Ex-zagueiro do São Paulo, Xandão recordou o golaço marcado no Manchester City em 2012
Praticamente eliminado nas oitavas de final da Champions League, após perder por 5 a 0 para o Manchester City no duelo de ida, o Sporting vivia um cenário completamente diferente há dez anos. Na temporada 2011-12, o clube português eliminou o bilionário time inglês nas oitavas de final da Europa League com direito a um golaço de calcanhar do zagueiro brasileiro Xandão, ex-São Paulo.
Apontado como grande favorito, o City comandado por Roberto Mancini liderava a Premier League e tinha uma equipe estrelada com nomes como Kompany, Yaya Touré, David Silva, Nasri, Balotelli, Agüero, Dzeko, entre outros.
Por outro lado, o time alviverde estava apenas na quarta posição do Campeonato Português e havia colocado Ricardo Sá Pinto, então treinador dos juniores, como comandante da equipe principal.
Além disso, o City havia goleado anteriormente o Porto, que liderava a liga portuguesa. Um cenário que causou certa arrogância por parte dos jogadores da equipe inglesa.
"Em algumas entrevistas eles falaram coisas que foram utilizadas pelo Sá Pinto para mexer com os nosso brios. Lembro do Dzeko falar que não conhecia os jogadores do Sporting. Eles vieram com ar de soberba, que jogou contra eles mesmo", contou.
"No jogo anterior contra o Vitória de Setúbal eu cometi uma falha e o time perdeu. Fiquei extremamente chateado e achei que essa falha poderia me tirar do jogo mais importante da minha vida e chorei depois em casa com a minha esposa".
"Mas o treinador nos levou ao CT e disse na frente de todos que eu era o único titular garantido na partida. Aquilo me deu uma motivação muito grande e só me concentrei na semana em fazer o melhor jogo da minha carreira. Não fiquei remoendo o erro e queria retribuir a confiança que recebi", recordou.
E Xandão não decepcionou. Ele brilhou no José Alvalade e ajudou o Sporting a não levar gols. Além disso, logo aos seis minutos do segundo tempo, ele se consagrou ao pegar o rebote do goleiro Joe Hart depois de um chute de Matías Fernández.
"Foi o gol mais importante da minha carreira, não só pela beleza, mas por todo o contexto. Eu me posicionei para pegar o rebote da falta porque o City marcava por zona. Foi um lance muito rápido e o Hart bloqueou meu chute. Quando a bola sobrou, eu estava de costas para o gol e não tinha muitas opções. Passa milhões de coisas em milésimos de segundo, mas tentei o calcanhar e fui muito feliz".
"Na comemoração eu nem acreditava, ouvi a explosão da torcida e foi uma emoção. Saí correndo para abraçar o Sá Pinto, mas os jogadores fizeram um monte em mim (risos). Em uma semana eu saí do inferno ao céu! Comemoramos demais depois no vestiário e fiquei muito feliz", afirmou.
No jogo seguinte, em Manchester, os portugueses abriram 2 a 0 e levaram a virada por 3 a 2, mas saíram classificados pelo gols marcados fora de casa. Na volta à Lisboa, a equipe foi recepcionada por milhares de torcedores durante a madrugada.
"Nós relaxamos um pouco e achei que seríamos eliminados. Sofremos uma pressão muito grande, parecia que o campo estava inclinado (risos). O Rui Patrício fez um milagre no último lance em uma cabeçada do Joe Hart e foi o nosso herói! Quando chegamos em Portugal foi uma festa linda, era um rio verde em torno do nosso ônibus", admitiu.
Poucos meses depois, o Manchester City sagrou-se campeão da Premier League com um gol milagroso de Aguero, quebrando um jejum de 44 anos sem o título inglês. Já o Sporting ainda eliminou o Metalist, da Ucrânia, antes de cair para o Athletic Bilbao nas semi da Europa League.
Passados dez anos, o golaço é até hoje lembrado pelos torcedores alviverdes e rendeu uma visita recente ao Alvalade.
"Eles me mandaram tantas mensagens nas redes sociais assim que saiu o sorteio da Champions, que fui para Portugal ver o jogo de ida. Dei muitas entrevistas e foi sensacional, pena que o Sporting perdeu", lamentou.
Planos para aposentadoria
Xandão começou sua trajetória no futebol como atacante antes de virar zagueiro e fazer testes em grandes clubes como Grêmio e São Paulo e Corinthians até ser aprovado no Guarani, no qual se profissionalizou. Ele depois passou por Athletico-PR, Fluminense, São Paulo (2010 a 2012) e Grêmio Barueri.
Na Europa, ele defendeu Sporting, Kuban Krasnodar-RUS, Anzhi-RUS, Gijón-ESP e Cercle Brugge-BEL. Depois, rodou por Red Bull Brasil, Guarani e Persija Jakarta-IND, seu último clube, em 2019. "No meu último jogo como profissional consegui fazer dois gols, algo inédito na minha carreira", recordou.
No começo de 2020, ele voltou ao Brasil para que a esposa fizesse tratamento para gravidez.
"A gente tentava engravidar há dez anos e não dava certo. Conseguimos uma médica especialista em fertilidade e a gravidez foi de alto risco, ela quase abortou".
"Minha filha nasceu prematura e precisou ficar na UTI com um sopro no coração. Ela também teve uma apneia e poderia ter morrido, mas deu tudo certo. Por tudo isso, nós a batizamos de Vitória", disse.
Xandão recusou propostas de vários clubes à época e ficou o ano todo parado para cuidar da família. Além disso, veio a pandemia, o que fez o zagueiro colocar o esporte em segundo plano. Ele irá anunciar publicamente a aposentadoria nas próximas semanas.
"Não teria um projeto interessante para continuar competindo em alto nível e do ponto de vista financeiro que fosse bom. Minha cabeça não está mais 100% focada no futebol e preferi parar. Sempre me preparei para a vida depois do futebol e fiz meus investimentos. Além disso, ajudava meus colegas com isso desde a época do São Paulo. Agora estou estudando para tirar as licenças para prestar consultoria financeira de forma oficial para os jogadores porque a nossa carreira é muito curta", finalizou.
