Pato revela propostas de rivais, mas cita fator para fechar com o Milan em 2007: 'Muitos clubes mandavam as camisas com o meu nome'

Em entrevista ao ESPN.com.br, Alexandre Pato relembrou bastidores de chegada ao Milan e falou sobre desejo de retornar ao clube.


O Milan pode voltar a ser campeão italiano depois de 11 anos neste domingo (22), em caso de vitória sobre o Sassuolo, 13h (de Brasília), com transmissão pela ESPN no Star+. Um dos protagonistas da última conquista rossonera foi Alexandre Pato.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o atacante relembrou sua chegada ao clube em 2007, afirmando que muitas outras equipes europeias o tentaram seduzir, mas que um ponto em especial fez ele escolher o time de Milão.

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“Foi muito rápido, o meu passo para o profissional do Internacional e logo depois fui para o Mundial e campeão. Mas era um namoro que vinha de muito tempo atrás, mas eu não sabia. O Ariedo Braida e o Carlo Ancelotti foram ver o Mundial sub-17 no Canadá, mas eu não sabia. Eu só sabia que tinham pessoas importantes na torcida assistindo aos jogos. Quando você é menino, eles contam que tem um diretor ou treinador te olhando”, disse.

“Quando eu explodi e começaram a vir as propostas, o Gilmar (Veloz) cuidava da minha carreira. Muitos clubes mandavam as camisas com o meu nome! Tenho na minha casa ainda. Nisso, o Gilmar falou que o Milan também estava interessado em mim. Era o time do momento porque eu jogava videogame, tinha acabado de ser campeão da Champions League depois do Mundial, onde estavam o Kaká, Ronaldo, Maldini, Gattuso, Schevchenko”, completou.

“Era o time que sempre jogava no PlayStation. Tinha o sonho de conhecer o Ronaldo e jogar com ele. Deus foi muito bom comigo e me deu esse time. O Ancelotti viu meu jogo, não demorou muito e o Ariedo veio para Porto Alegre resolver os problemas de contrato e logo em seguida fomos pra Milan”, acrescentou.

Entre os times que o tentaram seduzir estavam outros gigantes da Europa, incluindo rivais diretos na Itália, mas o desejo por atuar ao lado de um de seus ídolos falou mais alto.

“Foram algumas propostas (risos). Juventus, Hertha Berlin, Inter de Milão. Hoje o jogador tem todo um plano de sair daqui, passar um tempo e ir para lá, mas na minha época não era assim. Falei para o Gilmar: ‘só quero ir para lá porque quero jogar com Ronaldo’. E tinha todos os jogadores: Cafu, Emerson, Dida... eu falei: ‘vou para lá e quero jogar lá’. E graças a Deus fui para lá”, afirmou.

Recentemente, rumores apontavam para a possibilidade de um retorno de Pato para o Milan. O próprio desmentiu, mas não fechou as portas para uma possível volta ao clube.

“Não teve conversa nem proposta. Eu tenho uma relação muito boa com o Maldini e nos falamos às vezes. Tenho uma relação muito boa com o Milan, quando tem algo da camisa nova me mandam. Quero levar minha esposa para conhecer o estádio e o CT”, revelou.

“Não teve essa hipótese de voltar, mas estou aí. Tenho contrato só até o fim do ano e não sabemos o que pode acontecer. Quem sabe? O Milan sempre vai estar no meu coração e deixar Deus agir”, comentou.

"Sinto que fui muito jovem para Milão e é como voltar para casa. Sinto em todas as ruas que ia com a minha bicicleta ou meu carro. Não teve uma vez que ia triste para os treinos. Sempre ia feliz porque era um espetáculo. É um amor que tenho pelo Milan que estará sempre no meu coração".

O título de 2011

Agora, Pato fica na torcida para que o time consiga encerrar um tabu de 11 anos sem levantar um troféu. Ao longo da entrevista, o atacante relembrou o momento em que se sagrou campeão nacional.

“Ganhamos o campeonato em Roma e, quando vencemos, (vencemos) no Olímpico, um campeonato depois de muitos anos que o Milan não ganhava. Ganhar e ver todos correndo no Olímpico com a torcida e depois saímos do estádio e vimos todo o pessoal no hotel olhando e gritando seu nome”, relembrou.

“Foi muito especial. Só quem jogou ali sabe como é a torcida, que ama o futebol. O italiano ama o futebol e, se você ganha um campeonato com o Milan, vê o quanto eles sentem amor pelo futebol. Posso dizer que foi especial”, falou.

O título ainda rendeu a Pato uma relação mais próxima com Milão. O próprio colocou a praça em que foi comemorada a conquista como um de seus lugares favoritos, assim como os presentes que recebia de torcedores.

“O que me recordo muito é da praça quando ganhamos o campeonato. Foi como quando ganhei o mundial pelo Internacional, mais de 40 mil pessoas gritando seu nome. Quando falo de Milão, é magnífico. Quero levar minha esposa para conhecer os lugares em que eu saía”, recordou.

“Às vezes, não pagava a comida, ia comer no restaurante e falavam: ‘Não, não. Só porque você ganhou o campeonato nós te damos a comida grátis. Tire uma foto conosco’. É espetacular”, finalizou.