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Ex-Vasco, Guilherme Santos levou 'dura' de Romário por chuteira e até bronca antes de histórico gol mil: 'Você não quer ajudar?'

Em entrevista ao ESPN.com.br, Guilherme Santos falou sobre as histórias que viveu com o Baixinho no Gigante da Colina


Romário foi um dos grandes jogadores da história do futebol mundial. Campeão do mundo em 1994 com a seleção brasileira e ídolo de clubes como Barcelona e Vasco. Neste segundo, o Baixinho ainda conquistou a proeza de marcar seu gol de número mil.

Ao seu lado na equipe de 2007 estava Guilherme Santos, então, jovem lateral-esquerdo que tinha subido da base. “É uma experiência grande jogar ao lado de um cara como o Romário. Depois de velho, eu penso que foi algo assim, que foi um objetivo que eu pude analisar dentro do profissional, que a gente sonha cada dia com coisas maiores. Mas jogar com um cara do nível do Romário para mim foi algo surreal”.

Com 17 anos, Guilherme lembra que quase deu o passe para o histórico gol mil. “Contra o Sport, uma bola que o Morais me achou na linha de fundo eu cruzei, ele pegou de primeira e o Durval acabou tirando em cima da linha”, disse ao ESPN.com.br.

Em uma partida anterior, Guilherme teve outra chance de dar a assistência histórica, mas optou pelo chute. O fato, porém, não passou desapercebido, com o Baixinho dando ‘bronca’ no vestiário.

“Na época em que eu joguei contra o Botafogo, era novidade do lado esquerdo, acabei tirando três jogadores da jogada, era para eu dar o passe para ele. Só que eu, naquela fominha de fazer o gol, chutei para o gol”, lembrou.

“Só que pegou um chute mascado. Aí, pensei: ‘puxa, era para tocar para o Baixo’. Ele chegou no vestiário, aí ele me deu a mastigada: ‘Pô, Guilherme, quer me ajudar, não é? Pô, quero fazer esse milésimo gol. Você não quer ajudar?’, mas numa boa e eu ficar todo tremendo assim”, completou.

Esta ainda não foi a única bronca que Romário deu no jovem. Enquanto acumulou as funções de jogador e treinador do Vasco, o Baixinho chamou a atenção de Guilherme em um treinamento.

“Teve um treino que a gente ia jogar contra o América do México. A gente precisava reverter o placar e eu estava muito cansado, porque eu morava em Anchieta. Até São Januário é longe. Então eu chegava muito cansado num treino. Às vezes, aí não conseguia morar perto, porque era tudo caro na época, muito caro. Ainda não ganhava bem. Tive que morar em Anchieta, que foi onde esse meu amigo da Bahia me levou”, afirmou.

Aí eu cheguei muito cansado no treino. Sempre gostei de trabalhar firme, forte e meu vigor físico, de força, de pegada total. Aí um dia eu estava treinando, eu passei do lado dele. Foi até a época que ele era treinador ainda. Ele era treinador e jogador. Eu estava na academia, aí ele passou do meu lado. Como ele queria ser treinador, na época do jogo, ele queria fazer um bom resultado. Ele me deu o colete me botou de titular”, acrescentou.

“Só que estava muito cansado, não estava aguentando, naquela época o campo era pesado, eu meio que andando. Aí quando eu passei por ele, ele falou assim: ‘Não vai correr para mim não, logo agora eu estou precisando?’. Rapaz, eu dei um pique de um lado para o outro. ‘Não, Baixo, vou correr’, saí correndo igual maluco. Pô, eu perdi até o cansaço”, finalizou.