Podcast, o ‘Galinho de Quintino’ falou sobre o tema e disse que não se sente mal por não ter conquistado um Mundial com a ‘Amarelinha’. "Até hoje as pessoas acham que isso parece coisa de outro mundo. Deus não quis, paciência. Eu ganhei coisas que não sei se merecia ou não. Procurei ganhar, mas não foi possível. Futebol é isso, é do jogo".
Zico fez parte da seleção brasileira nas Copas de 1978, 1982 e 1986. Na primeira delas, o Brasil ficou na terceira colocação. Porém, os maiores traumas vieram nos Mundiais seguintes. Com uma equipe estrelada e diversos craques, o Brasil perdeu a fatídica partida para a Itália, que seria campeã do mundo, por 3 a 2, e deu adeus à competição em 1982.
O camisa 10 do Flamengo ficou marcado quatro anos depois. Nas quartas de final da Copa de 1986, diante da França, Zico saiu do banco de reservas no segundo tempo e desperdiçou um pênalti logo em suas primeiras jogadas, quando a partida estava 1 a 1. O confronto foi para a prorrogação e, em seguida, às penalidades.
Na marca da cal, Sócrates e Júlio Cesar perderam para o Brasil e apenas Platini desperdiçou o da França, que venceu por 4 a 3 e seguiu no Mundial. Zico foi apontado como um dos culpados pelo fracasso na Copa do México. Ao Charla, o craque desabafou sobre o tema e deu sua visão sobre o que aconteceu nos Mundiais que disputou.
"Não faz falta nenhuma (ser campeão do mundo). Todo mundo quer ganhar, mas do outro lado também tem gente com o mesmo objetivo. Principalmente em 82, tínhamos um time e jogamos para isso. Em 78, você começa a Copa, faz um gol e o juiz acaba o jogo, imagina, mudava a história da Copa. Em 86, eu não queria ir por causa do problema no joelho, tinha que operar, sabia. Talvez se eu não tivesse ido, ninguém ia falar nada de Copa do Mundo. Como teve o caso do pênalti, aí é 'não ganha nada, não fez nada'".
"Como não fez nada? E pra seleção ir pra Copa do Mundo? Ela foi sozinha? Não foi. Ela teve que classificar. E o número de vitórias que se teve até lá? Sabe quantos jogos oficiais eu perdi pela seleção? Só o da Itália, mais nenhum. Os outros foram dois amistosos. Sabe quantos jogos eu levei 3 gols pela seleção? Só o da Itália. Vê quantos jogos e gols eu fiz. Não ganhou, tudo bem, mas a participação individual e coletiva é muito grande. Mas tudo bem, o cara não tem o que falar, fala sobre o pênalti e outras coisas", disse o craque.
"Sinceramente, não tenho nenhum trauma quanto a isso. A única coisa que eu tenho é isso: ter desrespeitado a vontade do meu coração. Em 86 ter ido, não deveria ter ido, pedi para não ir e acabei... o futebol falou mais alto, aquela coisa. Não tem ideia do que foi feito, jogar sabendo que tem que fazer uma cirurgia, que não pode fazer tal movimento. Todo mundo sabia, não era só eu", finalizou.
Zico ainda teria possibilidade de disputar a Copa do Mundo de 1990. Porém, o ex-Flamengo explicou que não tinha condições psicológicas de suportar um quarto Mundial com a camisa da seleção brasileira. "Não estava nas melhores condições. Por tudo que aconteceu em 86, não tinha condições psicológicas. Física e técnica talvez até tivesse, mas a cabeça não estava boa não".
