Ronaldo propôs mudanças na estrutura de negócio para concluir a compra de 90% da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Cruzeiro: 'Sem garantias, é difícil continuar'
O Cruzeiro vive dias de indefinição sobre o futuro após Ronaldo propôr mudanças para fechar a transação sobre a compra de 90% da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do clube. Ainda em processo de análise sobre a situação da Raposa, a equipe do empresário encontrou alguns problemas na estrutura do negócio e, para que seja seguro e sustentável, novas condições foram apresentadas à política cruzeirense.
A primeira delas, e também a mais emergencial, diz respeito à dívida tributária do clube.
Em dezembro, foi alinhado que a SAF do Cruzeiro não se responsabilizaria pelo pagamento do passivo com o governo. Porém, hoje, Ronaldo vê riscos para a operação. Isso porque, anteriormente, em outubro, a transação tributária que a associação cruzeirense conseguiu com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) deixa como garantia de pagamento a Toca da Raposa I, CT do Cruzeiro.
“Essa nossa proposta para assumir essa dívida tributária, com essa pequena garantia, que são as duas Tocas para a SAF, de modo que a gente garante que não teríamos esse risco de penhora, de perder as duas Tocas, que são nossos locais de trabalho. A gente se responsabiliza por uma renegociação da dívida tributária, honra o pagamento, garante a propriedade da Toca I e, no final do pagamento, as Tocas passariam para a SAF”, afirmou o ex-atacante.
“Com isso, eu posso garantir que o Cruzeiro não perde as Tocas e jamais vai ficar sem treinar. É a única maneira que temos de desenvolver com segurança esse grande ativo do nosso Cruzeiro, com garantia de que teremos o controle das Tocas”.
Nas condições impostas por Ronaldo, a SAF assumirá a responsabilidade de pagar parte deste passivo, que será renegociado mais uma vez, por meio do Programa de Retomada do Setor de Eventos (Perse). Os CT's, por sua vez, deverão ser arrendados para a empresa.
Outra condição proposta pelo ex-atacante foi a autorização para a abertura de um processo de Recuperação Judicial ou Extrajudicial. As ferramentas são utilizadas para tentar recuperar empresas que estão em situações falimentares. E tudo isso por meio da renegociação coletiva com credores de naturezas cível e trabalhista.
“No meu entendimento, a melhor saída e o melhor planejamento para adequar e cumprir com todas as dívidas, é uma recuperação Extrajudicial ou Judicial. A gente pediu isso aos conselheiros do Cruzeiro, que tivessem aprovado em assembleia a possibilidade dessas duas opões para a gente começar a reconstruir, de fato, o Cruzeiro. A reconstrução passa por acertar com todas as dívidas”.
As novas condições serão levadas à Assembleia Geral do Cruzeiro. Haverá um prazo de duas semanas para a votação, através dos associados, que aprovarão ou não as mudanças no modelo de negócio propostas pelo empresário.
“A gente acabou a reunião com bom entendimento. Foi o que falei com eles: estamos cercados dos melhores profissionais do Brasil em reestruturação de dívidas. Temos as melhores pessoas nos aconselhando, embarcados nesse projeto, e essa realmente foi a melhor opção que encontramos. Temos certeza que é o melhor caminho para seguir evoluindo e cumprindo nossas responsabilidades”.
“A gente tem que acelerar isso, porque se eu não tenho essas garantias, é muito difícil a gente continuar no processo e evoluir no projeto, porque até para a gente ter novos investidores, patrocínios, o mercado está esperando essa definição”.
“Quero reafirmar publicamente que não é do nosso interesse, e não será do nosso interesse, usar qualquer uma das Tocas como investimento imobiliário. Ou seja, amanhã ou depois, se na região da Pampulha puder construir prédios, eu recebo proposta pela Toca I, eu me comprometo que não vou vender”.
“Se houver possibilidade de venda, a gente participaria a associação no negócio. É uma garantia importante. Volto a afirmar que é do nosso interesse vender nenhuma das Tocas. A gente usa ela para o futebol, agora também nossa parte administrativa fica também na Toca II”.
