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Ex-Atlético-MG revela cláusula inusitada antes de assinar com o clube: 'Tinha 30 ingressos e faltava'

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, Rafael Moura relembrou da sua última passagem pelo Atlético-MG em 2017


Revelado nas categorias de base do Atlético-MG, Rafael Moura já vestiu a camisa do clube mineiro em duas oportunidades na carreira. Assim que estreou como profissional, entre 2003 e 2004, e posteriormente em 2017, quando já estava mais 'calejado' na carreira. Prestes a completar 39 anos, o atacante nunca escondeu que a sua relação com o Galo sempre foi estreia, começando desde o berço, já que a sua família é toda atleticana.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, He-Man, apelido pelo qual ficou popularmente conhecido no futebol, relembrou a última passagem pelo Atlético, que ocorreu poucos anos após as conquistas inéditas da Conmebol Libertadores (2013), Recopa Sul-Americana (2014) e Copa do Brasil (2014). E o atacante revelou que, antes mesmo de assinar contrato, pediu a inclusão de uma cláusula para que ele tivesse direito a 30 ingressos por jogo e assim pudesse levar os seus familiares para acompanhar às suas partidas.

À época, o Mineirão e Arena Independência, as casas do clube em Belo Horizonte, viviam lotados e, mesmo com a cláusula, o atacante precisava recorrer aos seus companheiros para poder levar sua família ao estádio. Inclusive, nesta terça-feira (3), a partir das 21h30, no Independência, América-MG e Atlético-MG se enfrentam pela fase de grupos da Conmebol Libertadores, com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

"Quando eu volto em 2017, eu já volto mais frio. São 13 anos depois que eu tinha saído. Eu joguei por vários grandes clubes, inclusive contra o Atlético-MG, eu não podia ter mais essa paixão de torcedor da minha infância. Em 2017 eu já volto muito mais polido, mas não deixa de ser emocionante, vibrante, você defender o clube aonde você nasceu, aonde você passou toda a sua categoria de base. É um fato engraçado, era muito mais um sonho de toda a minha família, da minha mãe, que já estava doente, das minhas filhas, de eu jogar aqui, elas irem para a escola com o pai jogando no Atlético, do que propriamente minha. Mas depois que você veste a camisa e está dentro do clube, aí você fala 'nossa, meu sonho se realizou de novo, o quão sou abençoado, obrigado'. Ter aquele sentimento de gratidão", começou por dizer.

"O fato curioso é que, antes de eu negociar salário, eu pedi 30 ingressos no meu contrato e ainda faltava, isso que era engraçado (risos). Todo jogo com o Independência e o Mineirão lotados, eu tinha 30 pessoas garantidas, fora os que eu pegava dos meu companheiros que não iam utilizar no jogo. Isso mexia muito comigo, mas também era meio desgastante. Eu ir para um jogo importante, pensando em ingresso, onde que minha família iria estar, carro que ia, que não ia, segurança, não sei o quê, foi meio inusitada essa paixão", prosseguiu.

He-Man também lembrou que mesmo voltando ao clube do coração, também teve as suas 'dores de cabeça'. Um delas relacionada à 'corneta' de alguns torcedores, que não o deixaram em paz no seu retorno ao Galo.

"Todos os meus amigos de escola, vizinhos, porteiro, as pessoas que me viam em outros clubes, começaram a ter mais proximidade e me cobrar. Isso é ruim, falar que o seu companheiro não joga nada, que tem que sair do time, isso não é muito gostoso de se escutar não, mas como eu tinha intimidade com as pessoas, e você ser considerado um torcedor dentro de campo, me causou alguns desses conflitos, até perdi algumas amizades para defender meus companheiros, e eles estavam perturbando mais do que deveriam. Grupos de Whatsapp, essa coisa mais moderna, muitos eu tive que sair porque estavam falando da minha equipe, dos meus companheiros, mesmo que seja família, eles pegavam pesado em alguns casos e isso foi meio constrangedor para mim", revelou.

Passado na base do Cruzeiro

Antes de chegar à base do Atlético-MG, Rafael Moura teve uma rápida passagem pela base do arquirrival, Cruzeiro, em 1991. Porém, no ano seguinte foi para o Galo, passando um curto período no Villa Nova-MG, antes de retornar e ser revelado como profissional, em 2003. E o atacante explicou que levava até 'puxão de orelha' quando chegava na casa dos familiares vestindo a camisa da Raposa.

"Na escolinha, o Atlético-MG não tinha sub-12 ou sub-13, não tinha essa categoria no Atlético-MG, e eu jogava muito (futebol de) salão, um dia dia o treinador do (futebol de) campo foi ver um jogo, eu jogava em outro clube, e eu enfrentei o Cruzeiro no salão. O treinador do campo queria ver o pivô do Cruzeiro jogando, acabou que me destaquei neste jogo, eles me convidaram para jogar no Cruzeiro campo, só que eu jogava na categoria 1982, e eu sou 1983, jogava um ano acima porque era a única categoria que tinha", disse.

"Toda vez que eu ia jogar e voltava com o uniforme (do Cruzeiro) na casa da minha bisavó, na casa da minha avó, eu não era muito bem recebido não, porque a galera da antiga é muito mais fanática do que é hoje, elas nem tinham noção de que eu iria me tornar um profissional. Elas não queriam que eu, criança, vestisse a camisa rival do que eles torciam. Seis meses depois, pelo sucesso do Cruzeiro nesta categoria, o Atlético-MG abre essa categoria. Em um Cruzeiro x Atlético-MG, eu faço três gols em um clássico, e aí o treinador do Atlético me convidou. Na época não tinha passe, não tinha nada de Federação, estou falando de 1994, 1995, então não tinha contrato de formação, não tinhada nada. E aí para agradar a minha família, para ser aceito pela minha família, eu troquei pelo Atlético e por lá permaneci 11 anos nas categorias de base até me tornar um atleta profissional", finalizou.